Juntam-se aqui duas turmas de alunos finalistas, os alunos do antigo curso de 5 anos (que eu sempre defendi e defendo, mas Bolonha ganharia sempre) e os do actual de 4 anos (já imposta Bolonha). A licenciatura de 5 anos fora gerada na reforma do ensino artístico de 1974 (na então ESBAL), aquando muitas disciplinas novas, a nível do pensamento e experientação foram criadas, nomeadamente a hibridez de “Artes Plásticas” (disciplina sem fronteiras, que agora passa a semestral, 6 rápidos meses contra o meu gosto, enfim), e os cursos de Design (Comunicação e Equipamento). Agora, os cursos de Design e Escultura (mais os novos de Multimédia), conformes a Bolonha, foram reduzidos para 3 anos, e Pintura conseguiu impor os seus preferenciais 4 anos. Esta reforma realizou-se há 4 anos, portanto, e esta 1ª turma “de Bolonha” aqui chega ao fim, ao mesmo tempo que a última turma da licenciatura de 5 anos. São cerca de 80 artistas que aqui mostram uma selecção dos seus trabalhos; como eu lecciono esta disciplina de Pintura III (estive de sabática em 2008, mas já trabalho de novo com os alunos-artistas deste ano para a próxima expo de finalistas), dizia eu como lecciono esta disciplina finalista, sei que o nível de maturidade alcançado por quase todos não me aconselha muito a chamar-lhes “alunos”, são colegas de várias andanças (individuais e colectivas) e artistas de pleno direito e qualidade, como esta magnífica exposição revela com toda a evidência. (E parabéns aos meus colegas Isabel Sabino, Ilídio Salteiro, Lima Carvalho, Pedro Fortuna e Manuel Botelho.)
Serve pois esta grande colectiva (e estas expos de finalistas realizam-se todos os anos no mesmo sítio: Palácio Galveias, ao Campo Pequeno) para mostrar a quem queira visitá-la (toda a gente, espero!) o que se faz na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e o que por lá entendemos por Pintura, o que nos leva da pintura à fotografia, e da instalação ao vídeo. Numa equivalência entre liberdade e maturidade. Até princípios de Setembro, a não perder.




Então e a Pintura?
Lá estarei mui atento.
A pintura está no galveias. Muito bom o que lá está.
A escultura é mais rápida.
Enquanto isso, a arte é lenta.
(Agora vou ouvir a Yma Sumac.)
tu queres conversa reaccionária sobre Bolonha, quando as indústrias do ensino europeias, da grã bretanha e dos estados unidos formam em continuidade de 3+2 para dentro e principalmente para exportar. Tem juízo, és uma força do bloqueio, conservador e reaccionário, a ensinar o relativismo, o DaDaísmo, o desconstrucionismo e tudo quanto é New Age. A putativa maturidade dos 4 anos mais a grande qualidade em fotografia, video, instalação e performance. Então e a Pintura? Pinta Pinta Robbiallac. Ah! Ah! Ah!
Gosto muito do pedido para pintar, pintar Robbialac. Disso gosto muito. Do que a Robbialac pode fazer a mais que a calcite (sabes o que é, não sabes?). Linhaças e óleos fora! Eu sempre preferi a Robbialac. Agora vires feito em vanguardeiro das indústrias do ensino para exportação, eh pá essa não, qualquer dia estás a fazer uma tese sobre a Marina Abramovic (que ainda performatiza nua!) ou sobre a “desmaterialização” do Kaprow! Então, vanguarda, vanguarda, nada, mas se for da indústria do coiso$$ já pode ser.
A coisa deveria era passar para seis anos: um para a pedra, um para os gessos, outro para os metais, outro para o poliuretano, o quinto para conhecer melhor alunos e alunas, o último para “estagiar” pago pelas Novas Oportunidades, e mais nada. E que tal?
diz grande capital, diz.
A Abramovic e o Kaprow? Fôsga-se… sou mais p’la Annie Sprikle e a Nina Hagen.
Dizeis bem, 6 “anos”, mas com Ó, por vias das miniaturas pintadas a pincel pelo de marta mais do acetato de polivinil fino, não esquecendo as palmetas e o esticador, sonho de qualquer arquitonto raticida da nossa praça. A propósito, é urgente rasgar a livralhada, relativista, new age e tal.
A Abramovic ainda não tem a classe da Sónia Sanfona, mas lá chegará, não digas mal da senhora eslava. Quanto á Nina Hagen prefiro o Iggy Pop. Quanto ao “arquitonto”, deixa-os estar, são porreiros pá.
Rasgar a livralhada, nem penses. Eu quero o S. Tomás, o Santo Atanásio, o S. Boaventura, o abade Grosseteste, ainda não decaí ao estado de “Palmira” (só o nome, porra!).
Depois, só depois, é que vem o Baglione e o Caravaggio.
Força Jecta. Porrada neles. Bolonha é nossa!!
e eu que sempre gostei de “linhaças e óleos”!seis anos? isso é que seria um curso a sério; no meu tempo “cinco” quando de lá saí tive a sensação que estava “preparado para começar” de novo.
Pelo que leio Bolonha tem pressa para tudo!
É isso mesmo, caro Adão Contreiras, foi e vai tudo atrás dos 3, 3 anos. Nós conseguimos os 4.
Passe pelo Galveias se puder, até Setembro.
De resto, FBAUL ou ESBAL, inspiradíssima como sempre.
Abraço amigo.
CV
Pois… estou a ver. Queres 6 anos, mas com os professores da reforma de 32, não é? Sabiam desenhar, representar e tal.
Os professores da reforma de 57, por vias da neo-figuração já eram um pouco mais manhosos. Imagina então os da reforma de 74 e estes empacotados completamente New Age da de 2004.
Donde, e como a iarte não se ensina, quanto menos tempo melhor, certo? Melhor chamar a viúva porcina, não?
vou fazer por lá passar numa próxima ida a Lisboa. E já agora!…como vai por aí a Isabel Sabino, aínda lecciona na FBAUL? que coisa difícil, ESBAL tem outra sonoridade- quase musical!
um abraço amigo também, daqui
ac
Eu vou ser um dos que vou passar por lá… Vou levar o telélé e fazer umas fotos dalguns quadros, dos que mais me agradarem ou daqueles -quais melões supostamente saborosos antes de abrir- com maior potencial comercial futuro…
Ó Grande Jecta, deixa estar a malta, ninguém sabe o que é a New Age, só o Zizek.
Oh, os da reforma de 57 (ainda não nascido era eu, nem sonhava sê-lo), muito bons, o que nós andámos procurando, procurando pelas calçadas o livro do grande Varela Aldemira. Encontrámos e já aqui escrevi sobre ele, o fantástico “Estudos Complementares de Pintura”. Asneira sobre Klee, grandes textos sobre Velázquez (um dos melhores textos que li sobre o “Cristo”, bravo, Varela!!).
Mas, vá lá, ficas com três, eu quero quatro (para aquela malta começar ou recomeçar a ir ao S. Carlos, quando o tonto de Colónia se for embora).
Caro Adão Contreiras, a Isabel coordena agora o mestrado de Pintura.
O trabalho não pára.
E quem paga os 4? Mais uma das conquistas maçónicas, não? Ah! Ah! Ah!
Ó Grande Jecta, então tu não sabes que maçonaria e educação sempre andaram de mãos dadas.
Não sejas mauzinho, sinceramente.
de mãos dadas, as pombas a voar, ficam em falta as meninas a apanhar. Consultados em profundidade os curricula da Reforma de 57 posso concluir que é mui verosimilhante aos de Bolonha 2004.