Tem Obama um plano para o Médio Oriente? Sim, qual? Como ? (Oxalá tivesse)
11 de Julho de 2009 por Carlos Vidal
Escritor libanês residente em Paris muito traduzido por cá, Amin Maalouf visitou Portugal na passada semana, tendo proferido uma conferência na Gulbenkian e dado uma entrevista ao “Público”, a Alexandra Lucas Coelho (uma jornalista que se deve sempre ler). Claro que os temas teriam de incluir o Médio Oriente, o Afeganistão, Obama e uma nova ordem mundial mais distendida, distensão esperada precisamente pelo tipo de protagonismo de Obama, se bem que no “terreno”, nada pareça ter mudado (e não mudou mesmo), com efeito. Confesso que simpatizo com a personalidade de Obama, se bem que não acredite que algo vá “mudar” na política internacional e pouco ou nada na frente interna norteamericana (não estou a ver uma emergência ética nos chamados círculos políticos de Washington, não percebo que ideia tem Obama acerca de um serviço nacional de saúde, etc). Mas não é este o tema do post.
Leio entretanto na entrevista de Maalouf ao “Público”:
Tem um plano para israelitas e palestinianos?
Sim, acho que tem.
Os israelitas vão aceitá-la?
Acho que sim, incluindo Netanyahu.”
Bom, humildemente, eu também não acho que Netanyahu venha a ser obstáculo, porque o obstáculo é o próprio estado de Israel. E tudo o que vá além disto é pura ingenuidade. De qualquer maneira, qualquer processo de paz terá de resolver, de imediato, três aberrações decretadas e propostas por Netanyahu:
1. O “crescimento natural” dos colonatos: por razões populacionais, demográficas, agrícolas, etc, etc, mesmo que novos colonatos não surjam (o que já de si é uma miragem), não se percebe como se vai lidar com os colonatos mais gigantescos e o seu “crescimento natural” que o actual primeiro-ministro reclama também como um “direito natural” (é uma escalada absurda e sem fim).
2. O dito Netanyahu quer um estado palestiniano que não controla o seu espaço aéreo. (Isto é tão sádico e burlesco que me dispenso de comentar.)
3. O mesmo indivíduo Netanyahu pretende também um estado palestiniano desmilitarizado. Só lhe falta exigir um estado plestiniano que não seja nada um estado palestiniano.
Se Obama tiver alguma resposta para estes três pontos, então podemos começar uma conversa.

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