Estes exercícios são sempre algo dispensáveis, mas se me obrigassem a escolher três nomes, 3, para exaltar na música espanhola do século XX, assim repentinamente ocorrem-me:
- Isaac Albéniz, pela magnífica ópera Merlin, do seu inacabado ciclo arturiano, de 1902 que, pasme-se, só foi posta em cena na íntegra no Teatro Real de Madrid em 2003.
- obviamente, Manuel de Falla, por causa do belíssimo Noches en los Jardines de España, de 1916, obra para piano e orquestra e que recomendo ao leitor em todas as interpretações em que apareça o nome da grande Alicia de Larrocha ao piano.
- Enfim, Camarón de la Isla, o maior génio e mártir do flamenco. E é suficiente apresentá-lo assim.
Lembrei-me ainda que um amigo meu de Sevilha, o artista Pedro G. Romero, na Universidad de Andalucía, organizou em 2004 um encontro internacional de Flamenco, espantem-se, com as presenças de Georges-Didi Huberman e Giorgio Agamben, devotos do flamenco. Segue-se o link ainda activo da página da universidade sobre a conferência de Agamben.
Ora, o meu elogio da tauromaquia levou-me aqui. São coisas não desligadas de todo, como se sabe.
Post-scriptum: hoje há notícias políticas curiosas: mas, acha o leitor que vale a pena falar do “acordar” de Manuel Alegre ou da “viragem à esquerda” de um tal António Costa?
Valerá a pena?
Talvez, veremos.




Eu acrescentaria: Paco de Lucia, Andrés Segovia e Victoria de Los Ángeles.
Ou Domingo, Berganza, Caballé, Savall e Tomatito.
Tomatito é um magnífico guitarrista, mas não pode ser colocado ao mesmo nível de Paco.
Sem dúvida, certo, VMB.
Mas Camarón está ao nível do melhor de Espanha no século passado.
É uma parte desse melhor.
E o melhor anda pela lista que resulta dos nossos comentários: Paco, Segóvia, Victória, Domingo, Berganza, Caballé e Savall.
Falta Pau Casals, evidentemente. Mas, uma vez na ONU ele afirmou-se ostensivamente catalão. Apenas catalão. Curioso.
A propósito:
E Turina?
Vocelência é uma caixinha de surpresas. Depois dos touros, agora o flamenco, por via do Camarão da Ilha. Não fosses um comuna da pior espécie, caía-te bem.
LR, de acordo, Turina, Granados e não esquecer essa grande influência de Falla que foi Sarasate.
Dos autores mais recentes, parece-me ser referência Luis de Pablo.
E, já agora, o discurso catalanista de Casals na ONU.
Aí ele reivindica-se catalão. A matriz do discurso é evidentemente nacionalista, mas há algo que o violoncelista destaca que é do mais relevante: é que a Catalunha, para ele, é o país mais importante do mundo, porque foi o primeiro a possuir parlamento:
Muito bem, grande divulgador e dinamizador cultural. Vou apresentar-te o F.A. Será o pleno em superlativo na cultura com os teus raros e sempre prontos aconselhamentos.