Sofregamente

Gosto muito de Cioran. É um excelente redactor de frases para frigorífico para pequenos burgueses assustados, como eu. Um paliativo para toda a gente que resolveu viver a pagar as hipotecas das casas e jurou abandonar a violência da vida. Cioran tem essa imensa capacidade de condensar, em frases curtas, a heróica impotência de tentar romper com a impotência. Todos, os que o fazem, sabem-se infinitamente imperfeitos. Só são mais perfeitos do que todos aqueles que encontraram a felicidade da desistência. “Ter provado o fascínio dos extremos, é ter parado em qualquer parte entre o diletantismo e o dinamite!”, escreve ele. A superioridade, desse pensamento, reside na consciência da condenação. A sua subversão poética alimenta-se disso: “uma poesia digna desse nome começa pela experiência da fatalidade. Só os maus poetas são livres“. Para ele, o mal da filosofia é ser demasiado suportável. A vida nasce deste grito de quem se sabe certamente morto, mas não desiste de espernear.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 respostas a Sofregamente

  1. m diz:

    que parvoíce. deixe de ligar a outros que não olham a vida de forma simples . já pensou que reis de antigamente viviam bem pior que você? já pensou que quantas mais coisas tiver mais tem de limpar e cuidar ? já reparou que se ligou a coisas/ máquinas e se desligou de pessoas? fácil , apagar o botão ; difícil , ainda que barato , grátis , dizer , pronto , cansei , até amanhã. Já reparou também quantas necessidades a publicidade lhe diz que tem e não tem?
    Desista deles , agora de si , never. Aprenda a viver contente só com aquilo que necessita mesmo e não com o que lhe dizem que deve ter. Dê o valor exacto à palavra dono. De que é que merece ser dono ?

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    m,
    Pare de me tentar vender uma bimby.

  3. Party Program diz:

    um gajo fala de cioran e eles vêm com esta conversa de menos cafézinhos e mais abracinhos.

  4. Pingback: cinco dias » “Apelo” a uma aliança BE-PS: mediocridade, tédio, “morrer devagarinho”, sem “grandes dores” – não chateia, tá?…

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