Ainda a acumulação de mandatos

Não fosse a o que se passa nas autarquias do PS e PSD, a discussão sobre a acumulação de candidaturas autárquicas com outras seria absolutamente tonta. Se o eleito realizar com competência e seriedade o trabalho nos dois sítios para onde foi eleito, ao comum dos mortais, pouco interessa se acumula. É que há casos onde isso até pode ser uma mais-valia política para a comunidade local e para o parlamento.
Na realidade o problema não é esse.
O verdadeiro problema, é que a regra entre cabeças de lista autárquicas do PS e PSD aos concelhos mais importantes que perdem eleições, é não assumirem o cargo de vereador na oposição (ou assumem e faltam continuamente). Veja-se os exemplos recentes de Manuel Maria Carrilho (PS) ou Francisco Assis (PS) candidatos respectivamente a Lisboa e Porto em 2005 ou Fernando Negrão (PSD) candidato a Lisboa em 2007. Carrilho foi para Paris durante o mandato, Assis é eurodeputado e se continua como vereador pouco fez e Negrão pouco se viu na CML.
Os candidatos perdedores do PS e PSD, a partir da derrota eleitoral, viram-se para outro lado. O trabalho de vereador da oposição acrescenta trabalho, e não é remunerado. Tem razão Leonor Coutinho quando coloca a questão em termos de carreira.
Ninguém ouvirá António Costa, Santana Lopes, Rui Rio ou Elisa Ferreira dizer que, se perderem as eleições, continuam nas respectivas câmaras municipais como vereadores da oposição, exercendo o lugar para o qual foram eleitos.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

8 Responses to Ainda a acumulação de mandatos

  1. Leo diz:

    “O Governo confunde interesse nacional com os interesses de alguns grupos económicos. O que se está a passar em Tróia, no concelho de Grândola (CDU). É uma operação imobiliária de grande escala” escreve Pedro Soares, Coordenador Nacional Autárquico do Bloco de Esquerda, hoje, no JN, no artigo “A Lei de Tróia”.

    É tal a sanha anti-PCP por parte do BE que até o seu Coordenador Autárquico não se coibe de mentir grosseiramente (em artigo no JN de hoje)! Esta de acusar a CDU do que se passa em Tróia, sustentado no mentirola de que a CM de Grândola é CDU – quando há 8 anos é presidida pelo PS! – só pode ser compreendida também pela lavagem de responsabilidades do PS em que o BE (seja Chora ou Pedro Soares) está empenhado!

  2. joao diz:

    Esta cena dos boatos mauzinhos está a ficar recorrente.
    quando foi dos abanões ao vital logo vieram lamentar (o arrastao chegou a fazer mais do que isso)
    quando foi do insulto ao bernardino (os corninhos) e o louçã a por-se em bicos de pés para ficar na fotografia (ser insultado pode dar dividendos)

    depois a história do chora…
    e agora esta….

    já chega de demagogia vendida à tonelada….

  3. luis t. diz:

    Ainda houve aquele magnífico episódio do Marcelo (aquele que não era afilhado do outro Marcelo, mas agora já é) que foi tomar banho de merda ao Tejo e como não ganhou, não quis o mandato…

  4. Luis diz:

    Ainda bem que acabaram com a “icterícia! no título. Era algo ridiculamente pueril…

  5. Pascoal diz:

    “…realizar com competência e seriedade o trabalho nos dois sítios…”
    Se for o Valentim até podem ser meia dúzia de sítios.

  6. LAM diz:

    Como disse num comentário anterior a propósito de um post de Carlos Vidal, acho que a esquerda, a esquerda esquerda, se devia demitir de comentar ou medir pilinhas sobre esta matéria.
    Está na cara o fogo de artifício que a direita, do PSD ao CDS passando pela bissectriz a esses partidos que é o PS do engenheiro José Sócrates, querem.
    Mas em que raio de converseta querem entrar?
    Que um deputado europeu não descura os seus trabalhos enquanto oposição autárquica? Ai descura, descura. A autarquia e os seus problemas valem de 4 em 4 anos quando se aproximam as eleições.
    E aí, mero fogo de artifício, ele é propostas e “ideias” e “soluções” a dar cum pau.
    No fim são tantas para a estatística que sempre aparece alguém a questionar o trabalho do vereador/deputado europeu fica banzado com os números de “propostas” e “intervenções” do dito cujo. Das disparatadas às objectivas de razão: tudo no molho fica lindo no gráfico.
    A estatística é tão linda.
    Peço desculpa pela repetição do que disse no tal comentário: há casos e casos. Conhecemos casos de candidatos de direita que, não sendo eleitos, abdicam da oposição. Casos há também na esquerda em que a autarquia existe de 4 em 4 anos. (não quero dar exemplos).

    Isto não é uma questão de aritmética eleitoral e/ou de contabilidade dos candidatos elegíveis. Ou é uma questão de princípio democrático em que os candidatos não se poderão mostrar aos eleitores como elegíveis para uma e outra eleição, pela salvaguarda do seu empenho numa tarefa específica, ou é a abdicação da figura do candidato pelos ideais ou programa do seu partido em que este servirá de garante por esse programa.
    Como não militante de nenhum partido (mas militante de todos os partidos da esqureda portuguesa) tendo para a segunda hipótese. E reafirmo: esta treta dos candidatos comuns a autarquias/parlamento europeu é fogo de artifício para a direita sem argumentos poder encher os tempos de antena.
    (e anda um gajo a ver o Sócrates a confraternizar com o Manel Alegre, a Ana Gomes a lançar uns piropos, o Rui Rio a dizer que tal do Menezes, a Elisa Ferreira a aterrar de Marte, o Valentim a dar-lhe com os frigoríficos e lá mais para o fim há o Dr. House: puta que os pariu!)

  7. Antónimo diz:

    Não me parece claro que tenha sido o tipo do BE a mentir.

    A atribuição da câmara “(CDU)” pode ter sido metida pelo jornalista.

    Mas é curiosa a atribuição, pois sempre que se fala de corrupção e de crimes, os jornalistas têm o hábito de não indicar o partido a que pertencem os autarcas, dando a impressão que não são esmagadoramente do PSD e do PS.

  8. Luis diz:

    “A atribuição da câmara “(CDU)” pode ter sido metida pelo jornalista.” ???? Num artigo de opinião de Pedro Soares, Coordenador Nacional Autárquico do Bloco de Esquerda? Acho estranhissimo…

Os comentários estão fechados.