Anti-G8

Em 2001 em Génova, Berlusconi ordenava a construção de muros e barreiras, colocava a sua polícia a disparar sobre manifestantes de todo o mundo, pagava enormes telas para esconder a pobreza e a cidade real, para que os donos do mundo determinassem as políticas que conhecemos. Carlo Giuliani foi morto, muitos manifestantes foram presos, torturados e espancados até que cantassem hinos fascistas nas tristemente célebre caves da prisão de Bolzaneto e na Escola Diaz.
Oito anos depois um novo G8 em Itália, em Aquila.
Já houve 66 detidos, em Roma há manifestações por todo o lado e há uma convocatória para uma marcha até à prisão.

A ver ou ouvir: Radio Onda Rossa e Indymedia G8

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5 Responses to Anti-G8

  1. zé diz:

    E será que a gentalha anti-globalização e anti-capitalismo que gosta muito de ir fazer barulho para as reuniões do G8 sabem protestar de formas civilizadas? Ou é apenas a atirar pedras que fazem passar a sua mensagem?

    A representação política dessa gentalha em partidos como o Bloco de Esquerda e tantos outros que proliferam como cogumelos pela Europa fora não chega?

    Que chatice essa coisa de democracia.

  2. Fábio Dionísio diz:

    O zé tem razão. O Carlo Giuliani foi morto por ser incivilizado. Aliás, esse é o tratamento justo a dar a todos os bárbaros que não se manifestam de forma ordeira: é prendê-los, torturá-los e espancá-los até aprenderem a soletrar d-e-m-o-c-r-a-c-i-a.
    Zé, diga lá se, numa ocasião excepcional, sei lá, se um partido fascista subir ao poder (dia de festa para alguns) via representatividade democrática, a “gentalha” deve permanecer serena. Ou por outro lado, se a gentalha conseguir subir ao poder pela mesma via, já vale pedrada vinda do lado democrático da força?

    De resto não substime o poder da pedrada, é um símbolo poderoso; e sim, a democracia como você parece entendê-la é mesmo uma chatisse. Quer saber porquê? Porque não é para todos. Ou o G8 é o quê, zé?

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    O G8 é uma casa aberta cheia de gente respeitável. Será que Obama foi à festa organizada por Berlusconi?

  4. MS diz:

    Guerras ideológicas à parte, o Sr. Fábio Dionísio concorda com estes actos de violência? E acha que fazem passar a mensagem (perfeitamente legítima em democracia) por quem os pratica? O Sr. praticá-los-ia se tivesse oportunidade; substituiria o diálogo, o debate, o confronto (verbal) por eles? Se o “poder da pedrada” é “poderoso”, os homens das cavernas no 2001-Odisseia no Espaço eram o símbolo máximo da democracia.

  5. Fábio Dionísio diz:

    Caro(a) MS,
    Antes de mais deixemos de lado o “Sr.” e formalidades do tipo.
    Repare bem no que escrevi no comentário e verá que está a disparar demasiados tiros ao lado.

    Vamos por partes. Em primeiro lugar: recuso-me aceitar a violência como monopólio exclusivo do estado – e do estado em defesa de interesses corporativos. Ou você haja a violência do estado – aplicada com armas de fogo e espancamentos burocráticos mais legitima, isto é, (+) civilizada, do que as outras?

    Em segundo lugar: quem lhe garante, que não o seu preconceito ideológico (eu cá também terei os meus) que o diálogo, o debate e o confronto de ideias é intrínseco à gente que se reúne à mesa do G8. Explico-me melhor, eu não as substituo por nada, quem as substitui é quem apenas permite que o debate se mantenha em determinada linha, pré-definida e limitada, aos interesses das classes dominantes e à sua ideologia.

    Em terceiro lugar: Você não compreendeu bem o “2001-Odisseia no Espaço” do mestre Kubrick. Aqueles homens das cavernas somos nós todos, e os do futuro. Lembre-se do plano (mitico aliás) em que o osso com que o hominideo esmaga o crâneo do seu semelhante é lançado ao ar e se “transforma” na nave espacial do futuro, cheia de homens “civilizados” a bordo. É o nosso “devir macaco”.

    Por ultimo: Não falei em “poder da pedrada”, dirigia-me ao comentador zé alertando-o para o “poder simbólico” da pedra(da).
    Estava-me a lembrar do saudoso Edward Said, e das suas pedradas democráticas na fronteira Libano-Israel; e do ritual muçulmano de apedrejar o demónio em Meca.

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