portuguesismos
4 de Julho de 2009 por Carlos Vidal
A notícia da ruptura, em termos de nacionalidade, de Maria João Pires com Portugal (e eu coloco-me incondicionalmente do lado da pianista), foi, creio, a notícia mais comentada no “Público” online desde ontem com setecentos e dezoito comentários (718!!), muitos deles, a maioria (não tive para os ler todos, evidentemente), a esmagadora maioria, desfavoráveis à pianista. E porquê?
É simples: porque Portugal deve ser o único país da Europa (sei lá se é da União Europeia, da zona Euro, ou lá o que é), o único ou dos únicos, onde um artista é automaticamente visto como chulo, vigarista, sobrevivendo das esmolas do Estado; devemos ser o único país que cunhou mesmo a expressão “subsidiodependente”, e muitos usam-na alegremente. Somos pobres e burros com prazer.
Ora num dos comentários do “Público” li mesmo que Maria João Pires estava habituada a viver do Estado, e agora isso acabou-se (deve ser mais uma famosa “reforma” socratista). Acabemos pois com esta peculiaridade “portuguesa”: oh inclassificáveis comentadores saibam que Maria João Pires tem, desde 1989, um contrato exclusivo com a Deutsche Grammophon [página da artista], o mais importante catálogo da clássica – desde 1989, faz este aninho de 2009, portanto, vinte anos. Certo?
Esta polémica é inútil, porque, em Portugal ou noutro sítio qualquer, o número de “chulos” não há-de parar. Habituem-se.

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