Carlos Guimarães Pinto para o Brasil!
4 de Julho de 2009 por Luis RainhaPerguntam-se quem será o Carlos Guimarães Pinto. Boa pergunta. Pelo que sei, é um rapaz economista que acha que se Maria João Pires cumprir a sua suposta ameaça e abandonar a nacionalidade portuguesa será «uma parasita a menos».
Isto porque o sonho de levar um projecto pedagógico inovador a Belgais redundou em arrestos, processos, despedimentos esquisitos e outras confusões meio sórdidas.
O pecado, para o ilustre CGP, foi que a pianista «acabou por optar pela forma menos digna, embora mais usual entre os seus colegas de profissão, de se financiar: extorquindo dinheiro aos restantes contribuintes.» Aparentemente, «prostituindo-se ou mendigando» haveria mais dignidade no processo. E isso da «profissão», suponho que diga respeito aos mais repugnantes de todos os cravas: os tais artistas.
O que começa por ignorar que havia originalmente patrocinadores para o projecto; e que Maria João Pires não precisava de todo de se financiar. Acabando por sugerir a dúvida: mas serão então parasitas todas as escolas privadas que recebem dinheiro do ministério da Educação? Já agora, como lançar investimentos educativos no interior esquálido só com mecenas? Em que mundo viverá CGP?
Eu respondo: num mundo onde não interessa nada que uma da meia-dúzia de artistas portugueses reconhecidos mundialmente passe a ser brasileira. Num mundo onde também Camões seria um parasita a expulsar bem depressa, já que recebia uma tença real no valor de quinze mil réis anuais. Num mundo de grunhos, em suma.
«Era bom que os restantes parasitas lhe seguissem o caminho», conclui o bravo contabilista, se calhar até educado numa universidade estatal, parasita até mais não. Por mim, que siga; gente que não consegue ver para lá das contas de merceeiro, desprezando o que desconhece ou não compreende, não faz grande falta: morcões com dinheiro já cá temos às carradas. Grandes pianistas é que nem por isso.

Escreva um comentário