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Maria João Pires é uma pianista brasileira: lamento, compreendo e só quero aplaudir

3 de Julho de 2009 por Carlos Vidal


Aqui, no Mosteiro dos Jerónimos, com Boulez e a Filarmónica de Berlim. Mozart, claro, o nº 20 (KV 466), andamentos segundo e último (Romance e Allegro assai).

Enquanto os patéticos  jugulentos se vão divertindo com homonímias (acho que há por lá uma pessoa com nome parecido), os assuntos sérios vão desfilando à nossa frente. Sintomaticamente:

A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português”.

Comentários

Comentário de l.rodrigues
Data: 3 de Julho de 2009, 12:05

“A pianista está a viver em Salvador, no Estado da Bahia, e vai dedicar-se à hotelaria.”

Será que ela queria abrir um hotel cá e não a deixaram?

Comentário de António de Almeida
Data: 3 de Julho de 2009, 12:43

Ficou amuada porque alguém fechou a torneira que permitia torrar o dinheiro do contribuinte em Belgais? À pátria não se renuncia, nem a esmagadora maioria dos exilados pelo mundo fora, o fazem, mesmo que se esteja longos anos ausente, por vezes com boas razões.

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Data: 3 de Julho de 2009, 15:19

[...] Acho mal deixar a nacionalidade, o governo não é igual  ao povo e o povo não lhe fez assim tanto mal, mas a  minha opinião aproxima-se bastante do comentário de Carlos Vidal no blog “cinco dias” [...]

Comentário de best
Data: 3 de Julho de 2009, 15:51

Realmente,as ‘nossas’ ‘elites’ são do piorio e,são bastante acertivos nos debates da AR,especialmente quando fazem cornos.Têm uma elevação moral do cara***-além de serem room waiters dos banqueiros .Boa,Maria João Pires!

Comentário de Pedro Maçãs
Data: 3 de Julho de 2009, 15:58

Nós ficámos com o Deco e com o Pepe. Eles ficam com a MJP, muito menos polivalente, e na curva descendente da sua carreira.

Comentário de Rui Figueiredo
Data: 3 de Julho de 2009, 15:59

Eu também aplaudo, já vai é tarde…! Isso deveriam fazer também todos os supostos Portugueses que vivem do “bota abaixo”, do “destrutivismo”, do contra. Não fazem ca falta nenhuma, tal como esta senhora que metade do país nunca ouviu falar. Uma boa viagem para ela, espero que depois consiga visto de entrada, afinal é sempre agradavel ouvir martelar nas teclas de um piano.

Comentário de antónio sousa
Data: 3 de Julho de 2009, 16:16

Independentemente das razões que possam assistir, se é que assistem???à srª Maria João Pires: -Tenho para mim, como uma atitude idiota e ridícula da dita sra. -E dou comigo, a imaginar os milhões de portugueses vivos e os que já desta vida marcharam, a renunciar à nacionalidade e com certeza com muitas mais razões de queixa, que a dita senhora …enfim: parvoíces de pequeno burguês mimados e chorões !…
Pois que passe muito bem.

Comentário de luist.
Data: 3 de Julho de 2009, 16:39

Metade do país nunca ouviu falar de Maria João Pires?
É capaz de ser verdade! este país é um bimbalhada indecente de tonys carreiras e comentadores da bola.

Comentário de almajecta
Data: 3 de Julho de 2009, 17:21

Vou ali comprar tabaco á mãe preta, não volto mais.

Comentário de Batman
Data: 3 de Julho de 2009, 17:24

Também penso que seria útil, para uma avaliação séria deste caso, averiguar em que medida era Belgais um bom exemplo de ensino artístico, digno dos investimentos feitos. O que, claro, não pode ser confundido com a qualidade de Maria joão Pires, como artista, que, como outros, tem (teria) de viver e lutar neste país que temos, com os governos que temos.

Averiguar porque não realiza no Brasil o projecto que diz não ter condições para realizar em Portugal.

Ou seria Belgais o tal projecto de hotelaria?

(Apenas perguntas).

Comentário de Diogo Rodrigues
Data: 3 de Julho de 2009, 18:49

Provavelmente a melhor noticia dos ultimos tempos..
Belgais fala por si!!!
perguntem a essa senhora pelos 700 contos que a filha ganhava em Belgais!!! 700 CONTOS!!! ridiculo!!
Para os milhares de euros gastos naquela festa, nos jantares de gala oferecidos la.. nas dezenas de euros gastos pelo estado e pelas autarquias naquele espaço!!! Essa senhora so tem habilidade nos dedos!!! e pior so pro piano!!!
Va la para o brasil ou espanha, desde que seja bem longe daqui!!! e dos meus impostos!!!

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Julho de 2009, 19:38

Creio que os contornos deste problema da relação João Pires / Estado (e o caso Belgais) são muito complexos, e não creio ter qualquer razão de ser, e acho mesmo vergonhoso, isso sim, que qualquer artista imbecil que encha rotundas com “merda” de “arte” viva sem problemas (pelo contrário) com o poder local e nacional.

Todos os comentários negativos que a pianista aqui recebe ou recebeu (também no “Público”) são reveladores que este é um país eternamente “jugular-jugulento” ou seja, uma país de servos voluntários, de servos sabujos muitas ou a maior parte das vezes.

Depois, a questão da “pátria”.
Não sei o seu valor quando alguém sabe que fez infinitamente mais pela sua “pátria” do que esta “pátria” pela pessoa.
Ou seja, quando a “pátria” nem retribui com o mínimo e, pelo contrário, pratica a acusação e a ofensa, está quase tudo dito….
“Viva” portugal!

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Julho de 2009, 19:59

Mas há um outro ponto a sublinhar: Portugal, na Europa, parece-me ser (não sei explicar porquê) um dos únicos países onde o artista, só por ser artista, é já uma espécie de chulo.

Ora, não será certamente por esta nossa peculiaridade que, a breve prazo, ultrapassaremos economicamente, por exemplo, a Alemanha ou a França.
A suspeição muito portuguesa do artista como chulo, pelos vistos, não tem trazido grandes benefícios.
Continuemos então. Os portugueses são aquilo que são. Enfim.

Comentário de Jorge Miranda
Data: 3 de Julho de 2009, 23:23

Nascemos como nascemos e onde nascemos.
Somos o que aprendemos, o que fazemos e se de artista se trata, o que representamos.
Minha cara MJP a mudança de nacionalidade pouco importa do ponto de vista estritamente fisico-biológico.
Mas olhe, não deixe de tocar. E bem pf, pois temo que esse estado de alma possa vir a impedir a representação sublime a que nos habituou.
Se o conseguir, nós, os simples, perdoaremos.

Comentário de andre
Data: 4 de Julho de 2009, 0:19

O facto de querer deixar de ser portuguesa é uma forma de valorizar a nacionalidade, a nossa identidade nacional:

Este não é o meu Portugal, o que idealizo…se este é este Portugal é Português eu quero ser Brasileiro(a)…

Tentar reduzir isto a um arrufo por despeito de um pretenso subsídio não atribuído é minorar todos (os professores incluídos) que tentam valorizar a nossa cultura, a nossa comunidade, o nosso País…toda a gente fala da Maria João Pires, mas ninguém discute o projecto educativo de Belgais, ou quaisquer outros projectos…mesmo nas Escolas, as boas práticas são mostradas pelo poder político como se estivessem a mostrar os animais exóticos do zoo, para demonstrar que são (somos) um grande zoo.

Podemos concordar ou discordar destes projectos, mas eles devem ser discutidos, experimentados (investidos) e discutidos outra vez…não reduzamos isto a uma discussão de capelinhas…e muito menos a um nacionalismo bacoco…

Comentário de Carlos Vidal
Data: 4 de Julho de 2009, 0:58

Disse algures lá para cima (o ezequiel não leu) que o nome ou conceito de “pátria” me é quase indiferente.

Se Maria João Pires nasceu em Portugal e hoje opta pela nacionalidade brasileira, e se tal escolha foi da sua livre vontade, eu aplaudo-a.
Não meto aqui “pátrias” ao barulho, ezequiel.

O que eu posso acrescentar agora é um cliché, mas corresponde a qualquer coisa, decerto: quando João Pires está no “meio” da interpretação de Mozart, Beethoven e Chopin (a sua santíssima trindade) não creio que ela esteja a pensar no seu país.
E ainda bem.

Comentário de maria monteiro
Data: 4 de Julho de 2009, 1:59

E Carlos Paredes em que é que pensava quando o ouviamos tocar?

Comentário de almajecta
Data: 4 de Julho de 2009, 2:01

Desejas a conversa do judeu errante do PS mais a fórmula tão gasta da prometida, não é? Já ninguem cai na do nacionalismo, na da indústria da cultura PS. Olha… a “minha religião não me permite fazer esforços”.

Comentário de miguel dias
Data: 4 de Julho de 2009, 3:09

toda esta estória faz-me lembrar a minha querida mâezinha. cabo verdiana de nascimento e portuguesa por via dos papéis. De cada vez que lhe perguntam o que é que ela é (uma pergunta que não deixa de ser interessante) responde : eu sou cozinheira, mãe solteira de dois energúmenos armados em doutores, nasci caboverdiana, tornei-me europeia e o meu bilhete de identidade diz que é português.

Comentário de Isabel Branco Pires
Data: 4 de Julho de 2009, 3:20

Só por ser uma nobre pianista não a livra de ter atitudes caprichosas. Quis mudar mudou.
Só lhe invejo os “dons” e também a “charlatanisse” para gozar com os contribuintes portugueses.
A Maria João Pires, sabe fazer coisas maravilhosas, mas também sabe meter-se nos assuntos mais sórdidos e ofuscar-se a si própria com o seu desiqulíbrio e necessidade de hegemonia.
Desculpa prima, mas organizaste mal, em Portugal não há Primas Donas e não sei se aí haverão. Felicidades.

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Data: 4 de Julho de 2009, 9:59

[...] tremendíssimo mau gostoCada país faz as suas escolhas, cada pessoa escolhe o seu paísSabe a poucoMaria João Pires é uma pianista brasileira: lamento, compreendo e só quero aplaudirParar é sacrificar o futuroMaria João Pires renuncia nacionalidade portuguesa – [...]

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Data: 4 de Julho de 2009, 12:06

[...] os governos que temos. Averiguar porque não realiza no Brasil o projecto … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

Comentário de fernando
Data: 4 de Julho de 2009, 12:47

Viva o Brasil! E faz a Maria João Pires muito bem!

Comentário de almajecta
Data: 5 de Julho de 2009, 0:10

Pareceu-me ler a palavrita “rotundas”, resolvido que está o problema da nacionalidade e a deslocalização da finca mais da roullote, vamos ao que interessa. Um projecto de ensino de música, mais de dinamização cultural rodeado de interioridade, governado por artista e ainda por cima génio, ponho humildemente as minhas reticências seja ele onde fôr. Os génios, em particular são maus pedagogos e quanto ás rotundas actualmente são projectadas por desenhadores de câmara, designers e arquitectos. Donde a alta versus baixa cultura.

Comentário de Subsidio-Dependente
Data: 6 de Julho de 2009, 11:30

Que leve também o Saramago.
E não voltem os 2.

Comentário de Bruno Lourenço
Data: 7 de Julho de 2009, 14:46

não sei o que tanto reclama esta senhora, só porque lhe cortaram o tacho a ela e á filha??? o Ministro devia lhe pedir o certificado de renuncia, o passaporte e não autorizar a entrada a Portugal. o mesmo ao tecla 3 do Saramago.

Comentário de Tiago Alex
Data: 24 de Agosto de 2009, 22:36

Uma vergonha! Tu és uma vergonha! Não voltes miserável!

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