Maria João Pires é uma pianista brasileira: lamento, compreendo e só quero aplaudir


Aqui, no Mosteiro dos Jerónimos, com Boulez e a Filarmónica de Berlim. Mozart, claro, o nº 20 (KV 466), andamentos segundo e último (Romance e Allegro assai).

Enquanto os patéticos  jugulentos se vão divertindo com homonímias (acho que há por lá uma pessoa com nome parecido), os assuntos sérios vão desfilando à nossa frente. Sintomaticamente:

A pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, tornando-se aos 65 anos cidadã brasileira. A notícia é avançada pela Antena 2 da RDP, que adianta que a pianista se fartou “dos coices e pontapés que tem recebido do Governo português”.

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27 respostas a Maria João Pires é uma pianista brasileira: lamento, compreendo e só quero aplaudir

  1. “A pianista está a viver em Salvador, no Estado da Bahia, e vai dedicar-se à hotelaria.”

    Será que ela queria abrir um hotel cá e não a deixaram?

  2. Ficou amuada porque alguém fechou a torneira que permitia torrar o dinheiro do contribuinte em Belgais? À pátria não se renuncia, nem a esmagadora maioria dos exilados pelo mundo fora, o fazem, mesmo que se esteja longos anos ausente, por vezes com boas razões.

  3. Pingback: Notícia de última hora? Maria João Pires, a nacionalidade, linguagem gestual e visita ao “jugular” « maisk3D

  4. best diz:

    Realmente,as ‘nossas’ ‘elites’ são do piorio e,são bastante acertivos nos debates da AR,especialmente quando fazem cornos.Têm uma elevação moral do cara***-além de serem room waiters dos banqueiros .Boa,Maria João Pires!

  5. Pedro Maçãs diz:

    Nós ficámos com o Deco e com o Pepe. Eles ficam com a MJP, muito menos polivalente, e na curva descendente da sua carreira.

  6. Eu também aplaudo, já vai é tarde…! Isso deveriam fazer também todos os supostos Portugueses que vivem do “bota abaixo”, do “destrutivismo”, do contra. Não fazem ca falta nenhuma, tal como esta senhora que metade do país nunca ouviu falar. Uma boa viagem para ela, espero que depois consiga visto de entrada, afinal é sempre agradavel ouvir martelar nas teclas de um piano.

  7. antónio sousa diz:

    Independentemente das razões que possam assistir, se é que assistem???à srª Maria João Pires: -Tenho para mim, como uma atitude idiota e ridícula da dita sra. -E dou comigo, a imaginar os milhões de portugueses vivos e os que já desta vida marcharam, a renunciar à nacionalidade e com certeza com muitas mais razões de queixa, que a dita senhora …enfim: parvoíces de pequeno burguês mimados e chorões !…
    Pois que passe muito bem.

  8. luist. diz:

    Metade do país nunca ouviu falar de Maria João Pires?
    É capaz de ser verdade! este país é um bimbalhada indecente de tonys carreiras e comentadores da bola.

    • Chrysa diz:

      Dizem que não ouviram falar de maria João Pires … ou, fingem que não ouviram ! Pois, quando se trata de alguém tão talentoso e que sempre fez tanto por Portugal, tanto cá dentro como lá fora, como uma as maiores Pianistas de sempre, há sempre uns muito ignorantes que não querem saber da Cultura e só ligam ao football ou a música “pimba” ! Ou, então, os que não são tão ignorantes, são aqueles cheios de inveja e que só se safam a dizer mal daqueles ou daquelas aos quais nem chegam aos calcanhares ! Agora, quando o Estado nem sequer quer saber de Ministério da Cultura e começa a faltar a compromissos em projectos sérios como o de Belgais que todos elogiaram no início, acho que, realmente, Portugal não merece ter cá estes pessoas tão geniais que só queriam promover a Cultura no seu país !!! Mas, cortaram-lhe essa possibilidade depois de lhe terem dito que podia confiar nesse apoio ! … E nós é que vamos ficando cada vez mais com os da música pimba, etc !

  9. almajecta diz:

    Vou ali comprar tabaco á mãe preta, não volto mais.

  10. Batman diz:

    Também penso que seria útil, para uma avaliação séria deste caso, averiguar em que medida era Belgais um bom exemplo de ensino artístico, digno dos investimentos feitos. O que, claro, não pode ser confundido com a qualidade de Maria joão Pires, como artista, que, como outros, tem (teria) de viver e lutar neste país que temos, com os governos que temos.

    Averiguar porque não realiza no Brasil o projecto que diz não ter condições para realizar em Portugal.

    Ou seria Belgais o tal projecto de hotelaria?

    (Apenas perguntas).

  11. Diogo Rodrigues diz:

    Provavelmente a melhor noticia dos ultimos tempos..
    Belgais fala por si!!!
    perguntem a essa senhora pelos 700 contos que a filha ganhava em Belgais!!! 700 CONTOS!!! ridiculo!!
    Para os milhares de euros gastos naquela festa, nos jantares de gala oferecidos la.. nas dezenas de euros gastos pelo estado e pelas autarquias naquele espaço!!! Essa senhora so tem habilidade nos dedos!!! e pior so pro piano!!!
    Va la para o brasil ou espanha, desde que seja bem longe daqui!!! e dos meus impostos!!!

  12. Carlos Vidal diz:

    Creio que os contornos deste problema da relação João Pires / Estado (e o caso Belgais) são muito complexos, e não creio ter qualquer razão de ser, e acho mesmo vergonhoso, isso sim, que qualquer artista imbecil que encha rotundas com “merda” de “arte” viva sem problemas (pelo contrário) com o poder local e nacional.

    Todos os comentários negativos que a pianista aqui recebe ou recebeu (também no “Público”) são reveladores que este é um país eternamente “jugular-jugulento” ou seja, uma país de servos voluntários, de servos sabujos muitas ou a maior parte das vezes.

    Depois, a questão da “pátria”.
    Não sei o seu valor quando alguém sabe que fez infinitamente mais pela sua “pátria” do que esta “pátria” pela pessoa.
    Ou seja, quando a “pátria” nem retribui com o mínimo e, pelo contrário, pratica a acusação e a ofensa, está quase tudo dito….
    “Viva” portugal!

  13. Carlos Vidal diz:

    Mas há um outro ponto a sublinhar: Portugal, na Europa, parece-me ser (não sei explicar porquê) um dos únicos países onde o artista, só por ser artista, é já uma espécie de chulo.

    Ora, não será certamente por esta nossa peculiaridade que, a breve prazo, ultrapassaremos economicamente, por exemplo, a Alemanha ou a França.
    A suspeição muito portuguesa do artista como chulo, pelos vistos, não tem trazido grandes benefícios.
    Continuemos então. Os portugueses são aquilo que são. Enfim.

  14. Jorge Miranda diz:

    Nascemos como nascemos e onde nascemos.
    Somos o que aprendemos, o que fazemos e se de artista se trata, o que representamos.
    Minha cara MJP a mudança de nacionalidade pouco importa do ponto de vista estritamente fisico-biológico.
    Mas olhe, não deixe de tocar. E bem pf, pois temo que esse estado de alma possa vir a impedir a representação sublime a que nos habituou.
    Se o conseguir, nós, os simples, perdoaremos.

  15. andre diz:

    O facto de querer deixar de ser portuguesa é uma forma de valorizar a nacionalidade, a nossa identidade nacional:

    Este não é o meu Portugal, o que idealizo…se este é este Portugal é Português eu quero ser Brasileiro(a)…

    Tentar reduzir isto a um arrufo por despeito de um pretenso subsídio não atribuído é minorar todos (os professores incluídos) que tentam valorizar a nossa cultura, a nossa comunidade, o nosso País…toda a gente fala da Maria João Pires, mas ninguém discute o projecto educativo de Belgais, ou quaisquer outros projectos…mesmo nas Escolas, as boas práticas são mostradas pelo poder político como se estivessem a mostrar os animais exóticos do zoo, para demonstrar que são (somos) um grande zoo.

    Podemos concordar ou discordar destes projectos, mas eles devem ser discutidos, experimentados (investidos) e discutidos outra vez…não reduzamos isto a uma discussão de capelinhas…e muito menos a um nacionalismo bacoco…

  16. Carlos Vidal diz:

    Disse algures lá para cima (o ezequiel não leu) que o nome ou conceito de “pátria” me é quase indiferente.

    Se Maria João Pires nasceu em Portugal e hoje opta pela nacionalidade brasileira, e se tal escolha foi da sua livre vontade, eu aplaudo-a.
    Não meto aqui “pátrias” ao barulho, ezequiel.

    O que eu posso acrescentar agora é um cliché, mas corresponde a qualquer coisa, decerto: quando João Pires está no “meio” da interpretação de Mozart, Beethoven e Chopin (a sua santíssima trindade) não creio que ela esteja a pensar no seu país.
    E ainda bem.

  17. maria monteiro diz:

    E Carlos Paredes em que é que pensava quando o ouviamos tocar?

  18. almajecta diz:

    Desejas a conversa do judeu errante do PS mais a fórmula tão gasta da prometida, não é? Já ninguem cai na do nacionalismo, na da indústria da cultura PS. Olha… a “minha religião não me permite fazer esforços”.

  19. toda esta estória faz-me lembrar a minha querida mâezinha. cabo verdiana de nascimento e portuguesa por via dos papéis. De cada vez que lhe perguntam o que é que ela é (uma pergunta que não deixa de ser interessante) responde : eu sou cozinheira, mãe solteira de dois energúmenos armados em doutores, nasci caboverdiana, tornei-me europeia e o meu bilhete de identidade diz que é português.

  20. Só por ser uma nobre pianista não a livra de ter atitudes caprichosas. Quis mudar mudou.
    Só lhe invejo os “dons” e também a “charlatanisse” para gozar com os contribuintes portugueses.
    A Maria João Pires, sabe fazer coisas maravilhosas, mas também sabe meter-se nos assuntos mais sórdidos e ofuscar-se a si própria com o seu desiqulíbrio e necessidade de hegemonia.
    Desculpa prima, mas organizaste mal, em Portugal não há Primas Donas e não sei se aí haverão. Felicidades.

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  23. fernando diz:

    Viva o Brasil! E faz a Maria João Pires muito bem!

  24. almajecta diz:

    Pareceu-me ler a palavrita “rotundas”, resolvido que está o problema da nacionalidade e a deslocalização da finca mais da roullote, vamos ao que interessa. Um projecto de ensino de música, mais de dinamização cultural rodeado de interioridade, governado por artista e ainda por cima génio, ponho humildemente as minhas reticências seja ele onde fôr. Os génios, em particular são maus pedagogos e quanto ás rotundas actualmente são projectadas por desenhadores de câmara, designers e arquitectos. Donde a alta versus baixa cultura.

  25. Subsidio-Dependente diz:

    Que leve também o Saramago.
    E não voltem os 2.

  26. Bruno Lourenço diz:

    não sei o que tanto reclama esta senhora, só porque lhe cortaram o tacho a ela e á filha??? o Ministro devia lhe pedir o certificado de renuncia, o passaporte e não autorizar a entrada a Portugal. o mesmo ao tecla 3 do Saramago.

  27. Tiago Alex diz:

    Uma vergonha! Tu és uma vergonha! Não voltes miserável!

  28. Chrysa diz:

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