Explicação a um amiguinho de golpes de estado militares

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O Tomás Vasques resolveu acusar-me de usar truques dignos do NKVD. Garante que nas Honduras a democracia funcionou. O presidente foi legitimamente corrido pelo Parlamento e pelo Supremo Tribunal. Defende que o presidente pretendia fazer um referendo anti-constitucional para se prepetuar no poder. No meio de tanta falta de rigor, tem que ser o tipo do NKVD a exigir alguma seriedade na discussão:

1. O Supremo Tribunal Eleitoral não tem poderes para derrubar um presidente eleito, nem o Parlamento. De tal forma que é assim, que os militares forjaram uma falsa renúncia do presidente legítimo.

2. A consulta popular, não vinculativa, não abrangia o prolongamento de mandato deste presidente, apenas defendia a necessidade de num futuro próximo ser eleita uma Assembleia Constituinte para alterar a Constituição. Não me parece que defender a alteração democrática da Constituição seja um golpe de Estado. Mas, para o Tomás Vasques a democracia defende-se com militares a fechar rádios e a reprimir manifestações e a ditadura faz-se com a eleição de uma Assembleia Constituinte.

3. De tal forma este golpe foi completamente anti-democrático que nenhum país o reconheceu, nem os EUA.

4. Aquilo que Tomás Vasques defende é um golpe de Estado contra um presidente eleito que o único pecado é tentar lutar contra a oligarquia que vive à conta das Honduras. O seu anti-comunismo primário permite-lhe apoiar qualquer filho da puta, desde que seja um filho da puta do lado dele.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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