Manifesto de economistas e cientistas sociais

Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política.
Manifesto integral no Arrastão

Terá sido só isto? Já não é o sistema que provoca as crises para se reforçar, José Castro Caldas, Francisco Louçã, Ricardo Paes Mamede, João Rodrigues, Nuno Teles? O que mudou entretanto? É táctica política?

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16 respostas a Manifesto de economistas e cientistas sociais

  1. ezequiel diz:

    Quanto ao manifesto, só apetece escrever “AMEN”, dada a simplicidade teológica da coisa.

    Sempre achei q a malta do bloco tem o seu quelque chose de teocrático. acabar com as desigualdades! regular os mercados! e, claro, a vontade política!! fantástico. temos aqui a fórmula sucinta para a emancipação da humanidade nos próximos dias!!! LOL

    sinceramente, isto só dá é para rir à gargalhada. tentar regular mercados é tão difícil como regular estados…nos dias que correm vai ser muito difícil regular seja o que for…

    por várias razões, destaco aqui uma: interdependência dinâmica. existem interdependências que são reguláveis e outras q simplesmente não são..a tecnológica não é!! porquê? porque a criatividade tecnológica não se pode auto-regular. jamais conseguiria tal feito. um absurdo. vontade política?? de quem, nesta sociedade plural?? quem é o sujeito colectivo que é animado por uma vontade nesta sociedade implacavelmente schizo, fragmentada ? (Obama é um Presidente, uhhm, digamos; multifacetado…é uma sintese de fragmentos,à laia de ilustração) a sociedade de hoje é composta por fragmentos em síntese permanente. a síntese não é sempre reconciliadora. e de hegeliana não tem rigorosamente nada: não é teleológica. o daniel deveria falar de processos de mobilização e não de vontade. induz-nos em erro. confluência(s) dinâmicas de sensibilidades, sim, algumas. mas falar em “vontade” parece-me coisa exagerada. a “nossa vontade”? (70% de abstenção) já não há vontade. há preocupações ou “issues.” há sensibilidades, quando muito. vivemos em tempos patéticos. e as fórmulas simplistas revelam o desespero da crença. são dolorosamente simples. ilusões, por outras palavras. no dia em que a esquerda radical for eleita e perceber que não consegue controlar coisa alguma com a sua “vontade” (a sua, há outras!)…the end!!

    nem sequer vale a pena falar no que vem a seguir á esquerda radical.

    desculpem a maçada. mas os padrecos mexem-me com os nervos. o sr Daniel que nos explique EXACTAMENTE como pretende regular os mercados…e, já agora, explique-me também como é que pode regular um instrumento de regulação (technology) que é impossível de regular????

    deixemo-nos de principios. expliquem as coisas detalhadamente. caso contrário, fico desconfiado. muito desconfiado.

  2. ezequiel diz:

    mas o que apetece mesmo é chamar-lhes de charlatans e mandar-lhes todos bordamerda. é isto mesmo que apetece.

    tá tudo reduzido a jopos linguisticos de persuasão. tudo reduzido à retórica. uma porra de um INFERNO, é o que é! uma retórica normativa, absolutista, e, claro, completamente histérica (nos seus intentos ilusórios de emancipação..eu gosto do ideal da emancipação). da esquerda para a direita e de cima para baixo, votar?? yo gotta be kiddin me! nieltzsch! eu não legitimo esta merda desta democracia. o idealista do desencanto: HOBBES. é o pensamento dele que melhor caracteriza a situação actual. não há nada de belo em hobbes. muito realismo, mas nada de belo. ANGST. o ser humano sem o belo, sem o sublime, é capaz de tudo. até de auto-mutilação. mas pior do que tudo é quando esta merda é transformada em algo (supostamente) sublime??? isto é que é FODIDO!! o belo desencanto? sabe-se lá.

  3. Carlos Vidal diz:

    Desta vez o ezequiel portou-se muito bem.
    E acrescentaria apenas isto: este pseudo-manifesto (volta Marinetti, vem mesmo com Mussollini, pois estão ambos perdoados!), este pseudo-manifesto, dizia eu, é o infeliz primeiro sinal da “grande esquerda” BE-PS – vamos ter notícias deles em breve.

    Na vida política nacional, esta é a festança da Dona Constança BE e PS (com Vitorino, essa rara inteligência a apadrinhar).
    Na blogosfera é a fusão Arrastão-Jugular.
    Que Deus lhes dê muita saúde e parabéns à prima.

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Estranha-se as ausências do assessor Abrantes e de um ou outro Relativo.

  5. carlos fonseca diz:

    Se dúvidas existissem sobre a incapacidade dos “grandes pensadores” portugueses em pragmatizar e definir os caminhos para que Portugal combata a crise e crie as soluções económicas apropriadas, as mesmas, esssas dúvidas, ficariam dissipadas pela trapalhada das tiradas de um tal ezequiel, uma verdadeira síntese hegeliana de profecias pseudo-filosóficas. O melhor, portanto, é deixar-se tudo como está. Depois se verá.

  6. E neste post se explica porque tem a esquerda dificuldade em conquistar hegemonia no debate político. Dica só uma pergunta: a combinação letal de desigualdades, de especulação financeira e de mercados mal regulados não é o sistema em que vivemos nos últimos 30 anos? Ou será que há uma esquerda que comprou por atacado a lógica neoliberal de que se tratam de inevitabilidades numa economia de mercado?

  7. Carlos Vidal, há mais política no mundo que o Arrastão e o Jugular. Saia lá da sua pequena quinta.

  8. Carlos Vidal diz:

    A boca que me dirige, simpaticamente, Daniel Oliveira, é vazia e oca.

    Eu disse que este manifesto enchia de felicidade, primeiro, o BE e o PS; repito, o BE e o PS.

    E, na blogosfera, lugares como o Arrastão e o Jugular.
    Mas, de verdade ou na verdade, Daniel tem razão: a aliança, também simpática, BE e PS não faz parte da minha quinta.
    Por isso, que remédio, lá vou ter que, mais uma vez, ficar “dentro” da minha quinta.
    Paciência, pá.
    (Ah, outra coisa: o manifesto dos 51 defende apenas o contrário do manif dos 28 – nada mais! Parabéns à prima)

  9. Podia ser um manifesto pela tomada do Palácio de Inverno, é verdade. Mas como estamos no Verão…

  10. Patricia diz:

    Provavelmente não tem motivos para se preocupar porque,com a vossa prestimosa ajuda,brevemente teremos CS na PR,MFL e PP no governo e PSL na Camara de Lisboa.Claro que vão dizer que o vosso partido teve uma grande vitória porque conseguiu mais uns milhares de votos e mais um ou dois deputados,como fizeram nas europeias em que alegremente festejaram a derrota do PS.Quem se vai lixar mesmo é a grande maioria dos portugueses que não são filiados em nenhum partido e portanto não se podem alegrar com as vossas grandes vitórias,e vão pela 1ª vez ter que gramar,uma maioria,um governo e um presidente todos bem encostadinhos á direita.

  11. Carlos Vidal diz:

    … e o PS sempre esteve encostadinho à “esquerda”, claro.

    Daniel Oliveira, como estamos no Verão, vamos pois em curtição académica.

  12. Tiago Mota Saraiva diz:

    Daniel, neste post coloco perguntas pois estou manifestamente surpreendido e desiludido, por algumas pessoas que conheço e prezo, o subscreverem. O texto é politicamente vazio, não serve para nada, e só o posso compreender à luz de uma qualquer táctica eleitoral, que peço que me expliquem.
    Acrescento que ainda me parece mais absurdo que um post só com perguntas possa explicar “porque tem a esquerda dificuldade em conquistar hegemonia no debate político”, mas isso até não é relevante.
    Na minha opinião “a combinação letal de desigualdades, de especulação financeira e de mercados mal regulados”, embora elementos do sistema, são pobrezinhos qualificadores. Aliás, ainda fico mais baralhado pelo facto do Daniel se referir ao sistema em Portugal (deduzo isto pois refere os últimos 30 anos) onde me parece que se procura uma caracterização do sistema mundial, até porque não estou a ver as ilustres figuras do PS que o subscrevem, assumirem uma crítica a Constâncio, por exemplo.

  13. Tiago Mota Saraiva diz:

    Patrícia, venham daí todas as culpas.

  14. akim diz:

    DO,diga lá ao Xico que já não tem o meu voto!Um dia destes vou vê-los a aprovar mais um código do trabalho em que este vai
    ser ‘digno’ de saudades.E,com esta gente,já só posso pensaR com um enorme paslácio de inverno europeu.
    Berlusconis,Sarkozys,Barrosos, e os lords trabalhistas ingleses no que é q se pode pensar?
    Do,ao menos aqui não me censuras ao contrário com essa bonomia para com um xico da tasca,fascista dos sete costados como diz a catherine deneuve!Ainda te hei-de ver aos abraços da quadrilha do Alberto João…

  15. ezequiel diz:

    Daniel

    “Dica só uma pergunta: a combinação letal de desigualdades, de especulação financeira e de mercados mal regulados não é o sistema em que vivemos nos últimos 30 anos? ”

    sim, é. e depois? o que é que aconteceu nos últimos 30 anos à escala global???? foi um desastre completo??? China. Índia. Brasil. Rússia. Japão (há 50 e tal anos) Poderemos caracterizar estes sistemas com a sua descrição simplista?? não, não me parece de todo sensato.

    o sr assume, simplesmente, que foram as desigualdades, a especulação financeira e os mercados mal regulados que causaram a actual crise?? tem a certeza do que diz?? a especulação financeira terá sido conceder crédito a baixo custo a quem não tinha qualquer possibilidade de obter capital??? capitalismo malvado. não foi isto que aconteceu? o estado alguma vez conseguiu distribuir riqueza assim??? e a crise do petróleo? aumentou custos de produção, gerou desemprego e os que beneficiaram dos créditos ninja (no income, no job, no assets) não conseguiram pagar as mensalidades do crédito concedido?? a causa do colapso da bolha não teve origem na bolha mas em outros processos.

  16. jacuzzi diz:

    ha muito tempo que os ladroes se tornaram a voz oficial da tendencia alegrista do BE. O sonho era o Lord Keynes a cantar ‘why can’t we be friends’ mas em vez disso tem o signatario Galamba a chamar filho da puta ao Ze Neves. E’ triste.

    Belos tempos em que o Rodes falava de comunismo no ISEG. Deve ter esquecido isso e entrentanto foi pelo protagonismo da esquerda docil ao sistema. Boa viagem, Joao. E deixa la o titulo de economista que o DPhil e’ em filosofia. Assume-te carago.

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