Mais uma declaração de classe

A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome diz que em Portugal há uma política do encosto e da preguiça que não pode continuar a existir. Em entrevista à Exame, Isabel Jonet defende ainda que quem recebe subsídio de desemprego tem de ser obrigado a trabalhar.

Isabel Jonet, certamente bem instalada na vida e que espero que não venha a passar pelas dificuldades que a maioria dos portugueses actualmente passa, veicula o ódio de classe contra os que recebem subsídio de emprego (uma parte de quem está desempregado e a passar por dificuldades). A declaração de Jonet parte do princípio que, o contribuinte, em seu entender quem paga o subsídio, tem autoridade de patrão para obrigar os desempregados a trabalhar.
Ora esta não é uma declaração inocente, é uma declaração de classe. Do outro lado da barricada lhe digo, o trabalho não é uma obrigação ou um dever, é um direito.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 respostas a Mais uma declaração de classe

  1. Por causa de merdas destas é que sou contra a caridade.

  2. Antónimo diz:

    Dantes, eu colaborava com o Banco Alimentar Contra a Fome. A partir da altura em que eles começaram a informar que havia cada vez mais gente a recorrer a ele deixei de o fazer.

    Coincidiu mais ou menos com a altura em que Alfredo Bruto da Costa apresentou o relatório onde mostrava que a esmagadora maioria dos pobres em Portugal ou são reformados (já trabalharam) ou estão empregados.

    Num Prós e Contras, Fátima Campos Ferreira tentava convencer o professor da Católica que havia boas inciativas da sociedade civil para fazer frente à pobreza, como o Banco Alimentar Contra a Fome.

    Bruto da Costa respondeu-lhe que não era assim que se acabava com a pobreza. Ela contrapôs que o empresariado criava riqueza e só criando riqueza era possível redistribuir.

    Ele respondeu-lhe que ouvia essa conversa há 40 anos e que nunca mais se começava a redistribuir, para acabar com a pobreza.

    As declarações de Isabel Jonet mais me convencem que o BACF faz é dessa caridadezinha a que Bruto da Costa se referia. Apazigua as consciências daqueles que acumulam riqueza e que a julgam redistribuir assim.

    Objectivamente, os gestores do Banco Alimentar Contra

  3. Uncle Sam diz:

    O que é que essa sumidade tem a dizer,sobre o dinheitro dos contribuintes,despejado a rodos no BPN,BCP?
    Nada,concerteza.
    Sobre o Banco Alimentar Contra a Fome já houvi estórios de amanhanço por parte de gente ‘gestora’ do dito.Não é altura da policia ir ‘cheirar’?….Numa sociedade democrática não há miséria,pobreza,psicopatas cheios de dinheiro.Esta democracia não é mais que a transposição da ‘democracia’ da Grécia ou de Roma…
    Já agora digo-lhe,não dou nada para o bacf pq é um grande negócio para o belmiro e jerónimo martins e,esses não dão nada a ninguém,SÓ LUCRAM COM A FOME DOS OUTROS!Está na hora de os fazer saltar do esconderijo essa burguesia assassina.MAFIOSOS!

  4. “o trabalho não é uma obrigação ou um dever, é um direito.”

    E de quem é a obrigação de garantir esse direito?

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    Carlos Pinto é uma obrigação colectiva, até da Isabel Jonet.

  6. Isabel Jonet é a presidente de um movimento que envolve muita gente bem intencionada. Como presidente, Isabel Jonet é responsável por um aproveitamento ideológico vergonhoso e hipócrita do tema da fome. Consegue passar anos sem que este fenómeno- que ela vê crescer – a faça produzir um grama de busca e denúncia das suas causas. Pelos vistos, agora passa ao ataque: precisa de um pouco menos de pobres, para a sua organização poder dar conta do recado; e sobretudo precisava de pobres mais limpinhos e honestos, que gostem de ser pobres, tal como ela gosta de ser madrinha rica dos pobres.

    Tem de ser assim? Não: veja-se a atitude diametralmente oposta de Fernando Nobre, à frente da AMI. Sempre uma voz contra a guerra e os seu senhores.

    A caridade compensa…

    ver mais em http://www.logrodasrosas.blogspot.com/

Os comentários estão fechados.