Esqueçam o Zelig

Esqueçam o Zelig: ele há um novo camaleão humano que está vivo e é português. Há uns anos, um consumo imoderado de comida goesa (a única maravilha portuguesa no mundo verdadeiramente digna desse nome) levou a que lhe crescesse uma pinta vermelha na testa e originou o desagradável sobriquet: o “Pinta”. Desta vez, foi a canícula feroz, e os vastos consumos de líquidos que ela induz, que lhe mudaram o nome: ele agora é o “Tinto Fresco” e passeia-se nas ruas do meu bairro (nos passeios da minha rua, diria mesmo).

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SEXTA | António Figueira
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5 respostas a Esqueçam o Zelig

  1. yussuf alaghuiar diz:

    ahhhh, mas fresco fresco ou moderadamente fresco? fresco pernoitado nos 5.º do frigorífico – abrenúncio! – ou fresco de meia hora, fresco de tanto quanto o tempo que demora a aprimorar – digamos – um bacalhauzinho adaptado às presentes contingências caloríferas (devidamente regado, claro, com azeitezinho Bio, o único, aliás, confiável)?

    Digo-lhe, caro AF, que o fresco do vinho é assunto que me apraz, pois por todo o lado se encontram hordas de bárbaros que o insistem em tragar “à temperatura ambiente”.

    Nestes 30.º ou mais que por estes dias se vivem, bebem-no assim, com os vapores etílicos a apagarem tudo o que é fruta – e adivinho que os seus tintos frescos não a possuam em abundância – e mais atributos que o báquico líquido possui.

    Antes um galão ou uma meia de leite, ou mesmo um abatanado cheio de açúcar a acompanhar sardinhas assadas do que um vinho a esta “temperatura ambiente”.

    Infâmia, digo eu: a mim um frappé, o meu reino por um frapée.

    Chamem-me “Tinto Moderadamente Fresco” que não me importo.

    E se atirar um Sarapatel para cima da mesa – essa maravilha da criação que encerra em si toda a lógica da expansão ultramarina, toda a lusitanidade – tem em mim um amigo para a vida!

    Se lhe juntar um Chacuti, pois então, até o vinho levarei – um portento de acidez e taninos que não morra diante da pujança de temperos – e um conjunto de Riedels a condizer.

    Depois, a sesta, a bendita sesta, a retemperadora e benfazeja dorminhoquice pós conduto de alto gabarito, sempre evitando os destilados, esse veneno que nos compromete o raciocício, escangalha a fauna intestinal (quando era mais novo é que tinha flora) e admoesta as miudezas (e não raro provoca latejos na cabeça).

    À sua, caro AF, e viva o “Tinto Fresco”!

  2. David diz:

    Camaleão? Só se for o Louçã
    Louçã lidera defesa do Governo.

    A ler:
    http://blasfemias.net/2009/06/23/o-bloco-que-o-bloco-quer

  3. yussuf diz:

    Louçã, sem cedilhas e tis, escreve-se louca. Estão a ver o tipo a dar o mail? Éfe louca arroba parlamento ponto pt (ou algo parecido)?

    Acho que enviei para aí há pouco um comentário a este post. Confirma-se?

  4. Paulo Ribeiro diz:

    figueira, o seu post é, digamos, diferente. tão diferente, que o meu portátil ficou encravado. pode ajudar-me?

  5. António Figueira diz:

    Yussuf,
    o próximo chacuti é por conta da casa.
    Abr., AF

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