Num comentário a este post do Nuno, o Maradona (o mais genial caralhista da nossa blogosfera) escreveu às tantas que “o grande mérito do capitalismo, quando o tem, é sempre na ordem do ‘não ter feito nada’ contra – ou a favor”. Não interessa o enquadramento, nem sequer o fim da frase: na medida em que eu consigo interpretar o pensamento do pequeno grande homem, ele parece classificar o capitalismo como uma espécie de ordem neutra, que pré-existe os desmandos dos homens e no final se impõe sobre eles, o que há de mais parecido com o estado natural das coisas. Ora, na história dos homens, não há estados naturais: por definição, são todos artificiais. Nada existe fora da história: o capital, o mercado e essas niceties todas não existiram sempre; é pueril pensar que vão existir até ao fim dos dias só porque sim, porque são um dado, como a natureza. Não são, e as ciências sociais não se confundem com aquelas que estudam os simpáticos bichinhos que ilustram as páginas de “A causa foi modificada”.




Vejam o mais recente artigo publicado no blogue O Flamingo sobre os prisioneiros de Guantanamo que virão para Portugal. Muito obrigado a todos que por lá já passaram e deixaram o vosso comentário
Caro António,
concordo inteiramente. a “naturalização” é uma tentativa fútil de perpetuar o actual estado de coisas, de o inscrever na psique pública como um given absoluto…a facticidade irrevocável… é uma tentativa de suprimir a crítica…note-se também que às vezes a própria história é invocada nestas “naturalizações”
muito interessante, este teu post.
cumprimentos Leoninos
abraço
ezequiel
“Ora, na história dos homens, não há estados naturais: por definição, são todos artificiais.”
Ora aqui esquece-se os fenómenos emergentes, ou então estão a ser classificados como “artificiais”. Essa posição pode dar muito jeito para a argumentação e para uma certa visão do mundo, mas isso não lhe garante rigor.
“Fenómenos emergentes” classificados como “artificiais”? A Atlântida?
Sabe o que é “emergência” e “estruturas (ou fenómenos) emergentes” (num contexto de Complexidade)?
“Estruturas (ou fenómenos) emergentes (num contexto de Complexidade)”? Não, sou um tipo simples.
Bem me parecia…
existem criaturas de deus, que não sabem nada de certas coisas, mas falam delas mesmo assim. o figueira é uma dessas.
Cromos:
Ao pé de vós, sinto-me bué ignorante.
Saudações, AF