O estado natural das coisas

Num comentário a este post do Nuno, o Maradona (o mais genial caralhista da nossa blogosfera) escreveu às tantas que “o grande mérito do capitalismo, quando o tem, é sempre na ordem do ‘não ter feito nada’ contra – ou a favor”. Não interessa o enquadramento, nem sequer o fim da frase: na medida em que eu consigo interpretar o pensamento do pequeno grande homem, ele parece classificar o capitalismo como uma espécie de ordem neutra, que pré-existe os desmandos dos homens e no final se impõe sobre eles, o que há de mais parecido com o estado natural das coisas. Ora, na história dos homens, não há estados naturais: por definição, são todos artificiais. Nada existe fora da história: o capital, o mercado e essas niceties todas não existiram sempre; é pueril pensar que vão existir até ao fim dos dias só porque sim, porque são um dado, como a natureza. Não são, e as ciências sociais não se confundem com aquelas que estudam os simpáticos bichinhos que ilustram as páginas de “A causa foi modificada”.

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SEXTA | António Figueira
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9 Responses to O estado natural das coisas

  1. Vejam o mais recente artigo publicado no blogue O Flamingo sobre os prisioneiros de Guantanamo que virão para Portugal. Muito obrigado a todos que por lá já passaram e deixaram o vosso comentário

  2. ezequiel says:

    Caro António,

    concordo inteiramente. a “naturalização” é uma tentativa fútil de perpetuar o actual estado de coisas, de o inscrever na psique pública como um given absoluto…a facticidade irrevocável… é uma tentativa de suprimir a crítica…note-se também que às vezes a própria história é invocada nestas “naturalizações”

    muito interessante, este teu post.

    cumprimentos Leoninos
    abraço
    ezequiel

  3. CMF says:

    “Ora, na história dos homens, não há estados naturais: por definição, são todos artificiais.”
    Ora aqui esquece-se os fenómenos emergentes, ou então estão a ser classificados como “artificiais”. Essa posição pode dar muito jeito para a argumentação e para uma certa visão do mundo, mas isso não lhe garante rigor.

  4. António Figueira says:

    “Fenómenos emergentes” classificados como “artificiais”? A Atlântida?

  5. CMF says:

    Sabe o que é “emergência” e “estruturas (ou fenómenos) emergentes” (num contexto de Complexidade)?

  6. António Figueira says:

    “Estruturas (ou fenómenos) emergentes (num contexto de Complexidade)”? Não, sou um tipo simples.

  7. Paulo Ribeiro says:

    existem criaturas de deus, que não sabem nada de certas coisas, mas falam delas mesmo assim. o figueira é uma dessas.

  8. António Figueira says:

    Cromos:
    Ao pé de vós, sinto-me bué ignorante.
    Saudações, AF

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