Os caminhos de Leonel Moura e o Partido (dito) Socialista

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Leonel Moura. Sem título. 1987.

O Leonel Moura, ainda, de certo modo, artista plástico (ou anti-artista convencido de que destituiu o edifício das “artes” e o substituiu por um entendimento esteticizante das ciências, sejá lá o que isso quer dizer, nem me interessa), o Leonel Moura, autor sobre quem um tal João Pinto e Castro nada, mas absolutamente nada, sabe, acaba de fazer as delícias deste Jugular (e tem feito algumas vezes).
Artisticamente, já lho disse, Leonel Moura labora num grande e lamentável equívoco: está crente (e é mesmo de crença que se trata) de que a arte, sem necessitar de passar por nenhuma reflexão hegeliana, está completamente morta, e será subtituída por uma maquinização na produção. Por uma espécie de ciência estética, que, prolongando o gesto antipintura de Duchamp no princípio do século XX, se abre agora a uma estética do aleatório, onde o “autor” morre definitivamente (velha conversa de primarismo vanguardista) e é, enfim, substituído por uma máquina (para já, um mero “robot”) com uma espécie de “vontade”. Isto para o autor, sim, é actual, e ele continua sem perceber que a arte nada tem a ver com o “actual”, porque o “actual” é, inelutavelmente, obsoleto já no próximo mês. Então, por exemplo, cinco anos depois desta data acharemos mais do que ridículas as conquistas “actuais” de Leonel Moura e das suas “máquinas com vontade estética”.

Moura não compreende a velocidade da obsolescência!

Ora, eu escrevo isto, porque considerei Moura um artista de referência na transição da década de 80 para a de 90 nacional, e nesse período o autor teve inclusivamente alguma repercussão internacional. Acompanheio-o em muitos momentos, prefaciei-lhe livros e catálogos, conheço particularmente bem essa fase da sua obra. Disto, um tal João Pinto e Castro-Jugular nada sabe, nem tem de saber, nem saberá – ZERO absoluto!! Mas entusiasma-se com o pior. E o pior o que é? É que Leonel Moura, a partir de um determinado período, decidiu apoiar todo e qualquer que fosse o líder do PS. E desde há algum tempo que desse modo se manifesta em colunas de jornais. A sua última pérola é esta: “dada a consonância de posições entre os quatro partidos da actual oposição, PCP, Bloco, PSD e CDS irão juntos formar o próximo governo de Portugal” (no Jornal de Negócios).

Não, Leonel, não é isso que vai acontecer. Sabes o que é que vai acontecer? Eu digo-te: PCP, Bloco, PSD e CDS vão deixar de ter as suas respectivas posições, vão deixar de fazer análises críticas sobre o governo que apoias, vão mesmo deixar de existir e fundir-se num grande PS. E daí, sim, vai emergir um grande Portugal. Abençoado por Deus.

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