Adivinham-se tempos difíceis

É sempre penoso, o espectáculo do estertor de um regime. As recriminações, os planos de fuga, a visão do golpismo puro e duro incomoda sempre um pouco; mas o que realmente dói, é o corte com a realidade, a fuga em frente, o delírio do bunker que resiste até ao fim, por falta de alternativas, uns, por pura loucura, temo bem que a maioria. O número magnífico da sondagem que, face à evidência da derrota de hoje, confirma a certeza da vitória de amanhã, há-de fazer história; mas na blogosfera encontra-se melhor ainda, pequenos momentos de absoluta irrealidade, que dão uma certa pena, é verdade, mas também contagiam de boa disposição: aqui está um deles, paradigmático.

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SEXTA | António Figueira
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3 respostas a Adivinham-se tempos difíceis

  1. Há um enorme derrotado de que ninguém fala: o sr. Luís Paixão Martins, mentor da campanha PS, que teve a brilhante ideia de pôr o Vital a responsabilizar o PSD pela “roubalheira” do BPN.
    Porque será que ninguém refere esse gajo e a sua agência de pretensa comunicação?

    PS (salvo seja!) – Estou para saber se também não foi ele quem pariu a sondagem SIC sobre as legislativas, em união de esforços com esse exemplo de isenção na matéria que é o sr. Oliveira e Costa.

  2. Rita diz:

    Não é mal vista a análise do Cintra Torres aos que tropeçaram.
    Mas, importante mesmo é que não creio que já alguém tenha explicado o porque da vitória do PSD.
    A má ou más políticas de Sócrates?
    Não, porque, para isso, a crise mundial teria sido uma boa justificação!
    O estilo de Sócrates?
    Não, porque o homem até é giro e isso equilibra!
    Uma fantástica pleiade de propostas políticas do PSD?
    Não, porque já ninguém acredita em propostas oriundas da classe política!
    Então, o quê?!
    Tudo mais rasteiro nas explicações:
    – O Sócrates é giro e isso compensa a sua arrogância. Mas o Santos Silva e o Canas são feios.
    – Manuel Alegre(não é necessário explicar que se o poeta não provocou a hecatombe, lançou demasiados pontos de interrogação!)
    -Ninguém gosta de ver um esguio e loiraço rapagão a fazer mal a uma senhora de uma forma tão ignóbil(até parece que Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho combinaram isto!)
    -A malta não acredita muito naquele namoro da D. Câncio com o Engenheiro.
    MAS O FACTOR DECISIVO É ESTE:
    – O PSD conseguiu aquilo que pelo mundo fora todos os partidos ambicionam, até as ditaduras. Conseguir reproduzir a mais eficaz dupla do imaginário colectivo: o polícia bom e o polícia mau, com o pormenor muito luso de que nem o mau é assim tão mau nem o bom é um pateta alegre.
    Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel são esta dupla. E, o pior dos pesadelos do PS é que esta dupla não se desmorone. E o melhor que pode acontecer a MFL é que Rangel não ganhe demasiados apetites e se sacrifique mantendo este papel no filme da política nacional. E depois, tanto um como outro, um por ser baixote, cara redonda, geradora de empatias, e outra, avó respeitável, encaixam nas fraquezas afectivas dos portugueses. Mau sinal para o PS. Até aqui só Alegre poderá bater-se com esta dupla do PSD.
    Portanto, meus amigos, não há rigorosamente nada que possa impedir o PSD de ganhar tudo até ao fim do ciclo eleitoral, basta não desfazer a dupla MFL/Rangel. E Santana não fica nada mal na fotografia. Rio, Passos Coelho, Aguiar Branco e outros deste calibre devem estar o mais longe possível dos flashes.
    Rita

  3. Enojado diz:

    “O Sócrates é giro e isso compensa a sua arrogância”, diz a Rita.

    Que nojo!

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