Para contrariar o silenciamento dos mais jovens

Nem mesmo os mais fundamentalistas blogues da situação, conseguem ocultar os números do desemprego e da precariedade, embora procurem não dar relevância à barbárie que sucede com quem está a iniciar a sua vida profissional. O governo tem vindo a construir programas de estágios precários (InovArt e afins) para, durante o período eleitoral, retirar alguns milhares de jovens licenciados das listas do desemprego e desta forma adoçar a violência da crise na destruição e adiar das vidas das novas gerações de profissionais qualificados.
Se é certo que a crise é global, em Portugal, a violência incide mais do que noutros países sobre os mais jovens, em virtude de um sistema de poder fundado em torno de organizações mais ou menos obscuras e de estrutura de comportamentos medievais (partidos do arco governamental, Opus Dei, Maçonaria e outras agremiações do género) que procuram, em particular nestes tempos, aguentar e defender os seus.
O discurso floreado sobre a juventude, esgota-se assim que são pedidas medidas concretas ou publicadas as listas de candidatos ao Parlamento Europeu. No PS, por exemplo, o candidato mais jovem que deverá ser eleito será, creio, Elisa Ferreira.
Desta forma, não é de estranhar que as agências de comunicação do PS e PSD retirem da discussão politica os problemas da precarização do trabalho jovem na Europa, o desemprego, o direito à habitação ou a investigação científica, e não promovam as tradicionais entrevistas “cliché” ao candidato jovem.
A juntar a isto tudo o futuro eurodeputado português mais jovem (de acordo com todas as sondagens) será um comunista, nº2 da lista da CDU, ex-presidente da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica e que sabe muito bem do que estou a falar. Chama-se João Ferreira, conheço-o há uns bons anos e será, certamente, um dos mais inteligentes, trabalhadores e combativos eurodeputados portugueses.

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