Por favor, morda-me o pescoço

fearlessvampirekillers

Todos os dias multiplicam-se os livros e os filmes de vampiros. Os antigos malditos passaram aos saldos da indústria cultural. Qual é a razão desta moda?
O romantismo descobriu o diabo romântico e saudou aqueles que em troca da paixão e conhecimento vendiam a alma ao Diabo. Os anjos caídos eram um grito contra as novas prisões da modernidade. Uma espécie de ludistas, falhados como as suas revoltas, que pretendiam impedir um progresso violento que os transformava em engrenagens e em meras mercadorias.
O culto dos vampiros, em pleno século XXI, significa certamente outra coisa. A repetição tende a ganhar contornos de comédia. Claro que precisamos de adrenalina para ter a excitação do tédio. Claro que o terror tornou-se uma espécie de montanha russa de feira. Claro que receber umas dentadas em troca da imortalidade não parece um mau negócio. Apesar de tudo isso e das lantejoulas, o vampirismo parece a forma distorcida que a fantasia romântica ganha numa época em que o mundo se autodestrói de uma forma autofágica, mesmo quando tem poster na Bravo.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Por favor, morda-me o pescoço

  1. Por acaso tinha a impressão de que a moda estava já a passar. Ganhou alguma popularidade por cá com o Entrevista com um Vampiro, e depois com as encarnações juvenis da Buffy, ou as outras mais cinema de acção tipo Underworld e Blade…
    Pessoalmente sempre achei que esse fascínio era assim um bocado a dar para a pimpineira.
    E não me obriguem a falar da música “gótica”…

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    L Rodrigues,
    Esqueceu-se dos recentes sucessos do Crepúsculo, uma data de livros e filmes e da série de televisão baseada nos livros da Charlaine Harris, só para falar das aparições mais recentes do culto.

  3. Pingback: cinco dias » O VAMPIRO e o multiculturalismo

  4. É uma questão de erotismo, de sexo, não de romantismo. E isso não passa de moda.

  5. bdsm diz:

    very good movie!

  6. Pingback: cinco dias » Não há cu para os vampiros

  7. Pingback: Há um vampiro que assombra as TVs é o espectro da mudança? | cinco dias

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