“SOUVENIRS”

A Liberdade é o direito a não mentir.

Camus

 

Antes de tudo, uns breves esclarecimentos relativamente ao meu artigo anterior e aos comentários que se sucederam em catadupa.

 

Por enquanto ainda vivemos num Estado de Direito em que cada um tem o direito a expressar as suas opiniões. Eu disse da minha justiça e os senhores que comentaram o dito post disseram da vossa. Estamos quites e como diz o adágio popular: “Quem vai a guerra dá e leva!”

 

Sou velha demais para ser politicamente correcta e nova de mais para me sentar num cantinho a fazer renda, com todo o respeito que as senhoras que crochetam merecem (não vá ainda ser apelidada de neo-nazi crocheteira, cruzes credo!). Digo o que vai na alma e pronto.

 

Agora o que não aceito, por ser totalmente incorrecto, é ser chamada de racista e de “viver na redoma de Londres”.

 

Muita gente que me conhece sabe que de racista não tenho nada e quanto a viver em redomas muito menos. Sempre lutei e continuo a lutar que nem uma condenada para sobreviver. Nunca tive “padrinhos e cunhas”, nunca lambi as botas a ninguém, nunca recebi subsídios nem chulei o Estado português ou inglês (que me perdoem o verbo “chular”, não tem florzinhas). Nem sequer recebi uma miserável licença sabática na minha vida académica. Sempre a trabalhar comme il faut.

 

E mais, não vão ainda dizer que sou arrogante ou que estou a desprezar alguém, passo a explicar porque é que não comento individualmente os comentários ) – falta de tempo! Ando cansada de bulir (tal como já andava em Portugal!) e não há tempo disponível, nem para descansar nesta NÃO redoma que é Londres.

 

Porém, como sou boa sportswoman e não guardo rancores a ninguém, envio uns souvenirs engraçados para se entreterem a ler.

 

bnp0001

 

No primeiro, a ultra-direita BNP fez das suas, distribuiu este flyer numa zona cheia de emigrantes das quatro partidas do mundo, o que é muito surreal e cómico. Se descortinarem “What the fuck” escrito a esferográfica azul, não fui eu. Foram os meus house mates, que embora ingleses não se revêem nestes dizeres “patrióticos”.

 

No segundo souvenir, podem ver uma Pizza Terminator, a solução ideal para terminar com a fome no mundo. PRONTO! Lá esta a aleivosa a dizer coisas incorrectas. Ela é má!

 

pizza-terminator0001

 

Terceiro, uma tira bem catita do Kids of Today, feita por um dos meus cartoonistas favoritos e que reflecte com bastante graça o que vai na alma do sub-proletariado. Descansem que não digo “escumalha” tch…tch… E também não escrevo mais sobre os “povrezinhos”, nem a “preto e branco”. O próximo artigo será a magenta.

 

kids-of-today00011

Hasta la vista babies!

27 de Maio, 2009

 

 

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13 respostas a “SOUVENIRS”

  1. Clyde diz:

    A 23 de Maio de 1934, uma patrulha de agentes policiais conseguiu atrair Bonnie & Clyde para uma emboscada numa estrada poeirenta da Louisiana, onde foram assassinados a sangue-frio.

    Na América dos anos 30, da Grande Depressão e das Vinhas da Ira, Bonnie & Clyde, através dum conjunto de assaltos audaciosos a bancos, bombas de gasolina e lojas, conseguiram captar a imaginação do povo americano, tornando-se ícones duma contra-cultura de insubmissão e resistência.

    75 anos depois, o FBI divulga 1000 páginas sobre o mais famoso casal de gangsters. O mesmo FBI que só foi capaz de emboscar e assassinar Bonnie & Clyde, através da clássica delação de associados menores…

  2. Pedro diz:

    Ondina, para quê esse segundo parágrafo? Entende os comentários que foram feitos ao seu post como uma ameaça à sua liberdade de expressão? Hhmmm… não me parece que tenha aprendido grande coisa em Inglaterra…. Quanto ao resto, a ondina andou por Lisboa como se tivesse andado por um misto de slum de Calcutá com cenário apocaliptico do Blade Runner. Esse tal lumpen.proletariat de facto é assustador e para andar por esses locais é melhor a malta andar munida de um lança-chamas. Ah, parece que se salvam os “artistas, os “ilustradores” (what the fuck!…), e os pequenos comerciantes e empresários. Nada disto é de facto muito insultuoso, é só ridiculo. Aliás, vamos dizer assim: uma excentricidade muito british, I would say. Ta-ta.

  3. Ricardo Noronha diz:

    Profissão, taxista?

  4. kimosabe diz:

    então e esses esclarecimentos a respeito do artigo anterior?

    dizer que disse o que disse porque 1) tem o direito a dizê-lo; 2) nao é politicamente incorrecto; 3) “digo o que me vai na alma”; 4)”nunca pedi nada a ninguém”; e 5)”farto-me de trabalhar” não é esclarecer nada de nada. aliás, nao é dizer nada a respeito de coisa nenhuma.

    qualquer um pode cumprir uma destas 5 alíneas acima e nao partilhar da conversa classista, redutora e encapotadamente elitista (na sua labor de protecção duma vanguarda artística mitificada e pretensamente independente) do outro dia.

    conversa essa que tem muito mais charme se acompanhada com umas piadas laterais às críticas de conteúdo que lhe fizeram, uns flyers dos nazis ingleses rabiscados à mao e outros “souvenirs” lodnrinos, nao haja dúvida.

  5. Pedro diz:

    A ondina não conhece pessoas, conhece classes e categorias de pessoas. Enfim, na verdade, não sabe nada. Mas acha que é muito, muito…. como é que se diz agora? ah, “politicamente incorrecta”, muito livre, muito fresca. E para além disso quer ser outrageous. Mas acho que aqui cometeu um erro: deu explicações. Darling, nunca se dá explicações.

  6. Pedro diz:

    A ondina não conhece pessoas, conhece classes e categorias de pessoas. Enfim, na verdade, não sabe nada. Mas acha que é muito, muito…. como é que se diz agora? ah, “politicamente incorrecta”, muito livre, muito fresca. E para além disso quer ser outrageous. Mas acho que aqui cometeu um erro: deu explicações. Darling, nunca se dá explicações.

  7. ezequiel diz:

    ” Nunca tive “padrinhos e cunhas”, nunca lambi as botas a ninguém, nunca recebi subsídios nem chulei o Estado português ou inglês (que me perdoem o verbo “chular”, não tem florzinhas). Nem sequer recebi uma miserável licença sabática na minha vida académica. Sempre a trabalhar comme il faut.”

    esta Ondina é maravilhosa. trip-respect. e escreve bem, a sacaninha. (al pacino miami vice moment, nexxt: u r talking abt the ones that suck up-to—not the ones who provide the opportunity for sucking!! esta podia ir direitinha para o Tarantino! eh ehe eheh ) eu tenho um padrinho. é um gajo porreiro. mas, foda-se, nunca lambi o cu do gajo! deve ser coisa horrenda. beijar o cu de um gajo!! ahrr… o gajo, o tal padrinho, trata-me com o respeito que eu mereço. gosta mesmo de mim. se calhar gosta mais de mim do que do filho! para o meu padrinho, tem tudo q ver com uma questão de proporcionalidade meritocratica. uma justiça verdadeiramente justa. to each his DUES. o que é devido a cada um. aquela noção absurda do igual para todos não é muito apreciada pelo meu padrinho. o gajo nunca se esqueceu de uma coisinha chamada esforço. mas, bem sei, a maior parte dos padrinhos não é assim. gostam mesmo que lhes lambam o cu. são uns pseudo-padrinhos (a moralidade implicita ao conceito, se descuidada, transforma o padrinho numa entidade falsa…PLASTIC!!! ) not made for that. horrible thing, mental decrepitude!! licking ass? naasty. tou aqui a imaginar se a Ondina anda pelas ruas de Londres, por Harllesden, Malvern Road, late nite Portobello e o inesquecível East End, Tottenham….

    é só saudades, Ondina.

    deixo-te aqui o surround sound the LondonTown. (bem se já lá não estás, este comentário é perfeitamente fútil. be that as it may, you’re leadership material, girl! wicked: KOOL TEXT MAN!!! right to the BULLOCKS! (hoje tou numa de mt bem disposto, com saudades da lingua do will…enfim, n prestes muita atenção…just kidding!) 🙂

    LOL 🙂

    http://soundcloud.com/koma-bones/koma-bones-spring-09-dj-mix

  8. ezequiel diz:

    e nunca te esqueças dos B-Boys (breakBeat)…havia um spot de bbeat fantástico na intersection Bridge&tunnel , (east end, innit darliiing)

    são as melhores festas de Londres. I shit you not.

    the bombtraxx show- :O LIVE NOW

    http://www.nuskoolbreaks.co.uk/

    vem visitar a malta, Ondina. <Ondina on the guest list

    bombtraxx kicks arse (q é como quem diz: CÚ)

    a Ondina vai postar esta merda…PostOndina frewaky 🙂

    q se fodam os acomodatitos..os lambe cús…os totós…f them!!

  9. Paulo Ribeiro diz:

    duas notas: uma, a expressão “nunca lambi as botas a ninguém”, ficámos a saber que a ondina, apesar de viajada, não envereda por loucuras modernaças estilo sado-maso. estamos, aliás, estou, muito mais descansado, pois é de todos conhecido, que, portuguesinhas no estrangeiro, ainda para mais sozinhas, é galderice pela certa; segunda, os comentários, nesta casa muitos apreciados, do profeta ezequiel. como se não lhe vê a cara, difícil se torna perceber, se tenta fazer chalaças amalucadas, ou se aquilo é sério e deve ser tratado como um pária.

  10. Pedro diz:

    A ondina anda com falta de tempo, falta de tempo, muito trabalho, muita labuta, só bulir, só bulir (parece o coelho da alice ;), para responder aos comentaristas, mas arranjou tempo para dois posts longos, com muitas coisitas, muitas coisitas, do mais fantástico possivel, diga-se. maravilhosa, a ondina, como diz o ezequiel, que também é maravilhoso e muito trip respect e portobello. e sabe inglês comó caraças. E os “lustradores”, os ilustradores, do mais fantástico, os ilustradores. vou começar a reparar mais nos “ilustradores”, essa categoria maravilhosa que também é só bulir e a quem tanto devemos.

  11. Politikos diz:

    “Nunca tive “padrinhos e cunhas”, nunca lambi as botas a ninguém, nunca recebi subsídios nem chulei o Estado português ou inglês (que me perdoem o verbo “chular”, não tem florzinhas). Nem sequer recebi uma miserável licença sabática na minha vida académica. Sempre a trabalhar comme il faut.”

    Espera-se que o trabalho em Portugal e em Inglaterra tenha sido sempre em universidades privadas… e que não recebam nenhum subsídio do Estado…

  12. Eu diz:

    Cara Ondina,

    De si pouco sei, mas do que li gostei.

    Só lhe quero dizer que certos “comentadeiros” da blogosfera, aqueles que tentam conspurcar os outros à viva força, em vez de contra-argumentarem, debaterem ideias, não merecem resposta.
    Ao ler os seus posts e respectivos comentários, veio-me à memória o título interrogativo da actual exposição em Madrid de Peter Fischly and David Weiss: ¿Son los animales personas?.
    Ao observar o que observo na blogosfera, a questão que coloco, é a seguinte: ¿Son algunas personas animales invertebrados? (Acredito que sim! Não valem a pena!).
    Não faço ideia das obscuras razões que os movem, nem me interessa perder tempo a indagar (algum prazer lhes há-de dar…), mas descodifico bem o que pretendem: algo semelhante a “The way things go” (dos mesmos artistas, vale a pena espreitar: http://www.youtube.com/watch?v=U82eWptFxSs), uma espécie de reacção em cadeia, a ver se nos conseguem puxar para esse submundo, onde se arrastam, rebolam e comprazem na chama que ateia a sua lama, tentando projectá-la para os outros. Que fiquem na sua “cadeia”. Deixá-los! Há gostos para tudo…

    Ora, é prosseguir caminho em pé, lutando por mais-valias (das que nos fazem bem – a nós – e aos de quem gostamos)… O mundo, felizmente, é grande, tem tantas coisas maravilhosas! Dar troco (?) só a quem nos respeita ou a quem nos puxa ainda mais para cima. Esses, sim, valem a pena!

    Mesmo não sabendo bem quem é a Ondina, achei as suas críticas justas, isso é o que mais me importa.
    Gostei do sentido de humor dos “Souvenirs”!

  13. m diz:

    Não ligue Ondina. Suponho que fui a única mulher a comentar. E sou bué de Sancha , nada tenho de Quijote , e não divido o mundo em pobrezinhos coitadinhos e ricaços malvados , divido em vigaristas ( pobres e ricos) e responsáveis ( pobres e ricos). Não creio que os teres condicionem os seres em bondade ou maldade. Gostei do seu artigo , espelha o que sinto , parasitada por baixo e por cima.
    E , para os da esquerda radical , os meus interesses radicam bem longe do que se compra com dinheiro. E há pobres bem malvados , e ricos buerere de bonzinhos.

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