Há uns dias na RTPN, ouvi estupefacto o eurodeputado do PS Francisco Assis, em plena campanha eleitoral, tecer um enorme elogio à inteligência das intervenções de Miguel Portas (BE) no Parlamento Europeu, concluindo que tinha sido um eurodeputado português que se tinha destacado. Pensei imediatamente que, em coerência, Assis terminaria a sua intervenção com o anúncio da sua desvinculação do PS e apoio ao BE. Mas não, todo o discurso posterior estava bem limado e alinhado com a actual direcção do PS.
Se é verdade que, tal como o que se deseja aqui, ficarei satisfeito perante um reforço eleitoral do BE, em coerência com a ideia que não se deve perder nenhum voto de esquerda no PS, parece cada vez mais claro que a própria direcção do PS entende que perder votos para o BE é um mal menor. Fica claro qual será o mal maior.




O PCP, como sabemos, é um partido de inspiração divina.
Eu diria que é de transpiração divina!
As radicalizações em torno da maioria absoluta do ps podem estar de momento afastadas mas a esquerda do PS pode querer garantir algum lastro a alianças.
No entanto, se João Soares disse que com ele não haveria inimigos à esquerda o mesmo não se poderá dizer de outras esquerdas dos socialistas. Talvez as mesmas por onde alinha André Freire, que nunca vi como propriamente das extremas, de onde vieram o PSR e a UDP
Não exageres, quando o Pacheco Pereira elogia o PCP e critica o BE, podemos concluir que, para o PSD, o PCP é o mal menor?
Desculpa que te diga, mas este tipo de argumentos é muito fraquinho.
Nuno, não é um argumento é uma análise possível.
Julgo que já o escrevi no 5dias, a boa votação que penso que o BE irá ter nas europeias poderá ser uma correia de escape de eternos votantes no PS que não estão contentes com Sócrates.
A minha análise parte da premissa que a direcção do PS tem consciência disso, tal como acredita (e eu também) que um voto perdido para o BE nas europeias, pode ser menos difícil de recuperar do que um voto na CDU.
Nuno, o argumento é fraco, mas a realidade é forte.
É para o Bloco que o PS olha.
Perante o PCP e o termo “comunista”, que o Bloco nunca usou nem usará (nem como “hipótese”, para citar o título do Badiou), tudo o que é PS foge, foge como o diabo da cruz. Nem mais nem menos.
Carlos,
O PS, pela boca do professor de Coimbra, anda a dizer que PCP e BE são iguais. E se é verdade que na Europa não são iguais- o PCP defende uma Europa de nações, numa formulação que manda o internacionalismo proletário às urtigas, a verdade é que do ponto de vista de oposição ao governo Sócrates são muito parecidos. Quem votar PCP ou Bloco de Esquerda está a dar um voto à esquerda que é contra os governos com política de direita dirigidos por José Sócrates. O resto, é tentativa legitima de dar mais votos ao PCP do que ao BE. O que deve ser feito com argumentos verdadeiros, e não com invenções sectárias.
Quando Pacheco Pereira elogia o PCP e critica o BE está, evidentemente, a piscar o olho à ala direita do PCP, na hipótese de uma recomposição pós-eleitoral do panorama político e de uma possível coligação PSD-PCP.
Claramente, os meus amigos do PCP não gostam do Bloco, e os meus amigos do Bloco não gostam do PCP.
Os meus amigos PS não gostam do PCP mas não se importam tanto com o Bloco que no entanto lhes leva mais votos.
Quanto a sectarismos, a coisa parece-me bem distribuída, mas entre famas, exclusividades e proveitos também me parece que alguns têm mais famas que proveitos e outros mais proveitos do que as famas
Claro António,
Nem sequer existe nenhuma câmara municipal em que o PC esteja coligado com o PSD na vereação.
Coimbra, onde ao poder autárquico se soma o da universidade, ambas, câmara e reitoria, são (muito mal) governadas por coligações PSD-PCP. E já vão no segundo mandato.
António e Nuno,
Essa aliança PSD / PCP é pura ficção científica, é o desenterrar de um parecido espectro italiano muito antigo, o compromisso democracia cristã-comunistas.
Mas, o mais importante é que há um culpado claro pra que essa aliança seja imaginada, mesmo como ficção científica.
Não é o BE, claro (partido do qual até já fui eleitor, e lá não voltarei).
“o PCP defende uma Europa de nações, numa formulação que manda o internacionalismo proletário às urtigas”
Nuno esta frase é simplista.
Podes não concordar com a formulação de patriotismo, elaborada por Cunhal, no quadro do comunismo internacional e podes até achar exagerada a defesa dos interesses nacionais, por vezes, em detrimento de frentes unitárias internacionais, mas isso não significa o abdicar da luta internacional. Eu, confesso internacionalista, parece-me que o problema central é o pouco interesse (em geral), das experiências e práticas políticas dos “partidos irmãos” europeus.
Tiago,
A deriva nacionalista e local dos partidos comunistas foi geral, em Portugal foi apenas um pouco agravada. Acontece que a autarcia como caminho para o Socialismo não provou, se calhar era preciso encarar terrenos de luta mais globais e outro tipo de abordagem. Numa economia globalizada é necessária uma globalização de resistências e alternativas. Agora, o discurso da sardinha e dos pobrezinhos mas honrados, não me convence.
Nuno a deriva geral dos partidos comunistas foi direitista, integrando-se na sua maioria nesse grande fórum capitalista que é a Internacional Socialista. A “via nacional” foi uma das tendências sendo que, por exemplo nos antigos países do chamado bloco de leste, foi/é muito mais preocupante.
O internacionalismo não deixou de fazer parte do ideário do PCP.