Duas medidas

A história da professora de Espinho, motiva-me uma curta observação perante o consenso nos comentários ao sucedido.
Aparentemente ninguém tem grandes dúvidas sobre a veracidade dos meios de prova, que esta é uma questão do foro psicológico e que é correto que a professora tenha sido suspensa. Mas curiosamente, noutros casos, a gravação não é tida como meio de prova, quem a divulga é insultado e, falar em suspensão de funções, é um ataque à presunção de inocência.

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6 respostas a Duas medidas

  1. Carlos Vidal diz:

    Atenção Tiago, para além desses muito justos considerandos (claro que não podemos aceitar esta selectividade na aceitação de gravações: professora, sim; Sócrates, não), mas, para além disto, há que chamar, como fiz no meu post em baixo, para a ilegalidade da atitude ou táctica das alunas (e dos seu pais). Isto sem desculpar a conversa da professora. Portanto, há aqui dois problemas, julgo eu.

  2. Su diz:

    A gravação (ilegal, certo) surge em resposta a uma situação continuada de abusos por parte da professora em causa. Ao que parece as primeiras acusações de que de a senhora não andava a bater bem da bola têm 3 anos. A chantagem e humilhação que exerce sobre os alunos não me parece que possa ter “contextualização” possível. A coisa surge a público porque não foi, em tempo próprio, sanada pela escola. Já o tempode antena e a extrapolação que se anda a fazer do caso revela um reles aproveitamento de uma situação que, acredito, seja pontual.

  3. Caro Tiago,
    se a outra gravação a que se está a referri é do Freeport, ou antes, da conversa de Charles Smith com o patrão a comparação é fraca.
    Voltando ao caso das alunas é como se alguém gravassemuma conversa das alunas com o director a falar da professora ausente.
    Cumprimentos

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Carlos, concordo e acrescento uma terceira questão: terá sido feito algo, junto dos organismos da escola, no sentido de averiguar o que se passava?

    Su, não acompanhei a questão com muito fervor, contudo a ser como referes então também se deverá averiguar por que é que a escola não actuou.

    António P., então ficaria convencido se houvesse uma gravação entre Sócrates e Smith? Lamento, mas também não serviria de prova.

  5. Sejeiro Velho diz:

    Sr. Tiago M. Saraiva
    Onde estão as duas medidas?
    Em nenhum caso a gravação está a ser admitida como prova.

  6. Cátia diz:

    A diferença entre as duas situações é a entidade que tem competências para actuar. Nos tribunais, onde está a ser analisado o processo freeport, não podem ser consideradas gravações não autorizadas, porque há legislação que o proibe.

    O caso da professora está noutro âmbito, no da Adminsitração Pública, não sei se haverá legislação que proíba a consideração de gravações nao autorizadas nas escolas, é provável que não. E caso não exista essa proibção, as escolas podem considerar essas gravações. Se o caso for para tribunal, a situação muda de figura, a gravação não será considerada, a única prova a analisar serão os testemunhos da professora e alunos.

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