“Governo fascista, é a morte do artista”


(Courbet.1855)

(Assim se expressaram hoje na Escola António Arroio os estudantes, aquando da visita de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Teixeira dos Santos. Será que os estudantes exageraram nos termos usados???)

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21 respostas a “Governo fascista, é a morte do artista”

  1. Chico da Tasca diz:

    O que é que você acha ?

    Em caso afirmativo, eu quando chamo Comuno-Fascistas aos comunas não terei muito mais razão ?

    É que quando eu ouço ou leio um comuna a chamar fascista a alguém, admiro-lhe a lata e a falta de vergonha e de memória.

  2. Eu diz:

    Achei maravilhosa a manifestação dos alunos da Escola António Arroios. Rebelde, entusiasta, irreverente, repleta de humor. Grande denúncia!

    O fascismo é peste, a exterminar.

    O slogan: “Governo fascista é a morte do artista” não tem resposta linear. O quase nulo investimento em cultura faz este país ainda mais pobre, muito mais pobre…
    .
    Curiosamente (paradoxalmente? ou creio que talvez não), há artistas que quanto mais os pretendem aculturar, apoucar, manietar, subjugar, aprisionar, tanto mais rebeldes se tornam e (contra tudo e todos) redobram a criatividade e energias, exprimindo a sua arte com tal poder, que deixam o resto do mundo mudo, ante tão poderosa expressividade, genialidade.
    A história está cheia de exemplos destes génios de fibra, muitas vezes apenas reconhecidos universalmente após a morte e nas mais variadas formas de expressão artística.

    Daí, que não consiga encontrar respostas lineares. Só sei que os alunos da Escola de Arroios estiveram muito bem.

  3. Eu diz:

    O sentido crítico e rebeldia que sobressaiu em muitos dos jovens da António Arroio foi lindo de ver. Que pena eu não ter feito parte activa da vaia criativa, transbordante de sentido crítico e humorístico… Um evento destes vivido por dentro tem outra emoção!
    Levantar aquela bela guitarra ao ar!
    Viva a cultura (em todas as suas formas de expressão), viva a arte!

    Acredito que alguns daqueles estudantes seguirão esta quase-utopia:
    “Nunca a alheia vontade, inda que grata,
    Cumpras por própria. Manda no que fazes,
    Nem de ti mesmo servo.
    Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
    Teu íntimo destino involuntário
    Cumpre alto. Sê teu filho.” (Ricardo Reis/ F.P.)

    Os meus Parabéns aos alunos “arroianos”! Grande lição, bonita de forma de estar na vida! Um grande Não à socialmente e ministerialmente “desejada-formatação” estudantil! Não ao ser humano robotizado!

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  5. Quem se deve ter sentido insultado foi um italiano de nome Benito.

    Gostei sobretudo do ganzado que enquanto berrava “Fáscista”, empunhava um cartaz a dizer “Somos Futuristas, Viva Marinetti”.

    O haxe actual bate mesmo forte. Deve ser geneticamente modificado.

  6. Sejeiro Velho diz:

    Felizmente, os estudantes da Escola de Arroios não sabem o que é o fascismo. Até dá para brincar, com aquela doce inocência das crianças.

  7. A escola A A tem por tradição ser uma escola de irreverência, liberdade, humor e alegria.
    Lá andei nos anos idos de 57 a 61. Um episódio: um aluno achava que estava “inspirado”numa aula de pintura, pulava para cima do estirador e dançava, o professor respeitava aquela euforia “criadora”, sem que isso pusesse em causa o andamento normal da aula; outro, por horas da lanche, mandava vir uns bolinhos, uns cafés uns chás da pastelaria na Estefânia, e fazia da aula um convívio.
    Era assim que a malta trabalhava e tinha todo o gosto em lá estar, recriando o seu talento a cada momento escolar.
    Certa vez quis-se arranjar dinheiro, organizou-se uma sessão de cinema no S. Jorge, se não estou em erro, filme escolhido: o Dom Quixote, dum realizador Soviético, ou daquelas bandas. Foi uma “tragédia” ninguém comprava bilhetes, o que acabou por ser um desastre financeiro.
    Ao artista cabe-lhe trabalhar para transformar o social, senão não passa dum artesão, sem desprimor algum por estes.

  8. quinta do infantado diz:

    Além de não saberem o que é o fascismo, tambem nada sabem de história de arte, afinal Marinetti o ideologo do futurismo foi membro activo da partido nacional fascista.

    Lamentável…..

  9. Carlos Vidal diz:

    quinta do infantado,
    Lamentável e precipitado é o seu comentário. Profundamente.

    Confundo tudo: confunde a reclamação de futurismo pelos jovens estudantes da António Arroio com Marinetti apenas, quando o futurismo foi uma estética de vanguarda praticada por pintores e escultores como Boccioni, Ballla e Carrà. Depois pensa que pode baralhar as datas da adesão de Marinetti ao partido de Mussolini com as datas da origem do futurismo. Marinetti publica o seu manifesto no Figaro em 1909 e Mussolini chega ao poder em 1922. O facto de Marinetti ter aderido ao fascio em nada belisca os desenvolvimentos anteriores da estética futurista, e era a isso, claro, que os estudantes da escola de Lisboa se referiam, e bem.

  10. Já o com o Terragni (que pouco tinha a ver com os futuristas, diga-se) não havia cá ambiguidades. Era fascista sem mais o quê, tão consequente que morreu na frente russa (ou por causa não me lembro). Fascista e artista, portanto. Afinal os meninos da A A (teus futuros alunos alguns suponho) não têm ido às aulas de história darte. Ou então arquitectura não é arte…

  11. P.N.P. diz:

    Nós no PNP, somos muitas vezes confrontados pelos nossos compatriotas das esquerdas. Só porque usamos a Palavra Naionalismo, mas sem conotaçáo ideológica. O nosso nacionalismo, e mais o tipo TUDO QUANTO É NACIONAL É BOM,(nós sabemos que não é, mas protegemos o que é nosso) ficam logo furiosos, pois acham que ser-se nacionalista é ser-se facista, e muitas vezes somos insultados com as mesmas sempre palavras:
    -Reacionários
    -Facistas
    -Nazistas
    etc…etc…. é sempre o mesmo palavriado e a mesma retórica.

    Algum de voz já foi conforntado com os Testemunhas de jeová? eles é que estão certos e possuem o Monopólio da Salvção? Entáo os comunistas são as testemunhas de Jeová na política.

    Não se convencem que o comunismo está acabado, que o Muro de Berlim caiu..enfim não vale a pena.

    PNP
    Orgulho de ser Portugugues

  12. João Mendes diz:

    Viva a cultura (em todas as suas formas de expressão), viva a arte!
    Viva a ignorância dos indígenas!
    Tenhamos esperança porque os nossos problemas, de séculos, vão ser resolvidos ao berro!
    Santa paciência!

  13. Caro Carlos Vidal

    O seu comentário é que revela desconhecimento.
    É verdade que o manifesto futurista data de 1909. Então, Mussolini era apenas o secretário-geral do Partido Socialista Italiano e editor chefe do “Avanti”.
    Mas a fusão dos Futuristas com o Partido Fascista acontece logo em 1919, pouco depois da fundação do Partido Fascista, resultado da fusão dos dissidentes socialistas com os Faschi dei Combatenti de Gabrielle d’Annunzio.
    O futurismo passou a ser a ala cultural do Fascismo e assim será até 1945.
    Aliás em Portugal aconteceu o mesmo.
    Almada Negreiros, foi sempre um apoiante do Estado Novo, até ao fim da sua vida. Apesar de posteriormente o tentarem “lavar-a-seco”.

  14. Carlos Vidal diz:

    Caro Luís Bonifácio
    As ligações entre certas vanguardas e regimes totalitários (fascismo, nazismo) é de grande complexidade, vasta e lateral ao protesto dos jovens estudantes da António Arroio. Pode-se sempre suspeitar das intenções democráticas de Heidegger, pode-se sempre dizer que Richard Strauss escreveu o hino olímpico alemão de 1936, que os artistas alemães fugiram do nazismo e Wilhelm Furtwangler manteve-se no seu “posto” de maestro desde sempre (e para muitos foi o maior do século), que Pound tinha simpatias fascistas ou que Céline era anti-semita, etc, etc……
    Muitas vezes, algumas destas obras fogem mesmo do centro da sua aderência e subvertem-na, como Peter Eisenman (para responder ao meu caro amigo miguel dias) escreve sobre o fascista Terragni, e as suas emblemáticas Casa Giuliano-Frigerio e a famosa Casa del Fascio de Como (“Giuseppe Terragni e a ideia de texto crítico”, catálogo completíssimo Terragni, CGAC, Santiago de Compostela).

    Mas nem sequer era a isto que me referia quando sublinhei a anterioridade de Marinetti em relação a Mussolini; refiro-me então agora a dois factores fundamentais: 1) Alguns artistas destas vanguardas aderiram a regimes destrutivos por ódio à tradição (Marinetti abominava a “solução de compromisso” de Ruskin, por exemplo), por uma tentativa utópica de fazer da história tábua rasa, por ensombramento em relação ao fantasma do “novo” que todos amavam; 2) outro ponto importante: muitos futuristas iniciaram as suas carreiras antes da emergência de Mussolini – Boccioni, Balla (o importante “Bambina moltiplicato balcone”, expressão plástica da velocidade, é de 1912), Carlo Carrà, de Chirico, Morandi ou Severini.
    Em muitos destes casos os trajectos essenciais e as realizações essenciais são anteriores às aproximações ao fascismo, como é tb o caso de Marinetti. Mas, julgo que os estudantes da António Arroio não têm de ponderar estas minudências para adoptarem a palavra “futurismo”, uma bela palavra aliás.

  15. almajecta diz:

    parece-me que as vanguardas e as neo-vanguardas não aportaram á Antonio Arroio e estão a precisar de mais uma revisão, da matéria dada por dar como é evidente, sempre desenvolveu aquele pendor espontâneo, autentico e verdadeiro de sempre, por mim vou continuar em línguas.
    Vai michael, os arquitontos não são artistas porque não sabem desenhar à mão levantada, fazem tudo a partir do conceito, são mui ocupas e é só no papel etc e tal, continuo a ler o Alain.

  16. Carlos Vidal diz:

    miguel

    Prepara-te, o Alma voltou.
    Agora sim, da arquitectura não vai ficar nada de pé.
    Atenção que o Alain que o Alma lê, não é o Badiou, é o Alain, só Alain, o autor religioso de Système des Beaux-Arts, de 1926, lindo volume que também tenho aqui em cima da minha secretária.

  17. Carlos Vidal diz:

    E caro Luís Bonifácio …..
    uma coisa que tinha ficado esquecida e que lhe recomendo:
    – Antes da fusão futurismo-fascismo de 1919, tinham sido escritos e publicados mais de 35 (!!!!!) Manifestos futuristas.

    Recomendo-lhe a compilação que agora a Tate/Londres fez sair, compilação elaborada em 2009 (livro obrigatório!).

  18. almajecta diz:

    é esse mesmo, o original, diferente e criativo.
    Fora com o canto das aves pois não é arte porque lhe falta a determinação rigorosa e o valor de objecto, a arte é uma maneira de realizar, não uma maneira de pensar e estar muito sentado no estirador com luz zenital ou vinda da direita.

  19. sobre este assunto, dei por mim a lembrar-me dum autor e dum livro: Nicos Hadjinicolaou, “História da Arte e Movimentos Sociais”, ediçôes 70, onde ele defende que a “ideologia imagética” de uma obra de arte não é coincidente, por vezes, com a ideologia do próprio autor;seja,”A ideologia político-social do artista não corresponde necessariamente à de uma das suas obras”.
    Livro para voltar a reler e tentar perceber as pontes possíveis entre este e “Definição da Arte Política”

  20. Su diz:

    Quer-me parecer que o adjectivo fascista foi empregue por ser considerado negativo e, sobretudo, por rimar com artista…

    Também andei na António Arroio e uma vez fomos em marcha juntarmo-nos a uma manifestação na Assembleia da República, levando um caixão que alguém se lembrou de fazer nas oficinas. A ideia era “enterrarmos” a PGA. Se isto tem sido hoje em dia, viriam dizer que que estávamos a fazer ameaças de morte à Ferreira Leite…

    Mais do que a coerência dos termos empregues por adolescentes que nem 18 anos têm, importa reter a insatisfação para com um governo que eles sabem, porque sentem, ser mau.

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