Ainda o caso da professora de Espinho

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Leon Golub. “White Squad”. 1984

Num exercício meramente académico, como se costuma dizer, suponhamos que o chamado PS tem uma ala esquerda, que essa ala esquerda pode ser constituída por, por exemplo, sindicalistas da CGTP, por João Soares (se quisermos acreditar ou valorizar o seu slogan da última vez que concorreu à liderança, “Comigo, o PS não tem inimigos à esquerda”) e, inevitavelmente, Manuel Alegre.
Terá uma ala direita por oposição com certeza. Como essa dita ala direita é quase o partido todo, falaremos, entre outros, de Jaima Gama e António Vitorino, que é uma ala descolorida e informe que tanto podia estar no PS como no PSD ou no CDS de Freitas do Amaral (ou outro), ou no Movimento Esperança ou na esperança de movimento. Terá, tem!, uma ala de extrema-direita, e a essa eu prefiro, de longe, a extrema-direita pura, “genuína”. Nessa extrema-direita do partido estão Sócrates, claro, o líder dessa facção, Sousa Pinto, esse magnífico exemplo de produtividade no Parlamento Europeu, e Santos Silva.
Entretanto, Estrela (grande teórica do socialismo), Vara, Coelho, Lello e outros do género não estão em lado nenhum. Na blogosfera, o Jugular é o porta-voz oficioso desta corrente de extrema-direita “socialista” ou extrema-direira do PS (partido que terá também, talvez, uma ala muitíssimo à esquerda, mais à esquerda que M. Alegre e que desconheço).
O Jugular, porta voz portanto da ala mais à direita do PS apressou-se, em vários artigos ou apenas menções (que não linko) assinadas por essa anticomunista militante (?) do PCP que é I. Meneses e ainda pelo bloguer Pinto Paulo, logo a crucificar e clamar por todos os castigos contra a já famosa professora da Escola Sá Couto de Espinho. Este último bloguer, num acesso de inteligência que lhe é frequente, imaginou mesmo as aulas da professora que os alunos da escola consideram “a mais espectacular de todas” como um campo de terror, de onde não se pode sair sem ficar traumatizado e esquartejado.
Entretanto, cronistas avisados como Manuel António Pina e Ferreira Fernandes (com quem não simpatizo particularmente) colocaram o problema noutra tónica: o que é que leva um pai e uma mãe e propor a uma filha ou a um filho que levem para uma sala de aulas um gravador para registar a aula da professora e eventualmente provocá-la para a apanhar em “flagrante delito”. O gesto, além de ilegal é pura bufaria. Pelos vistos, há quem aprecie.


Leon Golub. “Interrogation”. 1981

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3 respostas a Ainda o caso da professora de Espinho

  1. Colectivismo nunca mais diz:

    “o que é que leva um pai e uma mãe e propor a uma filha ou a um filho que levem para uma sala de aulas um gravador para registar a aula da professora e eventualmente provocá-la para a apanhar em “flagrante delito”?

    aquilo que todos ouvimos, mas que alguns tendem a fazer de conta que não existiu.

    a professora faz BOLLYING com uma aluna na aula, enxovalha, humilha uma criança de 12, repito, UMA CRIANÇA DE 12 ANOS, e a mãe desta, dizendo que lhe fazia a ficha, que já não era virgem e outras pérolas que tais.

    eu percebo que para um comunista/estalinista estes métodos sejam normais.

    de facto, grave, muito grave, é gravar uma aula sem autorização.

    maldita ala direita do PS!

    (este post é só rir. quem é que escreve estas merdas?)

  2. Carlos Vidal diz:

    Quem escreve estas merdas é um espectro de Marx. É Lenine, é o pai de Hamlet. Somos todos os vivos adeptos do colectivismo.

  3. PJ diz:

    contra o colectivismo, marchar, marchar…

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