Recentemente, um porta-voz do Banco de Portugal reagiu, desta forma, à constatação de que o Banco Insular – entidade que foi usada para “limpar” muitas centenas de milhões de euros do dinheiro dos accionistas e depositantes do grupo BPN/SLN – constava da lista telefónica nacional e apesar disso, a instituição liderada pelo desperto Vitor Contâncio, nada ter feito para esclarecer a natureza desse paradisíaco banco :
- ‘A supervisão moderna não lê listas telefónicas’.
O caso BPN tem sido bastante esclarecedor acerca dessas características da supervisão moderna. As inspecções do Banco de Portugal de 2002 e 2005 queixaram-se de falta de documentos e esclarecimentos e, no entanto, nada foi feito, pela supervisão, para forçar a entrega dessa informação. Apesar dessas lacunas, essas inspecções detectaram um conjunto alargado de problemas que punham em causa a viabilidade do BPN (negócios desastrosos, empréstimos sem garantias, promiscuidade entre accionistas e dinheiro emprestado, etc…). E apesar desses sinais, nada foi feito, para obrigar o banco a mudar de política. O Banco de Portugal não usou, na altura própria, nenhuma das sanções que dispunha para forçar a administração do grupo BPN/SLN a inverter a marcha para o desastre. Só em 2008 é que o Governador do Banco de Portugal começou a ter uma leve suspeita que alguma coisa podia não estar muito católica. Mais de 1800 milhões de euros de “buraco” depois, ficou claro o problema de Vitor Constâncio e dos seus pares é que não conseguiam desconfiar de cavalheiros iguais a eles.
Thomas De Quincey no seu “Assassínio considerado como uma das belas artes”, tem esta observação reveladora: “Quantas pessoas começaram por uma simples morte, que no momento, pareceu-lhes não ter nada de repreensível, e acabaram por se comportar mal à mesa!”. Essa raciocínio é base da supervisão moderna. Como Oliveira Costa e os seus pares comportavam-se bem à mesa, a supervisão não acreditou que eles podiam não ser muito honestos. Aquilo que às pessoas normais parece uma actuação grave e dolosa, a Constâncio e aos seus pares parecia um conjunto de pequenos pecadilhos que certamente os cavalheiros iam rapidamente corrigir, sem necessidade de os incomodar muito à hora do jantar. A civilização começa pelo respeito das digestões mais difíceis.
No fundo, o base da supervisão moderna, como a do mundo livre, é o Dicionário de Etiqueta da Paula Bobone.




Um SENHOR destes quando rouba não fala alto e quase pede licença para roubar… a supervisão responde faz favor, tenha a bondade e abre a porta…
Depois sem os barulhos característicos dos bairros das gentes que não leram paula bobone e não beberam chá em crianças lá se desviam uns milhõeszitos. provavelmente em quantidade superior aos rádios roubados num desses bairros de má fama.
mas é feito com classe. com camisas bem engomadas e canetas de marcas relevantes…
Caro Nuno:
Bem sei que nada tem a ver com o teor do post, e se calhar não tenho nada que ver com isso. Mas porque raio é que desaparaceu a caixa dos autores e os textos dos jugulares?
É uma história muito comprida. Mas posso resumir assim: fizeram-nos uma guerra a exigirem que tirássemos os textos deles – “que eram só deles”. Insinuaram que nós estávamos a ter leitores à custa deles, insultaram-nos e ameaçaram-nos. Fizeram as cenas do costume e nós decidimos resolver o assunto, retirando todos os textos dos antigos autores do 5 dias que foram para o Jugular do arquivo, a menos dos que declarassem que não se importavam de ter os seus textos no blogue para o qual escreveram. Até agora, apenas o João Galamba manifestou essa disponibilidade.
Nuno Ramos de Almeida, parabéns.
Penso que tomaram a melhor decisão. Apesar de fazer parte do arquivo morto, os ácaros são de evitar.
NRA, aquilo que quero dizer é que continuem com o vosso trabalhar…