We’ll always have French fries

Não a via desde 1998, no Festival do Sudoeste, ainda o Rid of Me e o To Bring You My Love iam no adro. Durante 11 anos falhei várias tentativas de comprar bilhetes por essa Europa fora: tudo esgotado, complet, sold out. Em Setembro de 2007 estive quase-quase, o Royal Festival Hall ainda tinha um lugar para cadeira de rodas e acompanhante, e considerei muito seriamente pedir cadeira emprestada a uma amiga que trabalha no National Health Service. It wasn’t meant to be: foi agora (aliás anteontem), bilhetes comprados desde Janeiro, para inveja de quem não conseguiu entradas para a Casa da Música. À hora certa, lá estávamos eu e mais umas centenas de fãs. Aviados o opening act e duas cervejas, começa a dar-me fome, má sorte não ter comido antes do concerto. Assaltam-me visões das batatas fritas carnudas servidas na esplanada do bar, à distância de duas portas guardadas por seguranças, ainda dará tempo? M. assenta-me um olhar incrédulo: ouve, estamos num sítio óptimo, atrás de gente baixinha, visão perfeita do palco, e isto está mesmo a começar; por outras palavras, estás louca?! Devia estar: não trocava os bilhetes por um prato de lentilhas, mas dava três músicas por um de batatas fritas. Vá, quatro. Depois ela sobe ao palco e quase esqueço a fome, mando o roaming às urtigas e ligo à irmãzinha para a deixar ouvir uma música do Dance Hall at Louse Point (os vizinhos sabem o quanto amo este álbum, e o alinhamento do concerto foi generoso em revivalismo). As pessoas ainda mais baixas que eu são realmente uma bênção (e raras, sobretudo raras), vejo-a como se não tivesse dioptrias, descalça e de vestido preto, singing (and screaming, and moaning, and yelling) as if there were no tomorrow. Ela continua esquálida & maravilhosa, eu estou definitivamente mais velha, porque apesar de comovida com a execução do April e eternamente devota de Nossa Senhora de Dorset, parte de mim ficou satisfeita por não haver segundo encore (o vil estômago). French fries, here I come!
 
[Início do concerto. Por esta altura, tabela de equivalências ainda marcava cinco batatas fritas por música, um valor claramente inflacionado pela escassez de alimentos de elevado índice calórico]

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

4 respostas a We’ll always have French fries

  1. Foi um belíssimo concerto. E os temas do DHaLP brilharam no alinhamento.

  2. Foi um belíssimo concerto. E os temas do DHaLP brilharam no alinhamento.

  3. bloom diz:

    um prato de fritas gordurosas em troca de 2 canções da Polly Jean? huummm…

  4. Eu sei, bloom, eu sei… 🙁 Alego insanidade temporária.
    João Pedro, o Dance Hall brilha em qq circunstância.

Os comentários estão fechados.