Deixem-me esboçar muito rapidamente um retrato da democracia (a partir de La Boétie)

lucienf22

[Sobre os governantes legitimamente eleitos:]

“Os eleitos procedem como quem doma touros”

[Sobre os, digamos, “ditadores”:]

“os conquistadores procedem como quem se assenhoreia de uma presa a que têm direito”

[Sobre os que “ganham” eleições:]

“Os sucessores, como quem lida com escravos naturais”

Portanto, a democracia parlamentar burguesa obriga-nos a aceitar a servidão voluntária como escravos naturais, impedindo-nos “democraticamente” de mudar o que quer que seja de relevante. A democracia é a garantia da manutenção da escravidão. Naturaliza-a.

lucienf3

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3 respostas a Deixem-me esboçar muito rapidamente um retrato da democracia (a partir de La Boétie)

  1. Carlos Fernandes diz:

    Sim a democracia “burguesa” (ou outra) é má, mas ainda assim o melhor ; mas qual é então a alternativa, ditadura fascista totalitária de esquerda como na URSS ou fascista totalitária de direita como na Alem. Nazi?

  2. almajecta diz:

    La Boetie afirma o séquito dos tiranetes, esse séquito forma uma estrutura hierarquizada de dominação na qual o tirano ocupa o topo. O desejo de posse e poder representado pelos tiranetes é oriundo da pretensão em participar do poder do tirano, no entanto, essa estrutura de dominação faz com que todos se tiranizem uns aos outros.
    Composta a partir da desconfiança recíproca, essa relação de poder inverte-se paradoxalmente: os que estão no topo da pirâmide são os menos livres de todos enquanto os que estão na última camada, na base, são os mais livres na medida em que não têm mais a quem oprimir. No entanto, como todos são tiranos e servos ao mesmo tempo La Boetie pergunta-nos: “ Isso é viver? Chama-se a isso viver?”
    Compreende-se desse modo, que a tirania está intrinsecamente ligada à questão dos afetos formados por uma educação e costumes deformados e deformadores. Trata-se também de compreender que a razão torna-se como água no deserto, escassa num espaço onde a pluralidade desapareceu e onde a comunicação está ausente.

  3. almajecta diz:

    However attractive, the bodies on view tend to be banal — or is it banally attractive? — like those of Andy Warhol’s Standing Male (1967) and Nan Goldin’s Joana in the doorway looking at Aurele, Château du Neuf, Avignon (2000). The rather boring buttocks — all the more so because they are repeated, interminably — in Yoko Ono’s Film No. 4 (Bottoms) (1966) says it all. Even bottoms up, the shock of the upfront — the blatantly naked — quickly dissipates into tedious familiarity. Surprisingly, many of the works are bourgeois for all their effrontery. The bourgeois are no longer bothered by the naked truth — by any version of physical reality: nakedness is no longer daring, but another marketable cliché.

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