Teorias de vidros partidos

Sempre que explodem os bairro sociais, há algum liberal tresmalhado que se lembra do mítico presidente da câmara de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, e ressuscita a sua apregoada teoria “dos vidros partidos”. Há quem esteja convencido que o crime é resolvido com uma política de mão dura, em que se dá prioridade à repressão, em relação às políticas sociais. Pálida solução. Mesmo nos Estados Unidos há estudos que contestam essa abordagem, o mais divertido dos quais é o Freakonomics. Neste livro defende-se, com dados estatísticos, que a mítica queda da criminalidade, nessa época, se deve à aprovação da legislação do aborto que diminuiu, em muito, o número de crianças das camadas mais pobres, populações essas, que normalmente engrossam o número de criminosos.
Mas, nada melhor do que ler os apoiantes da tese dos “vidros partidos”, para ajuizar da sua bondade. Lendo o livro “Paradigma Urbano”, de Myron Magnet, teórico eminente desta tese, fica-se a perceber a justiça subjacente a este modelo. Na página 130 desta bela obra, o autor descobre que os criminosos cometem menos crimes a partir dos 25 anos, e muito menos a partir dos 40 anos. Solução mágica encontrada: prender os jovens criminosos durante muito tempo, para que eles só saiam dos sistema prisional depois da idade perigosa. Para Mignet, se um jovem de 16 anos for apanhado a roubar uma pizza, é muito provável que depois vá praticar mais crimes. Como tal, o melhor seria prendê-lo até aos 40 anos, assim a sociedade ficaria mais segura. Como isso só se aplica aos pobres não há problema. Estas teorias são o reflexo na justiça do moderno urbanismo dos condomínios fechados e das zonas sem direitos e qualidade onde vivem os pobres. A uma cidade dividida em duas, deve corresponder uma justiça a duas velocidades. Os crimes dos pobres são duramente castigados, os crimes de colarinho branco são investigados com todas a garantias processuais. A segurança dos ricos está à frente da justiça dos pobres. É a luta de classes a exprimir-se no campo da justiça.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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13 respostas a Teorias de vidros partidos

  1. Paulo Ribeiro diz:

    não vás mais longe. quem sou eu para o dizer a um conhecedor, mas, qualquer país que tenha passado pela expeiriência do socialismo real, por exemplo, a união soviética, tudo se passava tal e qual assim. bom, com ligeiras diferenças.

  2. Paulo Ribeiro diz:

    o que quereria ter perguntado: foi você que leu sobre vidros partidos? pois é, faz lembrar certos telhados de vidro. tem que ser dito, que, este post do nra, é colocado, de uma forma inaudível, em tom de desculpa, a fim de se evitar qualquer aparência de uma auto-recriminação encoberta. ai! o snobismo cultural e, assim, se tenta ganhar o tímido respeito dos outros .

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Paulo Ribeiro,
    Algum dia você conseguirá ler os posts e discutir os textos e não uma qualquer outra coisa que ninguém percebe muito bem?
    Eu percebo que lhe pagam ao comentário, mas peça ai no sítio que o revezem com outro que saiba ler.

  4. Paulo Ribeiro diz:

    ora, se a cabeça acena que sim a um post seu, dá-me para desconversar. e depois? agora, nunca lhe disseram, lá na madraça ou incubadora de revolucionários, que, o snobismo cultural e mal humorado, é errado?

  5. João diz:

    Excelente post Nuno.

  6. Pingback: Quando dá para perceber que alguém se passou… : O País Relativo

  7. acidental diz:

    Muito provavelmente conhecem o trágico fim de Kuku (Amadora) e o divertidíssimo passeio de Vale e Azevedo (Londres). Parece que um participou no roubo de um carro e parece que o outro participou no roubo de milhões de euros. É isso a justiça. Não é necessário ir mais longe.

  8. Chico da Tasca diz:

    Pois é mas as medidas do Giuliani tiveram o sucesso que todos conhecem na redução da criminalidade e ainda hoje é lembrado por isso.

    O Portugal pós-25 de abril é conhecido pela bandalheira em que se tornou. São vários os exemplos disso, o mais recente dos quais é o do individuo que, na Bela Vista, incitou a destruição de carros de particulares, ou seja bens das pessoas que tiveram de pagar por eles, e que deles necessitavam, tendo sido imediatamente liberto após a sua captura pela policia. É um total desprezo pelas vitimas. A pseudo-justiça nem sequer cuidou de tratar saber como é que o individuo iria pagar os prejuizos a essas pessoas.

    Mas é isto que a esquerda trauliteira quer : a bandalheira, as paredes sistemáticamente cagadas, dando um aspecto de lixeira às nossas ruas, a protecção da deliquência e o desprezo pelas vitimas.

    Portanto um Giuliani fazia cá falta como pão para a boca.

    E deveria começar logo pelos grafittis, como o fez em Nova Iorque. Quem fosse apanhado a cagar as paredes com porcarias era imediatamente preso, sendo sómente solto após limpar tudo aquilo que cagou, pagando os produtos de limpeza do seu bolso. E se fosse reincidente partia-se-lhe o braço e passava um ou dois anos na prisa.

    Estou saturado de viver num país em que os criminosos são soltos com o pretexto de terem tido infancias problemáticas, coisa de que as vitimas têm culpa absolutamente nenhuma.

    Quero lembrar que o Toninho da Bela Vista que foi morto,e muito bem,. pela policia, era criminoso desde 2001 ou 2002, tendo participado em vários gangs, assaltado várias pessoas à mão armada, e andava aí fora alegremente a roubar e a apontar armas às pessoas, sem que ninguém o incomodasse.

  9. Joaquim Cunha diz:

    Meu caro Nuno Tito,
    A referência ao Freakonomics é exgareda, pois os autores expressamente refutam que as coincidências que encontram podem desmistificar ideias feitas – mas não decerto, criar outro mitos.
    Goste-se ou não dos EUA, que são sem dúvida um país violeneto como todos aqueles que têm escesso de armas – nós estamos nesse caminho, o caso de NY é exemplar.No caso de NY forma tudo menos coincidências. Criou-se uma outra moral.
    Em 1991 passei lá mais de um mês no centro de Manhatan, andava por toda a cidade, mas era um aventura – fui ao Harlem de metro , e quando lá cheguei (era o único branco da carruagem) o metro parou e tivemos que sair pela carruagem da frente porque a linha de metro estava a arder. Era uma tarde de domingo. Assaltos eram frequentes e havia ruas estranhas como a famosa 42th… um branco andar em zona de negros era perigoso, mas eu sempre gostei de conhecer tudo portanto circulava entre o harlem e o central Park sozinho para espanto – e provocação – de bandos de negros! Dez anos depois, passei lá 10 dias, e estava limpa e extremamente segura.
    Não tenho a mente securitária de alguns, mas por cá, nem a polícia tem a formação, o rigor e o civismo que se impõe, os tribunais não se respeitam. Portanto o crime compensa. Como dia o outro da Bela Vista “assaltei o multibanco porque não tinha emprego”. Acho que assim nunca vai arranjar emprego. E é inadmissível que hajam instruções da polícia que impedem os agentes de “incomodar” os arrumadores que “violentam” condutores e transeuntes nas nossas cidades. Ah, já para não falar de Shengen que abriu Porugal ás máfias de leste, sem que ninguém tivesse preparado as nossas polícias, com formação, equipamento e atitude preventiva face á invasão das mafias, que estão por aí.
    Em Julho quando foi aquele far-wet da Quinta do Mocho, em que vieram os sociólogos explicar o inexplicável da não intergração – a génese era o controlo por bandos rivais de negros e ciganos do tráfico de droga, eu estava em Luanda, e com o Presidente da Câmara numa reunião tinha no seu gabinete a SIC-Notícias em directo e via-se mais um tiroteio, ele diz-me “como é que vocês diexam esses pretos fazer isso!”, e ria-se com o nosso laxismo (atenção na reunião eu era o único branco no meio de quatro dirigentes).
    Portanto, não me revendo na retórica Portista a verdade é que estamos inseguros e que ninguém nos proteje.

    Já agora, parabéns pelo j’accuse, estava muito bom, fez lembrar algumas discussões de Económicas quando eu andava pela JC e tu pela Politika da JCP.

  10. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Joaquim Cunha,
    Excelente comentário. Vou pensar e respondo-te com calma. Deixo-te só algumas ideias. Acho que muito do que dizes é importante, eu apenas contesto que haja justiça a duas velocidades e que se ache que é possível resolver a criminalidade apenas com medidas policiais.
    Horroriza-me uma justiça que acha normal que se alguém rouba um pão três vezes é condenado a 16 anos de cadeia e outras coisas assim.

  11. A. Laurens diz:

    Onde é que Giuliani os meteu?

  12. maria povo diz:

    … e as “cadeias” privadas para reinserção de menores que existem nos eua??? com os “senhores” juizes a receberem dos proprietários das ditas por cada “deliquente” (quase todos negros…) uma bela quantia?!?! está (quase!) tudo podre!!!

    já agora, podem ver a série 24H, pois por lá aparece muita desta “ficção”…

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