Do asco, aqui ontem meditado, ao sublime doravante desejado (obrigado Kant): Scriabin por Horowitz
18 de Maio de 2009 por Carlos VidalFoi um dia e um momento histórico, ou muito mais do que histórico e ainda muito mais do que muito comovente: num pequeno cartaz de parede do grande Conservatório de Moscovo estava anunciado, discretamente, um concerto do pianista “Vladimir Horowitz (USA)” para 20 de Abril de 1986: 1800 lugares do Grande Hall do Conservatório destinaram-se a convidados e cerca de 400 lugares foram disponibilizados ao público; uma noite de fila interminável e os bilhetes desapareceram todos em pouquíssimos minutos. Toda a gente em Moscovo amava o seu grande Horowitz, um dos maiores músicos do século, que sessenta anos depois, aos oitenta e dois de idade, voltava a “casa”. Assombro e sublimidade!
Horowitz interpretou Scarlatti, Mozart, Liszt, Schumann e o meu mui querido Scriabin (tendo Horowitz passado ainda algum tempo com a filha do compositor, visitado também a casa e tocado no piano de Tchaikovsky) [registo: "Vladimir Horowitz in Moscow", Deutsche Grammophon, 1986]. Scriabin foi um dos loucos mais fascinantes do século XX, fundador da modernidade com Debussy, Stravinsky e Schoenberg (mas menos conhecido que estes). Longe, já muito longe da Terra e da Música, este louco genial concebeu nos seus últimos anos uma nunca realizada obra de “arte total” chamada “Misteria”, obra multimedia e “síntese religiosa de todas as artes” a ser executada nos Himalaias!!! Pena, muita pena que nenhum neovanguardista de 60 e 70 (e isso é quase certo) ligado aos happenings e performatividades tenha alguma vez sequer ouvido o nome deste homem: Alexander Scriabin, de quem aqui Horowitz interpreta o Estudo Op. 8, nº 12.
Sem mais comentários.
Ah, estas imagens são de Moscovo, sim, 1986!!

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