Por mim retirava

Em mais um momento que o Luis Rainha tão bem caracterizou no seu post “A parábola do lulu pródigo“, Paulo Pinto, resolveu ganhar a dianteira entre pares criando um acontecimento, que lhe tem iluminado a escrita e animado a vida (post de 3ª feira, post de 5ª feira, post de 6ª feira e post de Domingo).
A mim, esta fixação doentia que, alguns sujeitos que escrevem no Jugular têm pelo 5dias, nunca me animou para grandes escritas nem me fez deixar de ler quem gosto de ler, no referido blogue.
Contudo, inesperadamente e de uma forma involuntária, Paulo Pinto levantou uma questão interessante que me parece merecer alguma reflexão no plano jurídico (que deixo para quem de direito), no plano histórico-arqueológico da blogosfera nacional e no plano político.
Todos sabemos que na Internet, a censura de algo, normalmente tem o efeito inverso. Um texto que um qualquer poder não quer ver publicado, com a velocidade de circulação da informação e as multiplas formas de divulgação, rapidamente pode ser difundido de uma forma global. Por isso, a formula mais utilizada e eficaz para bloquear informação verdadeira/interessante é produzir mais informação, falsa ou desinteressante (vulgarmente designada como lixo), para que a primeira se perca.
Se, para censurar um livro, se pode apreendê-lo, para que as pessoas não leiam um blogue dever-se-á combater com informação falsa ou irrelevante que se sobreponha nos motores de busca, inventar picardias sem interesse (para a generalidade dos leitores) e copiar temas, assuntos e palavras-chave utilizadas nos posts do blogue que se pretende silenciar. Alguns, repito alguns (num blogue colectivo nunca se pode tomar a parte pelo todo a menos que exista uma entidade orgânica), dos escritores do Jugular têm feito destas práticas a sua actividade regular transformando-se em autênticos parasitas daquilo que, pelo 5dias, se vai escrevendo.
O Nuno Ramos de Almeida, num paciente texto de resposta a Paulo Pinto, colocou a questão em termos deontológicos. Tratando-se de textos de autores devidamente identificados colocados num blogue de livre e espontânea vontade, e sem questionar a sua qualidade ou interesse, entendia o Nuno que quando os textos são publicados transitam para o domínio público. Esta posição, embora correcta do ponto de vista ético, secundariza a questão da qualidade e potencia uma eventual propagação de lixo, em detrimento do seu interesse.
Importa recordar que, neste caso, não estamos a falar de retirarmos do domínio público, por exemplo, os textos inteligentes (dos quais frequentemente discordo) do Rui Tavares, mas de retirar dos arquivos do 5dias quem escreve pérolas como “O 25 de Abril não impressiona pelos factos. Impressiona, sim, pelos não-factos”.
Por mim, e aproveitando o pedido publicamente expresso por Paulo Pinto e pelo outro sujeito, retirava dos arquivos do 5dias os textos dos autores do Jugular que o entendam solicitar, publicamente ou por email.

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6 respostas a Por mim retirava

  1. Confesso que ainda não entendi a questão, mas às tantas haverá por aí algum texto de que o personagem se arrepende. Será? Não me darei ao trabalho de lê-los. Agora uma coisa é certa, se tivesse opinado numa coluna de um jornal em papel, pediria que rasgassem os arquivos de todas as bibliotecas? Sinceramente, parece-me um pouco ridículo. E não, eu não tirava.

  2. Não retirem!!!
    Deixem os gajos a espumar da boca 🙂

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    Nuno e Pedro, manter para quê? Só se fosse numa atitude de solidariedade para com os monotemáticos escribas. Eu, por mim, aproveitava para retirar.

  4. A questão é toda ela tão profundamente ridícula que só pode ser discutida no plano da “birra infantil”.
    Sendo assim…continue a birra.

  5. Luis Rainha diz:

    Que a Ana Matos Pires ou o Galamba peçam para retirar os seus posts, já é questão a lamentar. Agora aquele Paulo não-sei-o-quê e a alma penada… mandem o lixo para o lixo!

  6. JFK diz:

    Eu aqui há uns tempos defrontei-me com algo um pouco semelhante, e realmente gostaria de ouvir variadas opiniões sobre esta questão.

    Um utilizador muito frequente de um fórum meu chateou-se, bateu com a porta, algo perfeitamente normal nas comunidades reais e virtuais, mas quis apagar todas as suas mensagens. Milhares. E isso foi um quebra cabeças para mim. Por um lado eu acho que ele estava no seu direito, por outro, tal facto comprometia a integridade dos conteúdos do forum. Ou seja, centenas de discussões, debates, ficariam “cortados”, com respostas a mensagens que não existiam, etc,etc.

    Portanto a questão é mesmo essa, até que ponto entra aqui o conceito de direito de autor quando as coisas são escritas numa “obra” colectiva ficando esta danificada se parte for removido ? Imaginemos que o blogger em questão escreveu num jornal qualquer e depois se chateou. Será que o que ele está a pedir não é recortar com uma tesoura todos os jornais já impressos no passado que contivessem textos dele ? Isso não é um absurdo ? Ou por exemplo um grupo de designers desenvolve uma marca de roupa. Um deles a certa altura chateia-se. E vai exigir que a toda a roupa já vendida em circulação seja descosida uma qualquer manga desenhada por ele ?

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