A peste, a cólera e a lepra

Não sei se repararam nesta frase do primeiro-ministro, na semana passada, quando foi visitar duas escolas de Lisboa que estão em obras. Está aqui o som. Mas transcrevo a parte que me interessa: “Estamos a requalificar as nossas escolas. E com isso estar a dar emprego a portugueses, estamos a dar oportunidades às nossas empresas e estamos a construir o nosso futuro.” Repararam? “Dar emprego a portugueses (…)”

Pois. Não sei se isto significa que as empresas de construção civil que fazem obras para o Governo ao abrigo do Programa de Modernização do Parque Escolar só podem contratar portugueses. Cheira-me que não. Cheira-me que não só não querem como nem conseguem, porque há cada vezes menos portugueses disponíveis para andar a assentar tijolos.

O que me cheira, mesmo, é que o engº já alinhou completamente no discurso da drª Manuela Ferreira Leite (que acha que o investimento público só serve para dar emprego a cabo-verdianos e ucranianos), para já não falar do de Paulo Portas, que não é novidade nenhuma.

Não admira, portanto, que o Governo tenha anunciado que fixou em 3800 o contingente indicativo de vistos de residência a conceder a imigrantes (estavam nos 8500). Nem mesmo quando há dirigentes do PS, como António Vitorino, que dizem que isto só acontece por “pressão eleitoral”, estando mais que provado que os imigrantes só disputam, no essencial, uma faixa do mercado laboral que já só é deles.

Escolher entre o engº Sócrates, a drª Manuela Ferreira Leite e o drº Portas é o mesmo que escolher entre a peste, a cólera e a lepra. Não escolho.

Sobre João Pedro Henriques

Jornalista
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5 respostas a A peste, a cólera e a lepra

  1. Bravo, João Pedro Henriques.
    Por uma vez concordo contigo. Ainda vamos ser grandes amigos. 🙂

  2. Chico da Tasca diz:

    A coisa que mais me irrita é este pensamento politicamente correcto destes pseudo progressistas.

    Acho muito bem que o Governo imponha quotas para imigrantes extra comunitários, porque o páis está com uma crose de desemprego grave, que afecta milhares de Portugueses, e é para esses que o Governo tem de governar !

    Eu não aceito que se diga a uma pessoa com mais de 45 anos que a unica que tem a fazer é arrumar as botas, porque este país não tem qualquer oportunidade para ele, e que depois se vá dar trabalho, com dinheiros publicos, a pessoas que entraram cá há meia dúzia de dias.

    Se o desemprego fôr residual e houver trabalho acho muito bem que se abra as portas aos imigrantes, mas com regras, direitos e obrigações claras.

    Nas presentes circunstâncias não acho. Em primeiro lugar estão os Portugueses, alguns em situação aflitiva.

    Portanto, não venha para cá com o politicamente correcto nem com “progressismos” da treta porque isso é irritante e já mete nojo !

  3. Carlos Vidal diz:

    Muito bons exemplos e muito boa argumentação (a do emprego a “portugueses” é de se sublinhar mil vezes).
    É simples, o que aqui está: é a única definição de democracia – não se trata de ser OBRIGADO a escolher entre A, B ou C, mas de ter a liberdade entre “escolher” e “não escolher”. Esta última hipótese é que é a democracia. E sobre isso devemos ser intransigentes!

  4. tania diz:

    eu estou a fazer um trabalho sobre a cólera mas nao sei o que escrever.

  5. stefany diz:

    esta merda e tudo uma treta…….

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