(psi)debates

Pois pensei muito antes de responder. Achava que o não deveria fazer porque o Luis Moreira tem razão: o seu post não é sobre “homossexualidade”. O seu post é sobre prácticas médicas – de psiquiatras, neste caso – que assumem como “doença” algo que não é “doença”. Esse debate entre os profissionais de saúde mental deverá ser acompanhado com atenção. Eu irei fazê-lo e aconselho-o a fazer o mesmo!
Mas já agora, e assim de um modo simples: nenhum “homossexual” deve ser tratado pela sua “homossexualidade”; aquilo que o faz precisar de ajuda terapêutica – como tantas vezes reafirma o Luis -, não é a sua “homossexualidade”, mas sim a sua “homofobia internalizada“; ou seja é a pressão cultural e social para papéis pré-definidos em torno da sexualidade (e do género) que provocam a necessidade de apoio terapêutico.
Como afirma Nuno Carneiro, no livro já citado aqui, e que aconselho vivamente a leitura: “o objectivo da intervenção psicológica afirmativa passa a ser, deste modo, o da redução da homofobia internalizada e do heterosexismo internalizado, com vista à aceitação, por parte do individuo, dos seus desejos e das suas experiências a à escolha da sua própria identidade” (pp.130)
Última nota meu caro Luís: neste tema, por conhecimento e experiência pessoal (adquirida na minha história pessoal e da partilha que tenho sobre o tema no trabalho social que faço) não preciso discuti-lo com ninguém. E estive mesmo a namorar, que é algo que gosto de fazer!

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7 Responses to (psi)debates

  1. Luis Moreira diz:

    Caro Paulo Jorge, sou tudo menos homofóbico, mas não podemos esquecer as pessoas que sendo homossexuais não o querem ser.

  2. Paulo Jorge Vieira diz:

    Luís nao o acusei de homofóbico. Acho apenas que esta a fazer uma leitura que acredito seja bem intencionada, mas com os dados errados.
    Pegando na sua frase: o que temos que perceber é porque é que há homossexuais que nao o querem ser?

  3. Se há homossexuais que não o querem ser, é apenas por causa da pressão social e do preconceito. É só pelo facto de não poderem exercer livremente a sua homossexualidade, e então tentam a todo o custo deixar de o ser (mas como a opção sexual não é algo que dê para mudar com uma operação ou com uns medicamentos…)

  4. Não há debate na comunidade cientifica sobre a etiologia, psicopatologia ou terapêutica da homossexualidade e não há debate muito simplesmente porque essa entidade não existe enquanto quadro psicopatológico. Há clínicos que pensam que a homossexualidade é uma patologia? Há. Há, como há médicos que apalpam as clientes, médicos que aceitam viagens à Malásia oferecidas pelo J Neves, médicos que não sabem ler ECG’s, etc, etc. São uma minoria? São. Existem? Existem

  5. Nada tenho contra o reconhecimento dos direitos dos homossexuais, porque são isso mesmo: direitos. Como tal são construções sociais. No entanto, a homossexualidade pode ser identificada por indicadores físicos (dimensões da amígdala e do hipotálamo, desiquilíbrios hormonais, etc…).

    Obviamente, não pretendo mergulhar pela via de discutir se é ou não uma doença, pois o DSM inumera inúmeras doenças que não o são, tratando-se apenas de comportamentos culturais.

    Mas acho que seria útil, como medida de correcção de azimutes, sempre que se escreve qualquer coisa sobre a homossexualidade, substituir o termo por outro desvio sexual à norma (observe-se que digo norma – no sentido estatístico – e não normalidade): por exemplo, experimentar substituir o termo por pedofilia, ou por necrofilia, etc…

    Acho que ajuda sempre mais a perceber as questões que se debatem e assim a evitar mergulhar nos argumentos científicos que – quando o são – são indiferentes às vontades ou aos desejos de cada um.

  6. m diz:

    então , vá lá , não pode haver homos que morram de vontade de gostar das evas ? afinal , somos tão lindas..podem achar que se estão a autoexcluir de algo bem bom , mais nada.

  7. De facto funéreo, Carraça. Safa-se, ó menos, este cadinho “ajuda sempre mais a perceber as questões que se debatem”.

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