Vocábulos mais odiosos adicionados à língua corrente: “tipo” e “mega”. Tudo agora é tipo tudo; e já não chegavam os superes e os hiperes, agora temos os mega (só porque os arquiduques caíram em desuso, suponho). Outra tendência abominável do moderno português de Portugal: a reprodução de discussões por vezes longas e encadeamentos de factos que podem ser intermináveis (ou seja, de “cenas” em geral) em discurso directo, por pura incapacidade de descrevê-los e resumi-los de forma inteligível. É tipo assim: Eu disse: (entre aspas, o que quer que seja) e depois ela disse: (idem) e a seguir eu disse: (idem, ad infinitum, ad nauseam). Pelo contrário, um aparente cultismo está a ganhar terreno: quando eu era pequenino, ouvi muitas vezes dizer que “você era da estrebaria”, mas apesar disso o “vocês” era omnipresente, isto porque o “vós” só se ouvia numa de três situações: na representação dos clássicos da língua, na igreja (sim, eu ia à igreja quando era pequenino) e no falar rural do Norte (que os lisboetas da classe média como eu classificavam genericamente como “saloio”). Hoje não é assim: embora as formas verbais da segunda pessoa do singular não tenham voltado à superfície, o pronome “vós” tornou-se cada vez mais usado (acabo de ouvi-lo na rádio, por exemplo, numa situação em que seria impensável há alguns anos) e as formas de tratamento do português (ainda) mais complexas: tu, você, o você que não confessa o seu nome e se esconde por trás de um nome próprio, o Senhor, V.Exa, vocês, vós… o país mais ocidental da Europa tem um protocolo digno do Extremo Oriente.




gosto particularmente quando o figueira é raptado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais, que, levantam o véu sobre o passado do revolucionário “tipo” norte-coreano, quando ainda lhe dava para a santa e provinciana pusilaminidade do pequeno-burguês. norte-coreanismos à parte, o que eu sempre quis perguntar ao figueira, sem crispações, é o seguinte: quando é que o figueira começou a conceber a sua fantasia homicida? ao carlos vidal nem pergunto, intuo que nasceu com ela (caso perdido)! mas o figueira é diferente. ora, não me venha com “fugas” (ó apreciador, seu melómano!). qualquer revolucionário, seja homem de bem ou um pulha, é um assassino. felismente, na maioria dos casos, falhado. mas é assassino!
mega perspicaz! ih ih
Dear Paulo Ribeiro,
Unfortunately, my busy, busy schedule prevents me from replying to a busy, busybody like yourself.
Kind regards, AF
Estes ataques arbitrários a formas de falar diferentes das próprias é um fenómeno curioso. Esteticamente, é legítimo. Mas aqui um fundo de crítica moral que não tem qualquer legitimidade. Veja-se uma análise por parte dum linguista dum fenómeno paralelo: http://languagelog.ldc.upenn.edu/nll/?p=1431
A língua é uma realidade dinâmica, evolui, promove e despromove vocábulos. Tem modas mais ou menos perenes. Além de que a maior parte dos exemplos que dá me parecem mais da linguagem oral que da escrita, o que faz alguma diferença. E o que dizer, na escrita, dos seus «superes» e «hiperes» e já agora porque mantém o pobre do «mega»no singular?!…
بعد ذلك يفضّل هو الفرار? [إ] لذلك? هو يسمحني أن يقول إلى هو أنّ لا يصبح هذا. هو مخادعة. من قاتلة!
PR
Que falta de urbanidade!
Até parece koiza do Extremo Oriente… xiça.
Se fosse em MP3… até dava p’ra meter avós com voz emcima de vós! Falso & fatal