Ora bem, ora bem, parece-me que o sr. Procurador Lopes da Mota não tem lá muito jeito para almoçar descontraidamente com alguns colegas…

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Jonathan Borofsky. “Walking to the Sky”. Nova Iorque, 2004.

…apesar de aqui – “Jugular”, obviamente – ser quase garantido que sim, que tinha, e que um almoço de amigos nunca é uma pressão.

O Procurador-Geral da República, analisado o inquérito às alegadas pressões exercidas pelo Procurador Lopes da Mota sobre os colegas responsáveis pela investigação do chamado “caso Freeport”, decidiu converter o inquérito em processo disciplinar ao (ainda) responsável pelo organismo europeu Eurojust (Agência Europeia de Reforço da Cooperação Judiciária):

Portanto, Lopes da Mota terá pressionado Vítor Magalhães e Paes Faria, os responsáveis pela citada investigação “Freeport”, no sentido do arquivamento do processo.

Mas a questão mais importante é outra, obviamente: e quem terá pressionado o sr. Procurador Lopes da Mota?? Porque agiu ele deste (alegado) modo??

Nenhum outro inquérito poderá esclarecer este inquérito??

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23 respostas a Ora bem, ora bem, parece-me que o sr. Procurador Lopes da Mota não tem lá muito jeito para almoçar descontraidamente com alguns colegas…

  1. Sofia diz:

    Que impressão que tudo isto me faz…

  2. almajecta diz:

    É muito aborrecido, coitado do homem. Este é apenas o 3º depois do bibi e do vale e azevedo desde a manifestis probatum de 1179.

  3. Carlos Vidal diz:

    Já não se pode almoçar com os amigos é o que é, Grande Jecta.
    Por isso, amanhã, lá no Nina, cuidado, muito cuidado com os comunas.

  4. A Vidente diz:

    Acabei de ter uma visão: Contactei mediunicamente com os três pastorinhos e, ambos, os três me confirmaram que isto vai acabar como é costume: Águas de Bacalhau.

  5. almajecta diz:

    olhe que não, olhe que que não, este vai ser o 3º . É necessário encontrar algo, para além do chiclate do ferrero rochê.

  6. Et pur si mueve! diz:

    “Trata-se, afinal, de causar nas pessoas a impressão de que um partido – o que governa – é uma associação de malfeitores e que quem quer que contrarie essa visão só o fará pressionado pelo medo, pelo interesse ou pelas associações. E isso, sim, é uma pressão à séria. Abusiva, ilegítima, ameaçadora e antidemocrática.” f.

    Qual é a im-“pressão” que fica?
    Só me lembro de Galileu Galilei.
    Impressionante!

  7. almajecta diz:

    minha rica filhinha nunca almoçes nem acredites na justiça dos homens, olha o que a vida é em chelas e noutros bairros afins.

  8. carlos graça diz:

    Parece-me que Almajecta foi ao cerne da coisa… de vez em quando, e em processos em que está envolvida a nata política ou da alta sociedade, lá tem que se dar o braço a torcer, e fazer o que deve ser feito aos prevaricadores… mas os Adamastores esses, não senhor, esses têm que continuar lá, para assustar os pescadores, e manter as correntes marítimas de feição ( a sua )….

  9. Et pur si mueve! diz:

    Lopes da Mota ainda não se demitiu porquê?

    Deveremos ler f. e considerar as pressões de Lopes da Mota: não abusivas, legítimas, tranquilizadoras e democráticas?

  10. almajecta diz:

    jamais ler f. ó tá quieto, prefiro o vale de lençois, e é já a seguir.

  11. Desconfiada diz:

    Acreditam que os órgãos de soberania vão deixar o Sr. Procurador Lopes ter algum acidente com consequências, cair da sua Mota?

  12. Luis Melo diz:

    José Luís Lopes da Mota AINDA é procurador-geral adjunto e presidente do Eurojust. Aliás, fico pasmado ao saber agora que ele esteve na calha para substituir Souto Moura e ser procurador-geral da República (!!).

    Tendo sido suspeito de avisar Fátima Felgueiras possibilitando a sua fuga, tendo sido hipótese para PGR com o intuito de “travar” o caso Casa Pia, tendo sido provado que pressionou dois procuradores do caso Freeport… ainda alguém acha que este senhor tem condições de continuar a desempenhar qualquer uma das duas funções que tem? Pelos vistos parece que ainda há… este PS não tem vergonha na cara.

  13. R. diz:

    os escandalos sucedem-se e abafam os anteriores. como sempre nada acontece.
    venha o próximo.

  14. Manuel da Mata diz:

    Com a crise que vai por aí – e também porque já não se pode confiar em ninguém- vou começar a almoçar de pé, contra a parede, numa tasca qualquer só frequentada por populares.
    Isto está a ficar fresco!

  15. Sejeiro Velho diz:

    Em geral, os comentadores deste blog consideram que o inquérito ao tal Lopes da Mota o considera culpado. Se é culpado para quê instaurar um processo? Ouviram o que disse ontem o Bastonário da Ordem dos Advogados? Os magistrados do M.P. têm uma protecção constitucional que os torna imunes a pressões sobre o seu emprego ou carreira; só são vulneraveis a ameaças do tipo: “ou arquivas o processo ou mato a tua mulher”… Não me parece que tenha sido o caso:

  16. Joane, o Parvo diz:

    18:58
    Olha quem, o Bastonário da Ordem dos Advogados?
    Que melro tão convincente!
    Antes dele abrir a boca já sei tudo o que vai dizer.
    O que diz é mesmo só para consumo dos fiéis.

    Pois, nós já sabemos quem está sempre imune! Aconteça o que acontecer…
    O país não tem visto outra coisa que não: Águas de Bacalhau.

  17. António Figueira diz:

    Caro Sejeiro Velho,
    Eu também ouvi o que disse ontem (mais uma vez) o Bastonário da O.A., e pareceram-me duas coisas: que o Dr. Marinho Pinto faz uma confusão pueril entre o normativo e o factual (o facto de determinado preceito constitucional existir não impede que possa ser violado, evidentemente) e que a sua sanha corporativa, dirigida contra as magistraturas, lhe tolda um entendimento que já de si me parece fraco: o que diria o Dr. Marinho Pinto se o Presidente do Sindicato dos Magistrados do MP ou da Associação Sindical dos Juízes (associações cuja legítima existência ele contesta, N.B.) fizesse comentários da mesma ordem sobre a advocacia ou os advogados em geral?

  18. EU diz:

    Sejeiro Velho,
    O que mais me escandaliza, mas ninguém parece achar importante é o seguinte : vejo gente com cargos de relevo a dizer à boca cheia “Os magistrados estão imunes a pressões e como tal não são pressionáveis”.
    Parece tudo muito certinho, não parece??
    Quer isto dizer que, se alguém andar a tentar corromper ou chantagear magistrados, não faz mal nenhum? (são imunes?! assim tão, tão, tão imunes?!?)
    E se algum mal houver será única e exclusivamente culpa do “magistrado imune”? (que não soube lidar com a pressão ou deixou-se corromper)
    Ninguém percebe que isto é lançar Água Benta para cima do pressionador e corruptor?
    É legítimo tentar corromper? (Até parece que sim!)
    Farto-me de ouvir gente ilustre entre os quais o Grande Bastonário defendendo que os magistrados não têm nada que se queixar de pressões.
    Pois, escandaliza-me que “imunes” ou “não imunes” haja quem queira passar por legítimo e normalíssimo andar a pressionar magistrados… Porque, quando os oiço é isso que sobressai (pressionar não tem mal nenhum, o que tem mal é que algum abra a boca para se queixar disso, isso é que é gravíssimo).
    E pior ainda quando oiço o Admirável Bastonário a vender ao povo tal versão.
    Já me fartei de ouvir “ilustres” da nação dizer que se um magistrado não está preparado para lidar com pressões, então o melhor é sair da profissão.
    Para quê?
    Para que os que andam a pressionar possam trabalhar mais à vontade? (pergunto EU)
    Surte efeito!
    O resultado está à vista: Quantos Poderosos estão na cadeia?

  19. Paulo Ribeiro diz:

    ó “eu” que é tão pueril! haja deus! tanto bate-boca. e tudo porquê? o que me assombra e dilacera é o motivo espantosamente imbecil por trás desta comédia: então é assim tão inusual colegas não se gramarem? nunca ouviu o famoso: – vou fazer-lhe a folha! pois eu acho que o troll que manda nos advogadozecos tem razão! carradas de razão! repito: vivemos rodeados de uma cambada de indignados, alguns deles, são até detentores de soberania. livra!

  20. EU diz:

    Ora, pois!
    E pueril sou EU?

  21. EU diz:

    «Qualquer coisa que se passasse – e eu não sei o quê – seria uma coisa interna. Pelo que houve, até, alguma infidelidade ou deslealdade desses magistrados em relação ao Procurador-Geral da República, que é seu superior hierárquico”, considerou Arnaut, em Coimbra. O advogado frisou ainda que, para além disso, “nenhum magistrado que se preze pode dizer que foi pressionado”. “Se me dissessem a mim para agir de determinada maneira eu nunca me consideraria pressionado, porque eu não sou pressionável”, explicitou, dirigindo-se aos jornalistas. » in Público, 14/05/2009

    Quem é António Arnault? O que pretende?
    Pressionar é legítimo?
    Denunciar é que não?
    Onde mais é que já ouvi isto?

  22. Joane, o Parvo diz:

    Em Portugal ninguém está acima da lei?
    Ninguém?
    Ninguém?
    Ninguém?

    (POORtuguese)

  23. Camelo no buraco da agulha? diz:

    Ele há cada coisa: e porque ‘aceitaram’ ir almoçar? Almoçar já é pressionar? E o que responderam (olhos nos olhos, copo na mão) às javardas pressões? E a ‘denúncia’ ao Sindicato, revela o quê, a nível de ‘magistrados’? Onde está a ‘coluna ver-te bral’ desta ‘cambada’?
    E se as pressões fossem ao contrário (façam render o peixe…) também tinham sido denunciadas… claro… nem era preciso almoço 😉

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