Rico homem



José Sócrates é um dos clientes da mais exclusiva (e cara) loja de Beverly Hills onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada e todo o staff de empregados à sua disposição.

Esta notícia já tem alguns dias, e desde que a li esperei um desmentido. Não aconteceu.
Ao que consegui apurar o salário base de um primeiro ministro em Portugal ronda os 5.500 €. Uns dirão que é uma exorbitância, mas para que se perceba o contexto, é cerca de metade do correspondente vencimento do primeiro ministro grego. Ao cidadão José Sócrates, nos últimos 15/20 anos da sua vida, não se conhece grande actividade empresarial ou assalariada para além dos vencimentos de deputado, secretário de estado e ministro (sempre inferior à remuneração de primeiro ministro).
A loja que veste Sócrates, Bijan, é uma das mais exclusivas do mundo. De acordo com a I “um par de meias custa 50 dólares (37 euros) e um fato completo pode chegar aos 50 mil dólares (37 mil euros)”.
Se é justo dizer que ninguém tem nada a ver com as despesas que o cidadão José Sócrates faz com a sua roupa, é vital para a nossa democracia e para a credibilização da acção dos titulares de órgãos de soberania, que se dê todos os instrumentos à justiça para que possa averiguar eventuais fenómenos de enriquecimento. Estando em crer, que todos são pessoas de bem, retirava-se esta áurea cinzenta e de soberba que paira sobre os titulares de órgãos de soberania.

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19 respostas a Rico homem

  1. Grunho diz:

    E onde é que ele compra as cuecas?

  2. Ó tiago,sinceramente, uns trapos com assinatura são sinais exteriores de riqueza, motivo para inquérito parlamentar e o diabo a sete?
    Bom senso, recomenda-se.

  3. rff diz:

    E eu que me estou cagando para o Sócrates pergunto:
    Onde está o interesse do tema para o cidadão comum?
    Eu por mim o gajo até pode gastar o dinheirinho dele nas meninas do Técnico, sem qualquer desprimor para as ditas. Mas a fotografia é bonita e fica bem….

    Saúde

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Miguel, respondendo directamente à tua pergunta: Não.
    Mas imagina que uma personagem X, declara um rendimento anual de 50.000 € e um património nulo. Não seria estranho se comprasse um automóvel de 50.000 €? Não seria de investigar?
    É que até pode ser justificável!.

  5. . diz:

    Ó Tiago, esse exemplo foi bem infeliz. A maior parte dos portugueses compra carros de valor bem superior ao seu rendimento anual, não é?

  6. Se fosse em função dos valores que dizes, seria uma pura perda de tempo. Seria andar atrás de arraia miúda quando muito.
    Mas que diabo, estamos a falar de umas fatiotas catitas, não se trata de um iate, de um rolls, de uma ilha no dubai, de um loft com vista para o central park.
    Vais me desculpar mas isto faz me lembrar um pouco aquela atitude execrável de criticar os comunistas que sendo bem sucedidos na vida se lhes aponta o facto de terem uma boa casa ou um bom carro, como se fosse uma hipocrisia ou uma contradição insanável.

  7. A notícia tem seis meses, saiu pela primeira vez na Visão.

  8. maria monteiro diz:

    Mais um dogma: o milagre da multiplicação da riqueza

  9. Su diz:

    Vê-se que não é necessário grande “furo” jornalístico para desencantar pequenas notas destas. Elas sucedem-se, simplesmente, a um ritmo risível. Não fosse potencialmente trágico a toda uma nação.
    Para não falar das grandes suspeitas, não provadas até ao momento.
    Nada disto é aparentemente importante.
    Pode mesmo ser só fumo.
    Só que a explicação lógica de tanta fogaça junta é de que o fogo está lá. As simple as that.

  10. Su diz:

    A “campanha negra” em curso não seria tão profícua se o nosso primeiro não desse tanta ajuda.
    Que amadorismo, com franqueza. Ao menos que as saiba fazer…
    Bom, já relativamente à Taxa de Basófia… upa, upa, amigo…

  11. António Figueira diz:

    As simple as that.

  12. BeloCupido diz:

    Não há boa roupa na Modalfa? Ou na Sacoor? Portuguesa?

  13. Gostei do pormenor “Jóse”

  14. Joane diz:

    Alentejana: “Zézito, por que vestis roupas tãã caraas?”
    Zézito: “É para ficar mais bonito”.
    Alentejana: “Ai… é? Atãã porque é que nãã ficas??”

  15. A chatice, Tiago, é que tenho para mim que estas despesas não saem do orçamento do cidadão Sócrates if you know what I mean. Isso sim, era importante apurar.

    Acho lindamente os sinais exteriores de riqueza do cidadão Sócrates, só tenho pena que não sirvam para nada; já os sinais exteriores de riqueza do Estado português nesta altura do campeonato…

  16. Pingback: União Nacional dos Imbecis at Aspirina B

  17. Jorge C diz:

    Ficaste à espera de um desmentido?

    E ainda continuas na blogosfera?
    Lá inteligente não és….

  18. Patricia diz:

    Ora bem essa das marcas tem muito que se lhe diga,exprimente dar uma volta pelas feiras de venda de roupa e vai ver a quantidade de marcas famosas vendidas ao preço da chuva.Eu tive uma colega que comprava duas ou tres camisolas de boa marca e o resto na feira e dava-se ao trabalho de cozer e descozer as etiquetas de umas para as outras.Mas afinal qual é o superior interesse politico do seu post(para alem de atacar o Socrates)?

  19. Pingback: Bijan, Beverly Hills – A loja preferida de José Sócrates « Aventar

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