Está confirmadíssimo: iremos todos prá cadeia

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Marina Abramovic (Auto-retrato com maracas)

O “p.socialista” (cof, cof, cof, como diz o experiente LAM) não larga o assunto [Vital M.] e faz muito bem: justiça é justiça, e a verdade tem de estar sempre, sempre em primeiro lugar. É preciso apurar tudo, tudo!
Entretanto, a pessoa que redigiu aquilo que cito no meu post “IDENTIFICAR e PUNIR” acrescenta agora no seu blogue toda a fundamentação jurídica (trabalho realizado com estudo e abnegação) para que nós, os violentos (e se o somos!), marchemos a caminho de uma instituição que nos reeduque; citação e fundamentação jurídica:

“Comete o crime de ofensa à integridade fisica simples, p. e p. no art. 143.º do CodPenal, quem conscientemente queira causar ferimento físico, sofrimento ou perturbação física em outrem, qualquer que seja a forma do dolo (directo, necessário ou eventual), ou seja, desde que o agente, actuando conscientemente e com ciência da ilicitude, represente um daqueles eventos como consequência directa, necessária ou eventual da sua actuação. Ofensa corporal é não apenas a ofensa que atinja o corpo e a saúde, mas também a violência que se destina a atingir o corpo ou o espírito, isto é, que provoque dôr ou incómodo físico e que foi praticado com essa intenção, embora sem produzir doença, incapacidade para o trabalho ou mesmo dôr física (Cfr., entre outros, Ac. do plenário do S.T.J., publicado no D.R., 1.ª série, de 8-2-93; Ac STJ, de 24-11-93, BMJ, 431-263; Ac. RP, de 27-11-85, C.J., t.5, 193; Ac. R.C, de 27-1-82, C.J., t.1, 115 ; Ac. R.P, de 13-1-88, C.J., t.1, 152; Ac. R.L. de 26-6-90, C.J., t.3, 175 ; Ac RP , de 24-11-99 , CJ, ano XXIV, t. V , p. 235 ).”

(Volta a não ser necessário link, claro.)
Resta-nos comportarmo-nos como estas modelos da artista Vanessa Beecroft, se quisermos escapar. Que fazer? Marchar em alinhamento perfeito, olhar para a câmara, respeitar quem manda. Sempre. O fim deste mundo está para breve. Mas, até lá, ainda podemos rir mais um bocado.

vanessab

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12 respostas a Está confirmadíssimo: iremos todos prá cadeia

  1. Joane, o Parvo diz:

    Auto da Barca do Inferno

    Vem Joane, o Parvo, o que fala verdades muy cruas, e diz à Arrais do paiz, a Justiceira buscadora de vengança :

    PARVO

    Hou daquesta!

    LEI

    Este é! Entra já!

    PARVO

    Eu soo. É esta a naviarra nossa?

    LEI

    É. E pursugimos quem? Num escutastes! E persuguimos-te por quê?

    PARVO

    Por muy palrar…Os ruins no reino num s’ anunciam?.Seus nomes num se pernunciam?

    LEI

    Tendes de pagar, num escustastes ordens muy superiores: Calai! Vossa naviarra é. Entra!

    PARVO

    De pulo ou de voo? Hou! Pesar de meu avô! Soma, vim adoecer de faladura e fui má-hora morrer em agonia, e nela, pera mi.

    LEI

    De que morrestes? Botastes discursos em demasia? Num vistes ordens murdaça?

    PARVO

    De quê? Samicas de asneira muy verdadeira?.

    LEI

    De quê?A quem?

    PARVO

    Sofreis de quê? Entendeis do quê? Má rabugem que te dê!

    LEI

    Entra! Põe aqui o pé!

    PARVO

    Houlá! Nom tombe o zambuco!

    LEI

    Entra, tolaço palrador, que se nos vai a maré!

    PARVO

    Aguardai, aguardai, houlá! E onde havemos nós d’ir ter?

    LEI

    Ao porto de Lucifer ha muy infernais prisones aguardando por vós discursantes.

    PARVO

    Ha-á-a…

    LEI

    Ó Inferno! Entra cá!

    PARVO

    Ò Inferno?… Eramá… Hiu! Hiu!

    Furta cebolas! Hiu! Hiu! Excomungado nas erguejas! Burrela sejas! Toma o pão que te caiu! A mulher que te fugiu per’a Ilha da Madeira! Toma o pão que te caiu!

    Hiu! Hiu! Lanço-te üa pulha! Dê-dê! Pica nàquela! Hump! Hump! Caga na vela! Hio, cabeça de grulha! Perna de cigarra velha, caganita de coelha, pelourinho da Pampulha!

  2. jmf diz:

    A Pobreza é a MAIOR da VIOLÊNCIAS! A JUSTIÇA TEM A CHANCELA DE CLASSE,por isso os amigo do dito,não estão na cadeia e, andam a pasear-se de carros ede luxo e a viverem à grande e à francesa….
    esse,deve ser um palhaço ao serviço dos bandidos e por tal deveria levar i justo correctivo.Vejam lá se o gajo, falou dos bankters e da violência exercida sobre a maioria.Sinceramente,com esta gente já não há palavras….

  3. jmf diz:

    Mais,com estes exemplos classistas,ele que limpe o cú ao Doireito Romano que foi feito para livrar a classe opressora.Vá ler Marx!!!E,como está actual

  4. Cuidado com a língua.

    O CV não é para brincadeiras…. o gulag está com vagas à espera dos detractores da doutrina…

  5. Carlos Vidal diz:

    Ricardo Ferreira, eu sou muito pior do que Sócrates e Jorge Coelho.
    Quem se mete comigo está feito.
    Democracia?
    O que é isso?

  6. almajecta diz:

    Aí uma das vizinhas e fundadora (ARQ) já fala em crimes de ódio with jargon and pompous language.

  7. Joane, o Parvo diz:

    Marina Abramovic inspirou-se na Capela dos Ossos em Évora?
    “Nós os ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”

    “As caveiras descarnadas
    São a minha companhia,
    Trago-as de noite e de dia
    Na memória retratadas” – inscrito na coluna das caveiras

  8. Carlos Vidal diz:

    Joane, o seu comentário é muito importante, pois permite comentar onde se inpirou a Marina Abramovic. A obra em que ela mais longe levou a inspiração da morte, a sedução da morte, a esteticização da morte, foi “Balkan Boroque” (1997), lindíssimo título que diz tudo. À primeira vista, a sua inspiração é a violência visceral balcânica. Mas depois, pensando bem, o que Marina denuncia, e isto acho-o muito importante, são os estereótipos através dos quais definimos e caracterizamos os povos balcânicos: bárbaros, etnicamente agressivos, gente que vive em comunhão com a morte. O que ela nos diz é o seguinte: acreditamos nas pessoas (em todos nós) ou nos estereótipos nos quais nos reduzem?
    Por isso, à sua pergunta eu responderia: Marina inspira-se nos estereótipos “balcânicos” para nos dizer que eles são estereótipos.
    Mas nós, todos nós, somos o que somos e não os nossos estereótipos.

  9. Joane, o Parvo diz:

    Caro CV,
    Vi Balkan Baroque (1997 e 1999) e achei muito bom, muito bom mesmo. Marina Abramovic é excelente actriz/artista. Num mundo onde todos “fazem-de-conta” (desde o berço se é ensinado a “fazer-de-conta”), onde há gente tão alienada de si própria, do seu verdadeiro “Eu/Self”, que é incapaz de se reconhecer mesmo que lhe seja posto um espelho à frente, ainda se valorizam mais aqueles que são capazes de se expor até ao limite, questionando as referências e modelos colectivos herdados e aceites acriticamente pela maioria. O que parece mais interessante em Balkan Baroque é haver uma personagem (encarnada por Marina A.) que se propõe a experimentar um pouco de tudo até aos mais recônditos limites físicos e psicológicos (uma experiência com muito de masoquismo…), criando, impondo uma narrativa distinta, onde se cria espaço à afirmação da individualidade tão plural e subjectiva. Há uma corajosa e incessante busca de individualidade no confronto rebelde com tudo o que é aceite colectiva e obedientemente (só porque: “Sim!”). Uma espécie de “grito do Ipiranga”, afirmando, exigindo o direito ao individual face ao social. Interessantíssimo!
    Saudações

  10. Joane, o Parvo diz:

    O comentário de Joane parece fazer todo o sentido.

    Para aqueles que se interessam por temas como a política versus sociedade versus cultura/arte versus individualidade genuína, aconselho vivamente dois livros excelentes, de leitura extremamente fluida, onde um psicanalista de renome, Arno Gruen, desconstrói de forma clara como foi possível homens anormais, serem considerados normais (ex: Hitler, etc.) chegarem ao poder e serem idolatrados pelas multidões (são os que têm sede de poder e do elogio fácil e oco, ignorando que a confirmação ou negação de tudo o que nos é dito apenas se encontra dentro de nós próprios). Enquanto que muitos dos que são considerados, rotulados “loucos, marginais” pela sociedade, revelam, afinal, ter um núcleo individual genuíno, não se conformando, recusando-se a trair o que há de mais genuíno dentro de cada ser humano.
    Os livros são: “A Traição do Eu” e “A Loucura da Normalidade”, editora Assírio e Alvim (pareceu-me uma tradução razoável).

  11. almajecta diz:

    Esta artista e actriz nunca primou por grande talento, tem intervenções muito ilustrativas e narratológicas.

  12. Patricia diz:

    Essa das instituições de reeducação tem muito que se lhe diga,parece que era muito usada em alguns regimes que desabaram com o Muro.Uma coisa que me faz muita confusão é a luta politica ser feita com insultos,assobios,arremesso de ovos e outros produtos semelhantes,pateadas.Será que resulta da inspiração do comportamento das claques de futebol ou são as novas e avançadas formas de luta na sociedade portuguesa.De uma coisa tenho eu a certeza não são actos que agradem a grande maioria dos potugueses felizmente.

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