Hipocondria ocidental

 

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Cancun. Mujeres

 

Toma um comprimido,

toma um comprimido,

qu’isso paaassa!

António Variações

 

Não bastava a porcaria da crise económica, o desemprego e outros flagelos sociais para os media nos azucrinarem ainda mais o juízo – não! Também tinha de aparecer a história da gripe suína para dar cabo do resto da paciência das pessoas.

 

Isto por Londres é uma paranóia. Sempre que alguém espirra ou tosse ou se queixa de dores de cabeça é o fim do mundo: “Oh my gosh! Have you been in México?” Como sofro de alergias na Primavera, e como eu, milhares de pessoas, agora imaginem a quantidade de espirros e tossidelas.

 

A humanidade sempre esteve à mercê de pestes e doenças. Infelizmente, é normal desencadearem-se epidemias mas, o que não deveria ser normal é a “informação” a conta-gotas de um caso isolado aqui e acolá e, esse caso ser esmiuçado até ao tutano, como está a acontecer nos blocos noticiosos.

 

Enquanto estou a escrever estas linhas, mais de cem pessoas estão a morrer de malária, tuberculose, de mordeduras de víboras, de fome, de guerra, de cancro, etc. etc. Só em África, morrem centenas de pessoas por hora devido à malária ou à Sida, pessoas paupérrimas que não têm médicos, farmácias, antibióticos, dinheiro ou mesmo água potável. Ninguém fala destes desgraçados porque são desconhecidos do designado “terceiro mundo”. Mas, falar de um “par de jarros” lá da Escócia, que esteve em lua-de-mel no México, isso é pano para mangas em jornais e canais televisivos.

 

Já pensaram que esta variante de gripe (bastante perigosa, por sinal!) pode ter sido criada em laboratório para escoar antibióticos e outros medicamentos?! E que foi incubada num país onde os bairros de lata são inúmeros, onde a pobreza e a doença espreitam a cada esquina?! Todavia, um país com estâncias de férias obscenamente  luxuosas e nas quais todo o cão e gato ocidental quer bronzear o rabo. Conheço muito boa gente que já gastou um esparrame de dinheiro para ir a Cancun mas nunca viajou pelo nosso país ou por Espanha. Só para dizer aos amigos que foram a Cancun (raio de nome!).

 

Não é à toa que a indústria farmacêutica “engorda”  a olhos vistos no mundo ocidental. Hoje em dia há panaceias para tudo e mais alguma coisa. Quem tem dinheiro compra tudo, até a eterna juventude.

 

O mundo ocidental está doente, de facto. Mas não é de doenças físicas… É  de mal estar psíquico, espiritual; é de decadência ética e estética. Estamos todos doentes há muito tempo, há séculos. Estamos todos a olhar para o nosso umbigo ocidental e com medo disto e daquilo. Já disse a uma pessoa amiga para deixar de ver Telejornais  e que começasse a fazer coisas interessantes e positivas porque ela anda nervosa com as noticias.

 

Interessante sim, são as ondas de protesto social e económico em França. Eu já havia dito noutra crónica que os franceses são tesos – ai, são pois! Assim é que é. Queixam-se onde lhes dói e onde lhes dói é na carteira. O espírito revolucionário continua vivo no povo francês. Isso é muito bom. E é neles que tenho os meus olhos. Não na parvoiçada mediática dos “porcos”. Vive la France!! Oink…Oink

 

Londres, 3/5/2009

 

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9 respostas a Hipocondria ocidental

  1. Teodoro Silva diz:

    Após o horror das guerras, a Europa conheceu a prosperidade financeira, social e sanitária na segunda metade do século XX, apesar das guerras coloniais que se lhe seguiram. Criminoso é constatar que os actuais dirigentes, sobretudo os do terceiro mundo, apenas privilegiam o financeiro, negligenciando tudo o resto, provocando com isso doenças e epidemias, que, neste mundo de viagens fáceis e rápidas, se transmitem a nível global. Para quando a responsabilização dos dirigentes relapsos? Eis um bom assunto para Baltasar Garzón.

  2. ezequiel diz:

    sim, é verdade, o espírito contra-revolucionário está em alta na França.

    é só esperar pelas próximas eleições.

  3. Pisca diz:

    Intereressante seria um dia fazer um apanhado das “beneméritas” ONG’s, que se dedicam a ajudar os “pobrezinhos” e “deserdados” do 3º mundo, pondo tudo à sua disposição, apenas com um pequenissimo senão, terão quer as coisas/tralhas que acham/impõem, aplicar, da maneira que muito bem entendem, sem margem para discussão, fora outros pequenos detalhes muito convenientes para quem vai “sacrificar-se” para o terreno, uma pessoa não é de ferro.
    Desde o o dia em que contaram uma célebre campanha de vacinação feita num País dos Palop’s fiquei esclarecido, depois com o me que foi dado ver no dia a dia, completei o quadro.
    Não há peditório que me convença

  4. Pingback: cinco dias » Será amanhã o começo das hostilidades: KENNETH ANGER na Cinemateca, em Serralves e na ZDB

  5. Carlos Fernandes diz:

    Excelente post; esperemos que isto seja tal como o foi a gripe das “aves”, que se fosse pela importância e espaço que os Media lhe deram, a esta hora já estávamos a “fazer tijolo”.

    Só um aparte: tem (mais do que)razão sobre a indústria farmaceutica. È de facto muito, mas mesmo muito poderosa. Mas são grandes anunciadores e compradores de espaço publicitário, por ex. … Veja lá quantos (se calhar os dedos de uma só mão chegam e sobram para os contar) programas ou peças ( ou filmes, já que está nessa indústria) com olhar mais crítico é que foram e são feitos?

  6. Segunda-feira, Maio 04, 2009
    O BLOCO CENTRAL

    Nos últimos dias, não há cão nem gato que não defenda o retorno ao Bloco Central. O Bloco Central, para quem não sabe, foi a fórmula inconsequente que o PS e o PSD arranjaram para comer da mesma gamela. Fórmula inconsequente, isto é, contrária à lógica e ao bom-senso, absurda, ilógica, contraditória, revelando falta de reflexão, de ponderação e de prudência, irresponsável, irreflectida, imprudente e leviana. Lamento, mas não há outra forma de colocar a questão.

    O governo do Bloco Central, o 9.º Constitucional, chefiado por Soares, durou de 9 de Junho de 1983 a 5 de Novembro de 1985. Cavaco entrou em cena no dia 6. Era preciso fazer as reformas estruturais que o Bloco Central não fizera. Passaram 24 anos, e toda a gente acusa o governo actual de não ser capaz de levar até ao fim as reformas estruturais. Como em 1983-85, também em 2009 fazer reformas estruturais significa reformar o Estado, a Justiça, a Educação e a Saúde. Grande parte da acrimónia universal releva das tentativas do actual governo para mexer nessas áreas. Pode lá ser!, brada a oposição.

    O pessoal anda agitado com o resultado das sondagens. Até ao mês passado, as sondagens davam, grosso modo, 69% ao Bloco Central: cerca de 40% para o PS, e de 29% para o PSD. De acordo com os últimos números da Universidade Católica, hoje divulgados pelo Diário de Notícias, esse patamar subiu agora para 75%, ou seja, para três quartos do eleitorado: 41% para o PS, 34% para o PSD. Os mesmos números dizem-nos que há mais 19% à esquerda do PS (o BE com 12%, a CDU com 7%). E só 2% a acrescentar à direita do PSD: os 2% do CDS-PP.

    Face aos números, tese por tese, faria mais sentido discutir a possibilidade de acordos pós-eleitorais, de incidência parlamentar, entre o PS e um dos partidos à sua esquerda. Desenterrar o Bloco Central, numa altura em que PS e PSD defendem modelos diametralmente opostos de gestão da coisa pública, serve para foguetório mas não leva a lado nenhum.

    Etiquetas: Política nacional, Sondagens

    posted by Eduardo Pitta at 6:40 PM url
    Domingo, Maio 03, 2009
    LER OS OUTROS

    Um livro cada domingo. Em pouco tempo, Henrique Raposo (n. 1979), que a si mesmo se classifica como jovem underdog, construiu uma reputação de colunista político. Oriundo da revista Atlântico, actual colaborador do Expresso, acaba de publicar A Caipirinha de Aron, colecção de Crónicas de um Liberal Triste. Partindo da improvável osmose entre o autor de L’Opium des intellectuels e o de Toda nudez será castigada, ou, dito de outro modo, do «conflito entre Aron e o Anjo», o Henrique disserta com o mesmo desembaraço sobre Haydn e a lei das rendas. Como observa Rui Ramos na contracapa, «Há aqui estilo como o estilo deve ser: resultado de trabalho e não de pose.» Acrescentaria, a seu favor, a evidência de uma escrita isenta do modo partidário de escrever que contamina tanta “opinião” publicada. Ao contrário dos grandes moralistas do imediatismo em prime-time (a maioria acaba com as calças nas mãos, como um famoso episódio recente acaba de ilustrar), o Henrique tenta estabelecer um fio condutor no quotidiano de um país avesso à perspectiva histórica. Estas reflexões estão divididas em três núcleos: o primeiro ocupa-se do Estado de Direito; o segundo do Estado Social (ou seja, o Estado Social-Porreiro, a III República, os direitos adquiridos, política & negócios, etc.); e, por último, o terceiro, daquilo a que o Henrique chama o ar do tempo: relativismo multiculturalista, ambientalismo dogmático, etc. Não concordo com muito do que o autor defende, mas isso não está em causa. Um intelectual da direita? E então!?

    O Mundo Perfeito acabou. Explica a Isabela: «[…] Não posso dar-me ao luxo de escrever como escrevo num espaço que ainda permite abusos tão graves e impunes do ponto de vista da autoria moral dos textos aí publicados. Foi aqui ultrapassado, a meu ver, um limite ético, que nada tem a ver com liberdade de expressão. Por outro lado, sinto que o que fui escrevendo sobre as minhas memórias coloniais, as quais considero historica e politicamente relevantes, foi sendo erradamente interpretado. Afinal, talvez não seja possível escrever sobre colonialismo três décadas após o seu término, a não ser como se espera vê-lo escrito. Talvez o colonialismo não tenha terminado ainda. Talvez seja confuso isto de uma mulher não conservadora, um pouco anarca, independente de esquerda ser simultaneamente filha de uma pesada herança colonial que não nega. […] Tenho muita pena de terminar aqui, e de forma tão inesperada, um blogue que foi a minha vida durante quatro anos. […] Decidi assim porque não quero que haja aqui equívocos, os quais nunca alimentei; as coisas são simples: quem manda aqui sou eu, sempre foi assim; os textos que aqui publiquei pertencem-me inteiramente do ponto de vista legal e não tolero que sejam usados para fins que considero moralmente questionáveis. Sou eu que decido o que fazer com eles. […]»

    Almocreve das Petas: «[…] O episódio insensato e intolerante que se passou na concentração (e manifestação) do 1.º de Maio com o candidato Vital Moreira, que abriu telejornais e relembrou outros “esquisitos” acontecimentos – casos da Marinha Grande, Felgueiras e Matosinhos –, é absolutamente lamentável ao mesmo tempo que não desculpa ninguém. […] Por isso, neste alucinado espectáculo, ninguém está de fora. Os exaltados sujeitos que tentaram tirar esforço de Vital Moreira, extravasaram os limites da civilidade, e praticaram um acto gratuito e provocatório, que contra eles se virou. […] Esta inesperada feira, em pleno 1.º de Maio, sugere que os tempos que vamos assistir vão ser de lodo e destruição. A degradação económica e política, a intolerância, a oratória pífia, impregnam os ares. Revolver as cinzas, é o que nos resta. Se ainda tivermos tempo!»

    Filipe Nunes Vicente: «Imaginem Alegre numa passeata com Louçã. Imaginem uns amigos de Mário Machado que insultam e empurram Alegre. / Imaginem Louçã no prime-time dos telejornais.»

    Paulo Ferreira: «Se comprar algum produto na Praça LeYa, guarde o talão. Os sensores anti-roubo continuam a não funcionar correctamente, ou os assistentes simplesmente se esquecem de tirar o autocolante que activa o sistema de protecção, e o mais certo é ficar um bom pedaço à saída a justificar-se. Se comprar algum produto na Praça LeYa, tenha os livros que comprou à mão. Pois nunca se sabe se não terá de fazer prova que pagou cada um dos produtos que leva no saco. […]»

    Tomás Vasques: «Num país de cantigas de escárnio e maldizer, as mordomias contam muito. E a inveja, também. Até lhe chamamos “dor de cotovelo”. É caso para dizer: os cavalos também se abatem. Às vezes abatem-se uns aos outros.»

    Etiquetas: Blogues, Nota de leitura

    posted by Eduardo Pitta at 12:36 PM url
    INTERDITOS

    Agora que o n.º 80 [Maio] da LER já está na rua, aqui fica a crónica Interditos, que publiquei na minha coluna Heterodoxias, no n.º 79.

    As democracias não estão isentas de interditos. Em tese, tudo é permitido. Na realidade, as patrulhas vigiam. Entre nós, o bufo-a-bem-da-Nação multiplicou-se a coberto de redes de anonimato garantido. A intolerância do bufo é sem medida. O bife do vizinho, por exemplo. Pelo bife, questão moral, será capaz de toda a ignomínia. Se a coisa meter trufas ou foie gras, a torpeza atinge o zénite. Talvez aceite o carapau e a meia-desfeita, mas nunca o cacciucco, porque o cacciucco regado a viognier é o retrato do seu falhanço. O que é o cacciucco? É a versão toscana da bouillabaisse, com casca de laranja (ripas fininhas) em lugar do açafrão. Aí chegado, o bufo cega.

    Num país pequeno, pobre e mesquinho como ainda é o nosso, nada como a ideia de gourmandise para fazer vir à tona o ressentimento de sucessivas gerações de subalternos. Não admira. Enquanto o vasto mundo investia na pirotecnia culinária, criando uma cozinha de ornamento e álibi de que a variante molecular é o anticlímax, a cintura industrial de Lisboa celebrava os amanhãs que cantam com o consumo imoderado de sapateiras. Teve o seu tempo a desforra contra o trivial dos patrões. Agora que acabou, subjaz o rancor. O intelectual foi sempre o homem a abater, o ar do tempo apenas mudou as munições.

    Num poema menos citado do que devia, Alberto de Lacerda resume: «O exílio é isto e nada mais / Na sua forma mais perfeita: / Hoje na terra de meus pais / Somente a luz não é suspeita». De facto.

    Como o preconceito fez escola, as patrulhas não desarmam.

    Vejamos: literatura gay. Nada como a literatura gay para desatinar o bufo. Mas o que é literatura gay? São os livros de Proust, Thomas Mann e Gore Vidal? Ou só os de Genet, Edmund White e Andrew Sullivan? E porquê? Os homossexuais enrustidos não contam? E os não enrustidos mas muito bem comportados, daqueles que as senhoras gostam de casquinar ao chá? E os poetas epicenos driblando os tropos?

    Por que será que nunca nas livrarias vi bancas reservadas a escritoras com pêlos nas axilas? Será porque a mulher peluda é um fantasma subliminar? A lógica do livreiro que separa Virginia Woolf, Yukio Mishima, Renaud Camus, Thom Gunn, Elizabeth Bishop, Joe Orton, Ali Smith, Caio Fernando Abreu, Armistead Maupin ou Paul Monette, entre tantos, radica no preconceito e na ignorância. Isso explicará a omissão de Guimarães Rosa. Afinal de contas, não é fácil explicar a história dos jagunços Riobaldo e Diadorim. Verdade que o equívoco dá emprego a muita gente. Sem armário, não havia departamentos de lesbian and gay studies. Sob o aparato da teoria dos géneros, são ínvios os caminhos da exclusão.

    E depois há o Manoel de Oliveira.

    O Manoel de Oliveira tem 100 anos e pôs o cinema português a falar francês. Em 1972, O Passado e o Presente juntou na Gulbenkian os próceres do Estado Novo e o Gotha do reviralho. Passado o intervalo da revolução, Manoel de Oliveira tornou-se, por mérito próprio e vantagem sobre o russo, o Eisenstein do Douro. Por causa dele, a Deneuve passou a comer tripas e arroz de couve penca. Por causa do que ele fez ao Camilo, a pátria entrou em tumulto, não me recordo já se em 1978 ou 79. A paz chegou com Francisca (1981), e mais ninguém piou. O dogma não se discute. Entre curtas e longas, para cima de 40 filmes, acertando as vezes todas que quis. E não foi uma nem duas. O problema não é o Manoel de Oliveira. O problema é terem feito dele uma versão camp de Nossa Senhora de Fátima. Isso não se faz com um homem do seu tamanho. Por estas e por outras, mais estas do que aquelas, um amigo brasileiro, espectador dos festejos do centenário, perguntava: «a coisa não tá ficando meio xiita?» A gente ouve e engole em seco.

    Minudências? Decerto que sim.

    Exemplos de como um atavismo de séculos sobreleva o verniz da democracia. Foi em vão? Trinta e cinco anos de puro desperdício? Herdeiros de Marx e Maurras, para sempre condenados às patrulhas invisíveis?

    Etiquetas: Crónica, Nova LER

    posted by Eduardo Pitta at 9:55 AM url
    Sábado, Maio 02, 2009
    DIÁRIO DA FEIRA

    Consta que não vou à Feira do Livro. Não é verdade. Todos os anos vou lá uma vez. Este ano foi ontem. Deu mau resultado, apesar de boa cavaqueira com o Jaime Bulhosa, a Ana Maria Pereirinha, a Maria do Rosário Pedreira, o André Jorge, a Rosa Lobato de Faria e o Manuel Alberto Valente. Mas os desastres espreitam. Há sempre uma cadeira instável num estrado não certificado (ah! a mania dos regulamentos…), uma queda aparatosa que podia ter tido consequências funestas, uma médica prestável que surge da multidão — fica aqui o público agradecimento —, enfim, um incidente que acabou no Hospital da Luz.

    [A fotografia foi roubada ao Blogtailors.]

    Etiquetas: Diário, Lisboa

    posted by Eduardo Pitta at 7:35 PM url
    LER 80

    A LER n.º 80 [Maio] chegou hoje às bancas e livrarias. Desta vez, Carlos Vaz Marques entrevista José Eduardo Agualusa. Como diz Francisco José Viegas (e bem), um colaborador da revista não deve ser prejudicado pelo facto de o ser. O puritanismo do cordão sanitário é completamente bacoco. Agualusa, portanto! Discurso directo: «Receio […] que a concentração editorial possa prejudicar os escritores em início de carreira. Quando comecei a publicar, há 20 anos, o difícil era publicar o primeiro livro. Hoje o difícil é publicar o segundo. […] Poucas editoras estão dispostas a construir um autor. Isso leva tempo. […] Eu tive dificuldade em publicar o meu segundo romance, A Estação das Chuvas. O Zeferino Coelho levou muito tempo a dar-me uma resposta. Finalmente teve a coragem — e admiro-o até hoje por isso — de me dizer que não tinha condições naquela altura para fazer frente ao aparelho do PCP dentro da editora. E que portanto não o podia publicar.»

    Além das crónicas, recensões e pré-publicações do costume, neste número da revista são revelados os Prémios de Edição LER Booktailors 2007/08. A título de curiosidade, aqui ficam alguns: Editora do Ano, Tinta da China. Editora Revelação, Sextante. Livraria Independente, Pó dos Livros. Livreiro, João Paulo Martins [Férin]. Jornalista de Edição, Luís Caetano. Blogue de Edição, Bibliotecário de Babel. Promoção de Autor Português, Rui Manuel Amaral & Angelus Novus. Mas há mais! Por exemplo, o Henrique Raposo aponta cinco ensaios falaciosos publicados em Portugal. Não estou nada de acordo que meta o Said no mesmo saco da Fallaci, mas isso é para discutir com ele noutro sítio.

    Etiquetas: Nova LER

    posted by Eduardo Pitta at 7:15 PM url
    EUROPEIAS. 1ª PREVISÃO

    Eleições europeias. Estudo da Universidade Católica para o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Antena Um e RTP:

    PS — 39%
    PSD — 36%
    BE — 12%
    CDU [PCP+PEV] — 7%
    CDS-PP — 2%
    Outros — 2%

    Se estes números se confirmarem, o CDS-PP não elege nenhum deputado.

    Etiquetas: Eleições Europeias 2009, Sondagens

    posted by Eduardo Pitta at 11:00 AM url
    Sexta-feira, Maio 01, 2009
    CITAÇÃO, 168

    Tomás Vasques, Corrupção. Elementar!

    «Ontem, na Assembleia da República, soprou o vento da unanimidade entre todos os partidos políticos com assento parlamentar. Ninguém se deu ao trabalho de inventar a expressão “decidir em enriquecimento próprio”. Louçã não vociferou contra o “capital”; Jerónimo de Sousa nada disse sobre “transparência”. Paulo Rangel esqueceu o “enriquecimento ilícito”. Ninguém falou em corrupção, o que é um claro sinal de que a “luta contra a corrupção” na boca destes nobres deputados e dirigentes partidários nada tem de substancial: trata-se apenas uma arma de arremesso político.»

    Etiquetas: Citações

    posted by Eduardo Pitta at 11:45 AM url
    CITAÇÃO, 167

    Vasco Pulido Valente, Os cem dias de Obama, hoje no Público. Um parágrafo:

    «[…] Basta pensar que nada mudou no principal: na guerra do Iraque e na guerra do Afeganistão. Ou, se mudou, mudou para pior. No Iraque o plano de retirada militar é, sem tirar nem pôr, o plano de Bush e não é, na essência, um plano de retirada: a América vai conservar na região o número suficiente de tropas para garantir a “solidez” de um Estado que nunca será sólido. Por outras palavras, não sairá no futuro previsível — embora “acantonada” e sem (segundo se espera) funções de policiamento. No Afeganistão, para que Obama pede (sem muito sucesso) a ajuda da NATO e para onde já mandou mais 4000 homens, ninguém vê maneira de eliminar os taliban. Pelo contrário, a própria América começa agora a perceber o risco dos taliban, ou dos seus sócios, virem pouco a pouco a tomar conta do Paquistão, que tem, como se sabe, armas nucleares. […]»

    Etiquetas: Citações

    posted by Eduardo Pitta at 11:25 AM url
    Quinta-feira, Abril 30, 2009
    RESPIRAÇÃO ASSISTIDA

    Como se conta aqui, dez dirigentes da Função Pública foram punidos por incumprimento da avaliação dos funcionários sob sua tutela. Salvo dois casos (em dez), as respectivas identidades não mereceram divulgação por parte dos media. Mas, hoje, o Correio da Manhã dedica um artigo à directora-geral de infra-estruturas do ministério da Defesa, Clarinda de Sousa, «afastada do cargo por não ter efectuado no ano passado a avaliação dos funcionários do seu serviço.» E como é que esta dirigente é identificada pelo jornal? Como «mulher do ex-ministro da Economia, Mário Cristina de Sousa, ouvido recentemente pela PJ no âmbito do caso Freeport.» Não é extraordinário? Além de ministro de Guterres, Mário Cristina de Sousa foi docente universitário, secretário de Estado em governos do Bloco Central, presidente da EDP, etc., mas o que conta é a audiência na PJ. Olha se a jornalista tem dito que Mário Cristina de Sousa foi, como muita gente se lembra, o mandatário de Santana Lopes à Câmara de Lisboa! Era abusivo? Pois era! Isto do situacionismo não ser um problema de conspiração, mas de respiração (e, nalguns casos, de respiração assistida), tem muito que se lhe diga…

    Etiquetas: Media

    posted by Eduardo Pitta at 5:30 PM url
    A DOCE HOLANDA

    Esta manhã, em Apeldoorn, cidade a 90km de Amesterdão, o cortejo da família real holandesa (celebrava-se o Dia da Rainha) foi interrompido por um indivíduo que lançou o seu Suzuki contra a multidão que estava no local. Para já, quatro mortos confirmados e cerca de quinze feridos.

    [Foto de El País. Se clicar na imagem vê melhor.]

    Etiquetas: Mundo
    A ler:

    “O CIRCO

    A minha empregada está inconsolável. Tinha férias marcadas para Cancún e soube ontem que a agência cancelou o programa. Tudo por causa da gripe dos porcos! Mais furiosa ficou com a promessa de upgrade num destino mediterrânico. (…)”
    http://daliteratura.blogspot.com/2009/04/o-circo.html

  7. jose neves diz:

    olá Ondina, sou o José. Emtempos já te tinha deixado aqui um comentário e depois deixei cair este blog na pasta dos favoritos, o que anda próximo de um limbo pessoal. Não tenho nada a dizer sobre a gripe dos porcos, que se lavassem, que continuo a ser de um asseio extremo e nada me chaga, a não a porcaria das baratas que continuamente piso nas escadas do meu prédio desde que a Primavera se instala até que o Verão se retira. Aliás, no estado em que o ensino se encontra – é verdade, este ano regressei à masmorra! – exterminar baratas é bem capaz de ser uma função mais rentável, pacífica e de maior cariz social.

    Bom, tudo isto para te dizer que tenho saudades tuas e vieram-me à memória as nossas manifestações canoras em estilo sopranino na maldita faculdade de letras, que deus a tenha.

    gostaria, se possível, entrar em contacto contigo voa mail, só para retomar conversa e cumplicidade. o meu mail é: joseasn@nullgmail.com

    beijo

    josé neves

  8. jose neves diz:

    correcção: onde se lê voa, leia-se via, embora o lapso esteja dotado de uma voluntariosa vontade de zarpar daqui para fora.

    beijo

  9. Ana Mendes diz:

    Where are you? What are you doing?
    Ana Mendes

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