obrigado saramago!

Espero que a estas horas os agressores de Vital Moreira já tenham sido identificados. Quem são eles, afinal? Que foi que os levou a um procedimento em todos os aspectos repulsivo? Que ligações partidárias são as suas? Sem dúvida a resposta mais elucidativa será a que vier a ser dada à última pergunta.

A Vital Moreira chamaram-lhe “traidor”, e isto, queira-se ou não se queira, é bastante claro para que o tomemos como o cordão umbilical que liga o desprezível episódio do desfile do 1º. de Maio à saída de Vital Moreira do Partido Comunista há vinte anos. Neste momento estamos assistir a algo já conhecido, toda a gente, com a mais clara falta de sinceridade, a pedir desculpa a toda a gente ou a exigir, como vestais ofendidas, que outros se desculpem. De repente, ninguém parece interessado em saber quem foram os agressores, dignos continuadores daqueles célebres caceteiros que exerceram uma importante actividade política pela via da cachaporra em épocas passadas. Não tanto por contrariar, mas por uma questão de higiene mental, gostaria eu de saber que relação orgânica existe (se existe) entre os agressores e o partido de que sou militante há quarenta anos. São militantes também eles? São meros simpatizantes? Se são apenas simpatizantes, o partido nada poderá contra eles, mas, se são militantes, sim, poderá. Por exemplo, expulsá-los. Que diz a esta ideia o secretário-geral? Serão provocadores alheios à política, desesperados por sofrerem esta crise e que pensam que o inimigo é o PS e o candidato independente às eleições europeias?… Não se pode simplificar tanto, nem na rua nem nos gabinetes.

Texto publicado hoje no Diário de Notícias da autoria de José Saramago. Ainda que não concorde com o texto na sua globalidade há algo de profundamente humanista e democrático nas suas palavras.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

18 respostas a obrigado saramago!

  1. antónimo diz:

    Óh, Paulo aproveite e cite antes os caderno de saramago, blogue do escrito onde isto é previamente publicado e sítio sempre a merecer atenta leitura. O DN só há pouco chegou aos cadernos do Nobel.

    http://caderno.josesaramago.org/2009/05/02/explusao/

  2. Paulo Jorge Vieira diz:

    obrigado pela dika. distraido n sabia que os referido textos de Saramago estava num blog seu.

  3. Enojado diz:

    É espantosa esta súbita faceta “humanista” do Saramago.
    Deve ter-se esquecido do que fez no Diário de Notícias…
    Mas há quem não esqueça nem perdoe. Nunca!

  4. joana de freitas diz:

    Há alturas em que a consideração. a admiração e o respeito por uma pessoa como José Saramago não devem calar certas coisas.
    Ele vem em 2009 pedir a expulsão de eventuais camaradas seus que tenham estado envolvidos nas «agressões» a Vítor Moreira.
    É, porém lamentável, que se esqueça que hoje não seria membro do PCP se, em 1975, com bem maiores fundamentos, o PCP o tivesse expulso por diversas orientações decisões que tomou à frente do DN e que muita gente sabe que não correspondiam à linha política do PCP e que bastantes prejuízos políticos causaram na altura. É que, como repetidamente veio a explicar depois, José Saramago considerava que, ao aceitar as funções de director-adjunto, suspendeu os seus vínculos de disciplina partidárria. Coisa que, com um pouco de imaginação, talves possam invocar os eventuais militantes do PCP que tenham estado envolvidos nos incidentes.
    O mundo dá muitas voltas: é só reparar que há 100 vezes mais coragem nas declarações do Prof. André Freire, independente, que estão na peça do Público de hoje do que na crónica de José Saramago no Diário de Notícias.

  5. Carlos Vidal diz:

    Este post não faz sentido, Paulo Jorge.
    Nenhum.
    Eu gostava de te ver esboçar um gesto de tolerância, cumprimentos e respeito democrático a uma delegação que chefiasse uma manifestação racista e genericamente discriminatória. Como se leria na Bíblia, lança a primeira “pedra da tolerância”, apresenta cumprimentos ao Pinto Coelho do PNR, por exemplo, numa próxima manifestação da organização. Avança.
    Não é a mesma coisa, dirás. Então lê, primeiro, o que Vital escreveu e pensa da CGTP. Sff.

  6. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos como leitor atento de Vital Moreira ha bastante tempo conheço bem as suas opiniões. Não estou de acordo como elas. Reconheço o seu carácter, no minimo, provocatório em relação à CGTP.
    Quanto à tua referência ao PNR não sei se será o melhor exemplo para mim. Mas já por exemplo uma personalidade como Alexandra Tété é um bom exemplo. Apesar de reconhecer um discurso de ódio na maioria das suas palavras estive muitas vezes em debates com ela. Fui cordial e simpático! E o debate ganha-se debatendo! Não saltando em cima da senhora!

    Quanto ao post não fazer sentido. Como ele é composto por parte de um texto que nao é da minha autoria aconselho-te a mandares um mail ao Saramago! Apenas partilhei um texto que vi público e no qual – em parte – me revi!

  7. Carlos Vidal diz:

    O que eu penso, e tu concordarás, não se trata apenas de debater, mas de respeitarmos aquilo que nós próprios pensamos.
    O respeito tem de começar por nos respeitarmos a nós próprios e tirarmos daí ilações.
    Debater com Vital e Alexandra Tété, óptimo. Isso é uma coisa. Outra coisa é teres de apresentar-lhes cumprimentos numa manifestação pública onde ela (ou ele) exibirá os seus ideais intolerantes.

    Podemos cumprir todas as formalidades, menos aquelas que nos violem. AO ACEITAR APRESENTAR CUMPRIMENTOS À MANIF DA CGTP VITAL, em primeiro lugar, VIOLOU-SE A ELE PRÓPRIO !

    Podemos e devemos mesmo, em nome da decência e convivência democrática, sugerir personalidades que possam fazer pontes com adversários, pessoas mais capazes do que nós, ou não?

    Sinceramente, temos de fazer tudo o que nos mandam ou nos indicam???

  8. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos
    li o teu post em que demonstras a hipocrisia de Vital Moreira – tão usual na política – de ir apresentar cumprimentos numa manifestação organizada por um ‘instituição’ que ele tanto critica.
    tens razão… é hipocrita escrever o que escreveu e depois ir comprimentar os dirigentes da CGTP. mas a política (toda ela) está cheia dessa hipocrisias!
    isso não tem nada de novo!

  9. Tiago Mota Saraiva diz:

    Não concordo com o meu camarada José Saramago, mas não será por isso, que alguma vez o quererei ver expulso do nosso partido.
    Hoje, tal como outrora, estou absolutamente contra a opinião de Saramago – não concordo com expulsões, sobretudo, com as que são fundamentadas pela moralidade e em comportamentos.

  10. Paulo Jorge Vieira diz:

    bem eu tenho mesmo que deixar a ironia de lado!
    o texto do Saramago vale por ele! é uma opinião que resolvi partilhar! acho sinceramente que o ‘nosso nobel’ ironiza com a situação! é uma leitura possível!

    mas sinceramente a ironia é mesmo o modo reactivo com que por exemplo o Carlos me compara ao Vital e a CGTP ao PNR. clarificando: o PS acordou com a CGTP que iria comprimentar a direcção da mesma durante a manifestação. eu nunca faria isso em relação a qualquer manifestação do PNR. Carlos a comparação é no minimo infeliz!

    mas vamos lá! discutir politica a sério e nao estes casos patéticos! afinal que europa queremos?

  11. Pisca diz:

    Como não tenho obrigação nenhuma de ser politicamente correcto, apeteceu-me um “faz de conta”:

    – Um vizinho meu toda a semana quando me vê na rua, chama-me todos os nomes que lhe vêm à cabeça, por vezes empurra a janela da minha casa para continuar a berrar insultos para dentro da mesma.
    – No dia dos meus anos, vai ao meu encontro, na rua, e com um sorriso rasgado e aberto, quer dar-me um abraço e desejar um bom aniversário.
    -Prego com um pano encharcado nas ventas da personagem e….
    -Ai, Ai, Ai, que falta de educação no meio da rua, quando só queria dar os parabéns num acto de cortesia e sã convivência.

    O que disse é só um “faz de conta”, aproveitem a água vão dar banho ao cágado

  12. Este texto de Saramago é uma “pérola”: começa a pedir expulsão de hipotéticos agressores hipoteticamente membros do PCP, para finalmente sugerir amuo por nunca ter sido convidado para um cargo elegível.

    Saramago, que não esteve na manifestação, diz que os agressores “lhe chamaram traidor”. Primeiro seria necessário provar que alguém que tenha dado um murro a Vital Moreira, tenha ao mesmo tempo gritado “Traidor!” (e ainda assim estaríamos no domínio da interpretação (quer isto dizer que o agressor é do PCP, pior, quer isto dizer que o agressor é

  13. Paulo Jorge Vieira diz:

    Pedro Penilo
    Veja as reportagens e perceberá onde Saramago foi buscar a “peregrina ideia” de que chamaram traidor a Vtial Moreira.

  14. humanista??!!!! e logo o saramago!!!
    mas gosto do «espero que já tenham sido identificados»; há tiques que nunca se perdem.

  15. António Figueira diz:

    O comentário que precede é muito engraçado (no double meaning, é mesmo).

  16. O PCP é um partido verdadeiramente democrático, todos os militantes podem e devem dar a sua opinião. Todas as opiniões, livremente expressas, valorizam e fortalecem a decisão do colectivo.

  17. Miguel diz:

    Gosto bastante de Saramago e gosto de ler as suas opiniões, embora muitas vezes não concorde com elas. Neste caso, não concordo. Em primeiro lugar, é bom lembrar que o partido não é dono dos seus militantes. O que não quer dizer que em situações em que a atitude dos seus militantes ponha em causa a imagem do Partido a que pertencem estes não possam ser sancionados dentro do Partido. A imagem da sanção acontece em todos os partidos e associações.

    No entanto os incidentes que se deram não me parecem de maneira nenhuma que justifiquem uma expulsão. Então porque o gajo se excedeu, ainda mais contra um indivíduo que insulta recorrentemente os trabalhadores e a CGTP, ia ser expulso do partido em que milita, abandonar o seu projecto de político e de vida? Por uma provocação de Vital? Isso era absurdo e, isso sim, um golpe nas costas, por muito que se condenem as agressões.

  18. (continuação) “… pior, quer isto dizer que o agressor é “o PCP”)

    Paulo:
    eu estava na manifestação. Quase toda a gente apupou, assobiou, vários nomes foram chamados, de várias proveniências, por pessoas de várias cores. Como ninguém sabia o que Vital estava ali a fazer, parecia (como na realidade “era”) uma inadmissível provocação, um candidato e um tal comentador do sindicalismo português, andar a pavonear-se por ali.

Os comentários estão fechados.