Já que Sócrates não sabe encerrar o assunto, já que um autarca do Minho exige desculpas a um sindicato por ter “organizado” vaias ao senhor Engenheiro, já que o estertor do “socratismo” (espero-a acima de tudo, e comemorá-lo-ei efusivamente) parece aproximar-se a passos largos, já que esse estertor é mais do que tudo desejado, mas que poluirá Portugal inteiro enquanto estertor, e polui-lo-á de “processos”, “tribunais”, “exigências de desculpas” e acelerada paranóia pura e dura, voltemos ao assunto “Vital Moreira” (e, por mim, encerrá-lo-ei).
Não referi este ponto seguinte nos meus cinco ou seis posts anteriores, e também não vi nem li ninguém que o tivesse referido. Mas o problema é simples e, para mim, é tudo, encerra toda a discussão: Vital Moreira, ao ter aceite deslocar-se à manifestação da CGTP, praticou um acto de desrespeito duplo: pela CGTP e, talvez mais importante do que isso, desrespeitou-se a si próprio. E quando nos desrespeitamos e violamos tudo aquilo que pensamos e em que acreditamos, nunca, nas nunca mesmo, podemos esperar que os outros nos respeitem. Nunca.
Um indivíduo, alguém, digamos, é uma pessoa com a sua dignidade, antes de ser um político, um militante, um representante e um candidato ao que quer que seja. Quem pensa, diz e escreve o que Vital Moreira pensa, diz e escreve sobre a CGTP, não pode aceitar o mando, incumbência, sugestão, indicação ou nomeação do partido que representa para se deslocar aonde Vital Moreira se deslocou. Isto é um facto que nem sequer merece discussão. Vital violou-se a si mesmo em função sabe-se lá do quê. Deveria ter comunicado e respondido ao PS e à sua direcção: eu não tenho grande consideração por aquele sindicalismo nem por aquela entidade, por isso, por correcção para mim mesmo e porque não sou hipócrita, não me creio indicado para ir a esse 1º de Maio apresentar-lhes cumprimentos, mesmo em nome do PS. Eu não os tenho respeitado, como se pode constatar pelos meus escritos e pensamentos, logo não devo ir lá. Isto não é uma citação, mas deveria tê-lo sido. Deveria ter sido proferido por Vital ao PS. Ponto final.
É tão simples, não é? Quem escreve e pensa o que Vital pensa não se desloca ao Martim Moniz nem ao Rossio. Quem não honra nem respeita o seu próprio pensamento, aqui e aqui expresso, não pode exigir respeito dos outros. Não pode e não pode mesmo. Neste contexto, os alegados confrontos foram totalmente legítimos!




O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as,
porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.
Subscrevo totalmente. Só acrescentaria: e quem melhor do que Vital Moreira para saber como funcionam os comunistas do PCP?
A certa altura do post, o CV, por lapso, escreve “Moreia” em vez de Moreira.
Nunca foi tão certeiro. Trata-se mesmo de uma moreia escorregadia…
caríssimo Enojado, acabei por corrigir e colocar lá o “r”.
Não porque discorde da sua leitura, atenção, mas porque uma gralha pode distrair-nos do essencial. Parece-me. Não estou bem certo, mas acho que às vezes distrai.
Ponto 1: desde quando é que o Martim Moniz e o Rossio são propriedade da CGTP?
Ponto 2: a cgtp/PCP mostrou bem o seu conceito de democracia, quando insulta e agride uma pessoa só porque ela pensa de maneira diferente. Onde iremos parar?
Ora, Carlos, parece-me encaixarem-se neste post algumas constatações que tenho feito.
Sendo uma frequentadora muito recente do espaço blogosférico, já tive tempo suficiente para constatar – surpresa – que face a críticas que se me afiguram legítimas, concretas e acrescentaria justas, há comentadores que optam pela resposta vácua e “disruptiva”, sem qualquer conteúdo de qualidade: seja sério e reflexivo seja meramente humorístico ou divertido (também gosto do que é “non-sensical”). Não lhes vejo qualquer contra-argumentação, mas antes uma tentativa de arremessar lama (sem se darem conta que na fotografia é deles próprios que parte a lama e ainda têm o azar da dita fazer ricochete e voltar aos donos, tendo falhado redondamente na pontaria ao alvo).
Já observei isto várias vezes e de cada vez, recordo sempre a anedota do senhor X que pediu a um especialista norte-americano um exame ´detalhado ao seu cérebro. O médico apresenta-lhe o diagnóstico:(Vou ter de prosseguir em inglês devido a um trocadilho babilónico)
“You have two brains like everybody else. The only problem is: On the left side there is nothing right. On the right side there is nothing left.”
Nestas coisas reflexivas, prefiro outros caminhos dialogantes e mais interrogativos (ou simplesmente pontuados pelo sentido de humor), talvez um pouco mais longos, talvez um pouco mais esforçados, onde volta e meia se encontra momentos assim:
Caro Martins,
O seu comentário não é para este post. Enganou-se. Não leu nada do que escrevi.
«…mas que puluirá Portugal inteiro enquanto estertor, e pului-lo-á de “processos”, “tribunais”…»
Isto de escrever para ser lido obedece a algumas regras… informo que o Word tem corrector ortográfico.
Fixatum est, arre datur non est capabile: porca miseria
Sócrates, Engenheiro, Sócrates, Engenheiro, Sócrates, Engenheiro, …
Exactamente: ‘acelerada paranóia pura e dura’. Pura como a mera, dura como a pera. Cristalizou! Ipse dixit.
Redondo… sem ponta por onde se lhe pegue…