InovArt

O governo anunciava em S. Bento, um programa de uns quantos estágios para jovens ligados às industrias criativas, no estrangeiro. Estavam presentes alguns desses jovens, o primeiro ministro, o ministro da cultura e, entre outras personalidades, Beatriz Batarda.
A actriz disse duas coisas lapidares, qualquer coisa como:
– “Vim ver se não eram só números” e “Vão, [pausa] e não voltem”.
Atrapalhado Sócrates e o Ministro da Cultura, aplaudiram com um sorriso amarelo. Beatriz Batarda tinha dito tudo, num país que diariamente expulsa milhares de jovens licenciados ou os submete ao desemprego e trabalho precário. Para estes jovens, a liberdade e a vida que anseiam construir está lá fora, e não num país que incentiva o caciquismo, o “chico espertismo” e a mediocridade dos bem relacionados.
O conselho de Beatriz, lúcido, frio e corajoso, é que não voltem.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

22 respostas a InovArt

  1. rosarinho diz:

    E é verdade, quem quiser futuro terá de ponderar nisto.

  2. jeronimo diz:

    Saí-me uma boa parvinha, a referida senhora ! “Vim ver se não são figurantes” ???!!! isto é a mesma coisa que ser convidada para a casa de alguém e começar por lhe chamar mentiroso. É de uma elegância fantástica!!
    “Vão e não voltem” ??!? Que raio de votos são estes ? Quer vê-los pelas costas para não ter concorrência ? São uns párias que não interessam ao país ? A cultura não precisa deles ? Se se preocupa tanto com o pobre panorama cultural do país como é que pode escorraçar o “sangue novo” ? Perdeu uma excelente ocasião para ficar calada. Ou em casa …

  3. Sejeiro Velho diz:

    … num país que diariamente expulsa milhares de jovens licenciados ou os submete ao desemprego …
    Porque é que destaca “jovens licenciados”? E os outros que deixaram a escola (por vezes tiveram que) e começaram a trabalhar? O licenciado atingiu os 26 ou 27 anos apenas a usar os bens da sociedade (abrigo, alimentação, segurança), enquanto os outros andavam a construir, a produzir e a arriscar a vida.
    “Coitadinhos dos licenciados, andaram tantos anos a queimar as pestanas…”

  4. Martins diz:

    O futuro nos outros países não é muito melhor do que em Portugal, meus caros. Isso já foi chão que deu uvas…

  5. q diz:

    Nem mais. É triste, mas a mais pura das verdades. Essa história do self-made man é uma grande cantiga. Para funcionar teria que existir igualdade de oportunidades o que claramente não existe em Portugal.

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    Em Portugal, a situação para jovens licenciados nas áreas criativas, não é a mesma cá e na Europa.
    É histórica, a falta de interesse político pela Cultura, de Cavaco a Sócrates, e a noção (que alguns comentários denotam) que os subsídios são um privilégio de Estado. Mas de facto, os reais “privilégios de Estado” estão a ser distribuidos pelas empresas dos amigos e familiares de quem manda, e nunca chegam aos criadores e artistas, como Beatriz Batarda, que fazem mais por Portugal do que uma qualquer Mota Engil.
    A Beatriz Batarda teve coragem, que muitos não têm e, por aquilo que conheço deste meio, sofrerá provavelmente as respectivas retaliações.
    Jerónimo, Sócrates não convidou Beatriz Batarda para a sua casa. S. Bento é a residência oficial do primeiro ministro, e não um condomínio de José Sócrates. Beatriz deve dizer aquilo que pensa, em qualquer discurso para que seja convidada. Fê-lo com coragem e, sobretudo, fê-lo dando voz a muitas das pessoas que foram seleccionadas – e acredite que sei do que estou a falar, e ainda que isso lhe possa trazer futuros dissabores.

  7. Salomé diz:

    Sejeiro Velho,
    O licenciado é um parasita que vive à custa da sociedade? Não precisamos todos nós de ser mais qualificados? Não é a sociedade que benificia? E quanto à igualdade de oportunidades não acha que resolver esse problema compete ao governo? Para que é que pago os meus impostos? O que tem contra os licenciados? Que dizer de um governo que faz um alarde enorme com a educação e formação e depois de anos de esforço e estudo, de preparação para servir a sociedade esta não tem lugar para eles? Porquê incentivar à formação, então? Para os números? Para as estatísticas? Que quer fazer, privatizar o ensino superior de modo a que só quem pode pagar tenha acesso a ele?
    Passe bem

  8. G. diz:

    Tadinha da Beatriz Batarda. Já quando esteve em Londres também não pôde lá ficar; diz que era horrível, que a vida de artista, mesmo para um génio como ela, é muito dura — ou melhor, que nem tinha vida, sempre a correr, atrás do guito, etc. e por isso veio para cá. Realmente.

  9. carlos graça diz:

    Para o Jerónimo:

    para onde teve que ir J. Saramago? E Paula Rêgo? E o neurofisiologista António Damásio? E tantos e tantos investigadores da área da biologia, por exemplo, onde estão? E porque foi assim? POis, bem me parecia….

  10. Eu também já fui e não voltei… Mais um “exilado cultural”…

    O último que sair que confirme se desligou o gás, apagou a luz e fechou a água. Não vale a pena trancar a porta… não tem muito que roubar. De certeza que qualquer Okupa tomará conta disso melhor que o nosso PM…

  11. Sejeiro Velho diz:

    O licenciado é um parasita que vive à custa da sociedade? SIM, ATÉ COMEÇAR A PRODUZIR.
    Não precisamos todos nós de ser mais qualificados? SIM, MAS SOBRETUDO MAIS CULTOS.
    Não é a sociedade que benificia? SIM, E O LICENCIADO PRINCIPALMENTE.
    E quanto à igualdade de oportunidades não acha que resolver esse problema compete ao governo? SIM, MAS QUANTOS GOVERNOS TEM QUE PASSAR PARA RECUPERAR UMA SITUAÇÃO ESTRUTURAL HERDADA?
    Para que é que pago os meus impostos? PARA USUFRUIR DOS BENEFÍCIOS COLECTIVOS (SANEAMENTO BÁSICO, RODOVIAS, SEGURANÇA, ETC., ETC..
    O que tem contra os licenciados? NADA, EU SOU UM DELES, ANTIGO!!!.
    Que dizer de um governo que faz um alarde enorme com a educação e formação e depois de anos de esforço e estudo, de preparação para servir a sociedade (ACHA QUE SIM, SINCERAMENTE? QUE NÓS ESTUDÁMOS PARA SERVIR A SOCIEDADE?) esta não tem lugar para eles? Porquê incentivar à formação, então? PARA O BEM OU PARA O O MAL, VIVEMOS NUM REGIME DE ECONOMIA CAPITALISTA. AO ESTADO COMPETE FORMAR MÃO D’OBRA QUALIFUCADA PARA SERVIR O SISTEMA.
    Para os números? Para as estatísticas? Que quer fazer, privatizar o ensino superior de modo a que só quem pode pagar tenha acesso a ele? DE MODO NENHUM!!! QUE S. NUNO ÁLVARES PEREIRA NOS LIVRE DISSO!
    Passe bem. IGUALMENTE.

  12. intruso diz:

    Bem observado Tiago,

    …num país de “brandos costumes” e muita gente calada,
    o conselho (provocatório mas lúcido) de B.Batarda faz sentido.

    E como bem sabemos, alguns vão trabalhar ao abrigo do programa INOV-ART porque simplesmente não encontram boas oportunidades de trabalho e evolução profissional por cá.

    abraço

  13. C.A. diz:

    Eu também fui uma das candidatas que concorreu ao INOV-ART, e sabem que mais?! Tenho pena de não ter sido uma dos candidatos seleccionados para o estágio.
    Sou licenciada mas em nada agradeço ao estado nenhuma contribuição para o meu percurso académico, ainda não sou uma contribuinte, porque também ainda não tive oportunidade para o primeiro emprego. Mas pela bela forma como a politica e a economia em Portugal estão a ir de “bem a melhor” como todos nós estamos cansados de saber, eu vou continuar a não conseguir o meu 1º emprego, quer ligado à formação académica ou não, e contentar com o sustento que AR me dá para comer, vestir e calçar, ou do que aparece, porque em Portugal os jovens licenciados ou não, estão a ser desvalorizados ao MÁXIMO.
    Apoio a todos os artistas ou a todos aqueles que estão ligados à cultura, virem costas a Portugal se tiverem possibilidades para isso, porque aqui todos somos demasiados pequenos para sermos notados!!!

  14. Tiago Mota Saraiva diz:

    C.A., tem toda a razão. O mais incrível é que os que se indignam com os apoios e subsídios à artes são os mesmos que aceitam que o Estado gaste mil vezes mais para salvar um banco de gente rica.

  15. C.A. diz:

    Tiago Mota Saraiva, agradeço o apoio que deu à minha opinião.
    Sou Licenciada em Escultura, faço parte de uma percentagem muito pequena e especifica no campo das artes desde Dezembro de 2008.
    Infelizmente, tive a oportunidade de ver ainda no tempo académico, o quanto em Portugal a Cultura não é prestigiada como deveria ser, aliás está muito longe disso. Como exemplo: Organiza-se um evento cultural e/ou artístico para um público geral, o que acontece na maioria das vezes (90%), não são subsidiados pelo Estado e/ou Autarquias, de forma nenhuma. São impostas barreiras para dificultar levar os projectos para a frente, e como se isso não bastasse o “Zé Povinho, prefere ficar em casa ou na tasca a beber taças de vinho” e recusam-s a participar nos eventos com a desculpa de que não lhes apetece.
    Por isso, quero fazer um apelo a TODOS OS PORTUGUESES:
    Se querem que Portugal ande para a frente, não é só ficar a barafustar pelos cantos o que A, B ou C disse ou fez na residência de X ou Y, mas apoiem os projectos culturais para que possam ter pernas para andar.
    Se não temos uma politica ou uma economia favoravel, temos que mostrar que pelo mesmo somos um povo que sabe pensar, agir e falar, para que juntos possamos vir a melhorar o nosso país.
    Porque a CULTURA também atrai turistas interessados, não são só as praias do Algarve!!

  16. Carolina diz:

    C.A. penso concorrer à proxima fase do INOV-ART. Uma vez que já participou, poderia explicar-me como funciona? tendo eu já uma entidade passo pelas mesmas fases que todos e só no fim esta me é atribuida?

    Já agora pode também dizer-me o que acontece em cada fase? que provas prestamos?

    Obrigada pela disponibilidade

  17. Tiago Mota Saraiva diz:

    Cara Carolina, não sei se o C.A. ainda anda por aqui, mas como só há eleições daqui a 4 ano suspeito que ainda tenha de aguardar bastante pela nova fase de candidaturas.
    De qualquer forma pode ir consultando este site: http://www.dgartes.pt/inov-art/index.htm

  18. Carolina diz:

    ahh bom. obrigada…mas sabe por acaso como são as fases e as provas? gostaria muito de ter conhecimento disso.

  19. C.A. diz:

    Carolina, faça a inscrição o mais correctamente possivel e espere…..
    Não esqueça de guardar o número de inscrição que aparece logo após que submete a candidatura.
    Boa Sorte!

  20. Rita diz:

    Não é nada animador, n tenho ilusões.
    O Inovart cria ilusões a muito boa gente… são 100, 1000 candidatos para um estágio e uma duvidosa selecção, as informações que dão são contraditórias, e deixam muito a desejar em termos de profissionalismo. A minhairmã já concorreu mas não foi uma das sorteadas, até ouviu uma das técnicas da equipa a dizer que eram todos “uma cambada de atrasados mentais” – os colegas, o director da DGArtes, os candidatos. Uns acham-se iluminados, e sabe-se lá como é que conseguiram os seus empregozitos, outros assumem aquela atitude do ‘salve-se quem puder’, ‘vale tudo menos tirar olhos’. É neste país que estamos… e donde é preciso sair!

  21. R diz:

    ora leiam…

    http://jpn.icicom.up.pt/2009/05/07/candidatos_ao_inovart_denunciam_caos_no_processo_de_seleccao.html

    Eu tentei na fase anterior, consegui chegar à fase final, mas por não ter entidade, fiquei pelo caminho.
    Colegas que não passaram nem na 1ª fase, conseguiram, por terem já contactos feitos. Comecem a tratar dos protocolos. A inscrição começa 2ª feira, dia 16 de Novembro.
    É sem duvida o “salve-se quem puder”!
    Boa sorte nesta confusão.

  22. Vasco Castro diz:

    Pessoal abriu uma 3ª Edição… mas sem qualquer forma de acesso á candidatura lol

Os comentários estão fechados.