Do país de Abril às contradições do capitalismo

«E, daqui mesmo, nós exortamos o nosso povo que, para comemorar esta vitória sobre a reacção o próximo domingo seja um dia de trabalho nacional, um domingo em que o povo vá para a oficina, vá para os campos, vá para a fábrica, trabalhar, como (manifestação de alegria por esta vitória que obtivemos sobre a reacção. Estamos convencidos de que o povo compreenderá e que poderá fazer do próximo domingo como jornada de vitória nacional, de vitória do 25 de Abril. E no trabalho demonstrar que está, de facto, interessado, verdadeiramente interessado, no progresso da Nação. Não pretendemos que o fruto desse trabalho seja entregue, nem ao Governo Provisório, nem ao Movimento das Forças Armadas: o produto desse trabalho será para quem trabalhar. Mas nós sabemos que esse produto irá juntar-se ao produto nacional.
O que pretendemos é que as massas, quer no campo, quer na cidade, os intelectuais, etc., demonstrem ao País uma unidade com as Forças Armadas, alicerçadas no trabalho quotidiano. E por isso aqui exortamos que façamos do próximo domingo uma jornada de trabalho nacional, comemorando a vitória que acabamos de obter»
– Vasco Gonçalves

Num domingo de 1974 (6 de Outubro), o governo entendeu pedir ao povo que fosse trabalhar para aumentar a produção nacional. Hoje, depois de anos e anos de destruição do aparelho produtivo nacional e com Portugal sufocado por uma crise em crescimento galopante, o que interessa aos patrões é ter menos trabalhadores ou não os ter a trabalhar.

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7 respostas a Do país de Abril às contradições do capitalismo

  1. Carlos Fernandes diz:

    Permita-se-me este aparte ao Post (estão à vontade aqui no 5dias para o apagar e não publicar) dirigido aos Srs. da Refrige e da Coca-cola e ao tal novo concurso das ideias inovadoras: Aqui vai a minha, decerto muito inovadora e acertada, que se traduz num biqueiro no traseiro a certas empresas e produtos, que como descobriu há anos o Prof. Ricardo Jorge (que dá nome ao renomado Instituto ) fazem mal á saúde…

  2. Miss Kin diz:

    À boleia da crise andam muitos que já antem dela aparecer, andavam mais interessados em sugar o país, do que em fazer algo de produtivo.
    Quanto ao resto, uns seguram o emprego que têm, principalmente se não tiverem que produzir muito e outros com o que se paga por aí e depois fica retido em impostos e seguranças sociais, mais vale nem levantar da cama…

  3. ezequiel diz:

    o titulo do post foi roubado ao Claus Offe?

    só a brincar.

  4. JMG diz:

    Lembro-me bem desse dia: Fui a única pessoa num universo de 220 que declarou não ir trabalhar por não concordar com a iniciativa. Isso, juntamente com outras coisinhas, justificou que numa manifestação se reclamasse o meu saneamento. A Comissão de Trabalhadores, porém, não acolheu a proposta por, segundo me informou o respectivo Presidente, “não haver mais ninguém para processar as folhas de salários” (à época eu era um jovem e insignificante funcionário municipal; já não sou jovem nem funcionário, embora continue insignificante). A propósito: Van Zeller não representa os patrões. Os que estão inscritos nas estruturas soi-disant representativas são uma minoria.

  5. maria monteiro diz:

    “o governo entendeu pedir ao povo…” (e pediu muito bem)
    Agora é tempo do povo pedir ao governo (e pede muito bem)
    1º de Maio . Mudar de rumo – Dignificar os trabalhadores
    Dia 23 de Maio venha dizer Basta! Marcha de protesto, confiança e luta! Nova política – Uma vida melhor

  6. Rui Costa diz:

    É um cliché dizê-lo, mas aqui aplica-se como uma luva: o trabalhador deve entender que, ao dar o máximo de si para enriquecer o negócio do seu patrão, está ele próprio a criar uma base sólida para o seu futuro. O patrão deve entender que, ao proporcionar melhores condições ao seu funcionário, está a investir na capacidade produtiva dos seus trabalhadores, o que leva a um crescimento do seu negócio.

    É estranho, mas é uma situação Win-Win. Então porque não vemos isso acontecer? Porque é necessário que ambos os intervenientes tenham essa visão e tomem essa atitude em simultâneo.

    In Costa Rochosa

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