A mais fulgurante escrita pianística (Liszt, “Anos de Peregrinação”) pelo melhor pianista do século XX: Claudio Arrau

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22 respostas a A mais fulgurante escrita pianística (Liszt, “Anos de Peregrinação”) pelo melhor pianista do século XX: Claudio Arrau

  1. rosarinho diz:

    Lindíssima!
    Com esta música também me delicio…

  2. rosarinho diz:

    Carlos,
    Salta aos olhos que é artista (as suas obras não estão na net? Se sim qual/quais o/s link/s) e vinha-lhe perguntar se não me podia dar aqui uma ajudinha…
    Desculpe que isto nada tem a ver com Liszt, ou por outra até tem – e muito – anda tudo interligado…

    Veio-me parar às mãos este belíssimo poema:
    Lyrics to Paresseuse de Bénard :

    Certains matins elle révise son emploi du temps
    Imagine ce qu’elle doit faire et se dit… et puis non
    Elle paresse
    Au ralenti elle glisse de la cafetière à la fenêtre
    Elle aimerait entendre un disque mais il faudrait le mettre
    Et rien ne presse
    Mademoiselle paresse à Paris
    Elle traîne, elle pérégrine
    Son altesse caresse aujourd’hui
    L’idée d’aller à la piscine
    Elle descend dans la rue, il est 16h, elle marche lentement
    S’assoit sur un banc pour étudier le chemin le plus long
    Le transport le plus lent
    Le métro pourquoi pas mais y’a pas de grève en ce moment
    Quant au bus il est trop tôt pour être bloqué dans les bouchons
    Alors à quoi bon
    Le transport qu’elle préfère c’est la balançoire
    On bouge d’avant en arrière en prenant du retard
    Elle rallonge par le square
    C’est la fermeture quand elle arrive au guichet
    Elle s’en veut de rater de si peu, à quelques minutes près
    Un peu plus elle rentrait
    Faut pas compter sur la chance, alors demain elle jure
    D’évaluer mieux les distances pour être bien sûr
    D’arriver en retard
    Sans rien devoir au hasard.
    [ Paresseuse Lyrics on http://www.lyricsmania.com/ ]

    Tentei encontrar um paralelo no universo das artes plásticas , mas fui dar a “La Paresseuse” de Guilhaume Seignac, o que – a meu ver – é um pouco (ou muito) boçal, não encaixa nada na delicadeza e prolongamento da preguiça da “mademoiselle paresseuse” , do poema, a baloiçar-se muito, escolhendo sempre o caminho mais longo para chegar ao seu destino, prometendo-se a si própria avaliar melhor as distâncias de forma a chegar o mais tarde possível, não deixando nada entregue ao mero acaso…
    Não haverá alguma outra obra com a qual se possa estabelecer melhor paralelo? É que a de Guilhaume Seignac não serve.
    Eu agradecia muito…

  3. rosarinho diz:

    O poema é de Bénabard… é que ando “aluada”…

  4. Carlos Vidal diz:

    Obras minhas na net, não muitas. Tente escrever “Encontros de Fotografia – Carlos Vidal”, pode se que consiga algo. Há uns anos que não exponho, a crítica e as aulas não me permitem. Mas tenho, por exemplo, obras em Serralves. E este ano, pela primeira vez, o museu vai fazer uma ampla amostragem da sua colecção (uma primeira parte a começar em Maio, uma segunda parte em Outubro – esteja então atenta, não por mim, mas pela colecção de Serralves).
    Quanto ao que me pergunta, é difícil uma obra. Mais fácil é um conjunto, um pequeno grupo de obras, um autor, por exemplo. Até porque a personagem do poema “perde-se” em vários lugares, pensamentos e hesitações. De repente, penso nalgumas mulheres de Courbet e de Renoir. Talvez. Diga se resultou.

  5. rosarinho diz:

    Bénabar… sem “d” no final, sem “d” no final, sem “d” no final (já me redimi).

    Este poema, em minha opinião, encaixa -nalgumas partes- que nem uma luva, na Peregrinacão de Liszt… algumas delongas… e o baloiçar…
    “Mademoiselle paresse à Paris
    Elle traîne, elle pérégrine
    Son altesse caresse aujourd’hui”…
    Também me lembrei de Renoir, mas fico com a sua ideia, o paralelo terá de ser estabelecido num conjunto de obras. Courbet não me ocorreu. Vou espreitar.

    Muito obrigada, vou estar com atenção às obras em Serralves e vou pesquisar, a ver se encontro obras da sua autoria, fiquei muito curiosa… O mundo da arte é fascinante… Gostaria de saber mais, muito mais, do que sei.

  6. rosarinho diz:

    Carlos,
    Encontro-lhe excelente currículo e os livros publicados, quanto às obras plásticas “chapéu”… ainda não encontrei nada… ou serei eu que não estou a saber pesquisar?

  7. Carlos Fernandes diz:

    Excelente, do melhor, melhor do que isto (sem contar com a nossa virtuosa pianista bachiana Maria joâo Pires) só mesmo ouvir-se um rouxinol ao vivo. De notar que o melro (mas só quando acasala, e tem que “puxar” pela voz para seduzir a melra amada….) não tem linhas melódicas inferiores ao rouxinol.

  8. rosarinho diz:

    Carlos,
    Até que enfim, consegui ver graças aos seus links.
    Beeemmmmmmmm, A série “A Pintura e a Política” aquela conversa conversa com Gerhard Richter (aproveitei também para espreitar este artista que não conhecia e interessou-me muito) é muito Arrojada – num tom muito elevado, quase ensurdece… – é FORTE, MUITO FORTE! (Caramba, quem conversa assim não é Gago, não manda dizer nada por ninguém, pois não???).
    Também gostei muito da mensagem “sobre a fortuna de Maquiavel”.
    A fotografia do segundo link está excelente.
    Muitos Parabéns!
    O que eu vi: É ARTE.

    Relativamente a Pierre Auguste Renoir, dialoga muito com “La Paresseuse”. Maravilhoso! Gustave Courbet (cuja obra conheço pior…) também se interliga. Interessante, muito interessante!
    (E assim voou esta tarde… nem dei conta do tempo a passar)

  9. Rui diz:

    Horowitz? Richter? Brendel?

  10. Carlos Vidal diz:

    Tem toda a razão, Rui, pretendi chamar a atenção para o vídeo, sem errar de todo, pois em qualquer lista Arrau tem de figurar. O resto, é verdade, temos de incluir Horowitz, Richter, Brendel, Lipati, Arturo Benedetti Michelangelo, Rubinstein, Gilels, Wilhelm Kempff, Gould – estes são obrigatórios. Depois, Pollini? Pires? Zimerman? Volodos? (atenção a estes dois últimos: têm trabalhos discográficos dedicados a Lizst impressionantes).

    • Sérgio Bantam diz:

      Caro Carlos Vidal, ainda faltam alguns!
      É subjetivo, mas não podem faltar antes de Volodos, Zimermann e Pires
      Busoni, Grigory Sokolov, Alexander Brailowsky, Mauricio Pollini, Evgeny Kissin, Vladimir Ashkenazy, Marta Argerich, Lazar Berman, Guiomar Novaes, Gyorgy Czifra, George Bolet, Nelsón e mais alguns que a memória desbota.

  11. carlos graça diz:

    Carlos Vidal

    Um momento de beleza levada aos píncaros…o Sublime portanto.
    Agradeço-lhe por partilhar estas preciosidades, e desse modo, fazer do 5dias, não apenas, mas também, um blog de serviço público….
    Obrigado

  12. almajecta diz:

    Fulgurante?
    Fulgurações?
    Livra… Os teus comentários mais parecem índices onomásticos, talvez por vias do moderneirismo, não? Vamos lá desenvolver esse amor materialista, mas com cuidado.

  13. Carlos Vidal diz:

    Ah, fulgurações fulgurantes, ferida na carne, esta sonoridade é tudo isso.

    Viver é crescer, desabrochar, ir na curva da onda fugidia, ser o beijo de luz na água. A vida é imaterial; mas a existência é um penedo crivado de hieróglifos misteriosos. A existência é cadáver. O valor está no livro da Vida, que é o livro dos que não sabem ler.
    (TP, “São Paulo”, p. 149)

  14. Rui diz:

    Lipatti, claro, que perda, tão jovem. E não esquecer outros menos conhecidos, Poblocka, Moravec. E não desprezar o que de melhor temos: Sequeira Costa.

  15. Carlos Vidal diz:

    Dinu Lipatti, vejo que muito gostamos, ambos, desse raro génio desaparecido aos 33 anos. No seu último recital, em 1950, dedicou-se aos seus compositores de eleição: Bach, Mozart, Schubert e, acima de todos, Chopin. Para os lipattianos (recomendação desnecessária, claro) diga-se que há registo desse concerto na EMI Classics.

  16. almajecta diz:

    Vai carlos, dá ao rol. Tenho aqui uma electividade infectiva por vias da pandemia de nomes que citas. Não esquecer o índice remissivo.

  17. Carlos Vidal diz:

    Ora, ora, Grande Alma, já viste bem aquilo que pode causar as mãos sagradas de Arrau (como se fosse o título de um filme sul-americano: “Las Manos de Arrau”)?

  18. rosarinho diz:

    Carlos,

    Se faz favor, quem escreve esta prosa poética? Traduza-me este TP. E “São Paulo”? O das Escrituras? Ou algo algures no Brasil? Quando puder remeta-me para a fonte desta escrita.

    “Viver é crescer, desabrochar, ir na curva da onda fugidia, ser o beijo de luz na água. A vida é imaterial; mas a existência é um penedo crivado de hieróglifos misteriosos. A existência é cadáver. O valor está no livro da Vida, que é o livro dos que não sabem ler.”
    (TP, “São Paulo”, p. 149)

  19. Carlos Vidal diz:

    TP, é Pascoaes, rosarinho. O Santo é, claro, o das Epístolas. O que Badiou compara a Lenine. Os dois, revolucionários, fundaram comunidades infinitas.

  20. rosarinho diz:

    Carlos,
    Muito obrigada.
    Tanto que ainda me falta ler… nem imagina o que tenho a aprender. Já estou a visualizar duas aguarelas de S. Paulo ( onde predomina a cor preta aos 18anos) e uma outra (onde predomina o azul), por Teixeira de Pascoaes.
    Já adicionei a busca deste texto à minha lista de incontornáveis.

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