Sobre Nun’Álvares Pereira

Mão amiga fez-me chegar este texto de Álvaro Cunhal sobre o mui aclamado Nun’Álvares Pereira, escrito na década de 50, quando estava preso e isolado na Penitenciária de Lisboa:

“Quanto a Nun’Álvares, a sua avidez e ganância são atestadas por numerosos incidentes, conflitos e reclamações. Assim, por exemplo, quando D. João I lhe doou os direitos de Almada, Nun’Álvares achou pouco e tomou conta, por sua iniciativa e abuso (sancionado depois com uma demanda) dos esteiros de Arrentela e Corroios. Os seus rendimentos provenientes das doações feitas por D. João I foram avaliados em 16.000 dobras cruzadas. Mais de uma vez, quando resistiam à sua desmedida ganância e à dos seus apaniguados, Nun’Álvares ameaçava… abandonar. Lutar, lutava. Mas mais bem pago que o rei. Assim Nun’Álvares se tornou senhor de Barcelos, Braga e Guimarães, Montalegre e Chaves, Ourém e Porto de Mós, Alter do Chão e Sousel, Borba e Vila Viçosa, Estremoz e Arraiolos, Montemor-o-novo e Portel e ainda Almada, Évora-Monte, Monsaraz, Loulé e muitos e muitos outros reguengos e muitas e muitas outras rendas de muitos e muitos lugares. É de um homem destes que a Igreja Catolica fez um Santo, erguendo-lhe uma igreja em Lisboa aonde os pobres vão orar-lhe e pedir-lhe a sua intervenção junto de Deus…”
Álvaro Cunhal, “As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média”, ed. Estampa, 1975

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15 respostas a Sobre Nun’Álvares Pereira

  1. Chico da Tasca diz:

    Quando é que alguém escreve algo a denunciar o que na realidade foi o Bode Branco, e o que ele pretendia para o povo português ? Um sujeito que pactuou com a invasão da Checoslováquia pela Unão Soviética, que toda a vida branqueou o regime assassino do Kremlin, que comeu com ele à mesa, e que o quis transpôr para cá ?

    Mas esse porco de merda alguma vez denunciou os atropelos aos Direitos Humanos praticados no país que lhe deu asilo ? Esse comuna nojento e hipócrita, como todos os comunas, algumas vez criticou e denunciou as práticas da policia politica russa ou da alemanha de leste ?

    Um porco desses, espécie de ditador frustrado, entronizado como democrata e progressista, coisas que ele nunca foi, vem criticar um personagem que viveu há 700 anos, que lutou pela independencia do país, e pelo próximo ?

    Digam aquilo que o Bode Branco foi : um ditador sem ditadura, um lacaio regime Comuno-Fascista Soviético, um vendilhão da pátria, um sujeito que se tivesse tido oportunidade teria sido 1000 vezes pior que o Salazar.

    Deixem o Nuno Alvares em paz, não conspurquem a sua memória com complexos ideológicos que já metem nojo, ainda por cima vindos de personagens que têm muito pouca credibilidade e autoridade moral para criticar quem quer que seja.

    O branqueamento feito ao Bode Branco e ao PCP, desde o 25 de Abril, por parte da esquerda totalitária e seus lacaios nos media é insultuosa

  2. O camarada Cunhal, fruto da falta de uma historiografia de jeito à mão, escreveu o lado que lhe interessava. E como em tudo ficou a meio. Para além da falta de rigor histórico e teológico (na década de 50 a Igreja não o tinha feito santo, como ontem se verificou), esqueceu-se de contar do despojamento material (será por isso?) seguinte, dos pedidos a favor de pobres… Ficou-se por 1389, esqueceu-se do resto. Como em 1989, ficou-se nesse ano, esqueceu-se da queda do muro, como já se tinha esquecido dos tanques em Praga em 1969. A História é lixada.

  3. Fábio Dionísio diz:

    Senhor Chico da Tasca, faça o favor de guardar o ódio numa caixinha de sapatos e comente o que no post está escrito. Qual é a parte do texto com que discorda e quais são as imprecisões históricas nele contidas? E se Cunhal, como você diz, não tem autoridade para “criticar um personagem que viveu há 700 anos”, que autoridade tem você para insultar de “comuna hipócrita e nojento” e “porco de merda” um homem que já cá não está para se defender há uns poucos de anos. Realmente, você deve ser “um grande homem”, daqueles que se escondem sem darem cara nem nome para insultarem à vontade os mortos. Nuno Álvares Pereira está morto, Álvaro Cunhal está morto, Chico da Tasca não sei quem é nem o que faz, ainda é vivo, mas não me parece que exista vida dentro da sua cabeça.

  4. maria monteiro diz:

    OMS – aconselha uso de mascaras (gripe suína)
    OMS – aconselha uso de preservativo (sida)

    Em comum: não soluciona mas pelo menos são acções básicas que tentam evitar a propagação de doenças

    De certa forma a mascara é o preservativo para o nariz e boca – preparem-se que deve estar para breve comunicado do Vaticano

    Chico da Tasca,
    O seu ódio também mete nojo (serão certamente originados por traumas recalcados)

  5. Luis Rainha diz:

    Acho que ele deve ter sido sodomizado por uma célula do PCP em peso. Não há outra explicação para tanto desvario.

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Tem graça eu lembrei-me desta passagem e ia postar isso com o título : o nosso santinho. No meio das últimas mudanças perdi o rasto ao livro. Bom post.

  7. Enojado diz:

    Realmente, para falar sobre santos, ninguém mais insuspeito do que Álvaro Cunhal…

  8. Um bom post mentiroso. Mas a História é lixada, até para quem supostamente é muito moderno.

  9. Tiago Mota Saraiva diz:

    Miguel Marujo, não consigo perceber o que o preocupa: a opinião de Álvaro Cunhal ou o facto de ter escrito algo com que não concorda?
    Julgo que perceberá certamente que a expressão utilizada “É de um homem destes que a Igreja Católica fez um Santo” não é uma premonição, mas uma expressão na sequência da beatificação de Nuno Alvares Pereira (1918) e início de canonização (1940).
    Por outro lado, julgo que, quando o Miguel se refere à data de 1389 se pretende referir a 1385 (Batalha de Aljubarrota), embora perceba o seu valor estilístico em função das datas de 1989 e 1969. Atente que este reparo também não teria grande importância, caso não sentisse da sua parte uma insaciável vontade de rigor histórico.
    E já agora, o post é mentiroso porquê? Álvaro Cunhal não escreveu o texto que citei? O livro que refiro não existe? Não o escreveu na Penitenciária de Lisboa nem nos anos 50?

  10. Não é a opinião, é a falta de rigor histórico, o ficar-se pela metade da História. Julgo que percebe que os homens – todos – podem mudar, seguir outros caminhos, persistir no erro é que não: Nuno Álvares Pereira mudou, Álvaro Cunhal não.
    E depois: a História não acaba em 1385, não é uma questão estilística. A moderna historiografia situa as “guerras da independência” de 1383 a 1389, incluindo a influência do condestável. Pode ler “Aljubarrota – Crónica dos Anos de Brasa 1383-1389”, de Luís Miguel Duarte (ed. Quidnovi), para perceber que a falta de rigor não é minha.
    E o post é mentiroso, porque como já deixei claro nos anteriores comentários, conta a História pela metade. Como estilisticamente deu sempre jeito a Cunhal.

  11. Pinto diz:

    O Cunhal ainda está vivo? Então mas ele só foi Santo a partir de ontem!!! Pensei que o Cunhal já tinha morrido há um ano.

  12. maria monteiro diz:

    A Igreja apresenta-se na rede social My Space. Bonito não é? Alguém diz que é uma forma de “abrir as mentes em relação à Igreja e em relação à vocação”

    Se querem saber mais sobre a vocação e a realidade vocacional tal como a Igreja trabalha as mentes dos jovens então leiam “Orientações para a utilização das competências psicológicas na admissão e na formação dos candidatos ao sacerdócio” (congregação para a educação católica)
    Então isto não é contar a história pela metade?

    A história é mesmo lixada – veja-se a homenagem prestada a Álvaro Cunhal no seu funeral

  13. maria monteiro diz:

    É que a homenagem a AC não foi uma homenagem mentirosa – FOI UMA HOMENAGEM SENTIDA

  14. Tiago Mota Saraiva diz:

    Miguel Marujo, fico esclarecido relativamente à data invocado, embora a “historiografia moderna” mantenha a referência à Crise de 1383-85.
    Contudo parece-me que a sua análise da figura histórica se centra numa opinião sobre a mudança de carácter de Alvares Pereira, no final da sua vida, e baseada numa crença de redenção. A de Álvaro Cunhal baseia-se numa análise marxista da sua acção, enquanto ser humano, ao longo da vida.
    Não me interessa, por agora, julgar as duas formas de analisar a História, mas parece-me óbvio que tenham interpretações diferentes.
    Adjectivar de mentirosa uma ou outra tese, é que me parece pouco válido para uma discussão científica e rigorosa. A verdade não se impõe ou decreta, pelo menos nos nossos tempos.
    Relativamente a voltar a dizer que o post é mentiroso, julgo que não percebeu o que lhe quis dizer de uma forma cordata.
    Como calcula, o post não foi escrito por Álvaro Cunhal, mas sim por mim. Num post em que cito um livro publicado, e em que nem sequer emito opinião, há pouco para me chamar de mentiroso.
    É uma questão de rigor e de significado das palavras que se escrevem.

  15. Tiago, chamo o post de mentiroso, nunca chamei o Tiago de mentiroso. Há uma diferença, relevante. Se preferir: o texto de Cunhal é mentiroso, por omitir a História e uma História omissa é mentirosa. De resto, não falo da alteração das personalidades apenas como mera interpretação: são factos. E no caso do texto citado esses factos foram deliberadamente omitidos para interpretar a História à maneira de Cunhal.

    [Não ignoro a crise de 1383-85, o que refiro é que a mesma se prolongou em campanhas militares, lideradas por Nuno Álvares Pereira, até 1389. Este era o ponto em discussão]

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