Então, escribas orgásticos com os “processos de Sócrates”, afinal, o que é que está em causa? (parte II)

cindyb
CINDY SHERMAN, em excelente foto de atelier (junto às célebres próteses com que se vai “travestindo” de trabalho em trabalho)

Depois do meu pequeno post anterior, onde espero ter mostrado a um exaltado “jugular” que Sócrates pode processar quem quiser, como qualquer um de nós o pode fazer em relação a outrem (bonita palavra de ressonância sartreana), e que só não pode usar o tribunal como sua arma pessoal numa questão que se contextualiza facilmente num território que é o da ética/política, leio num outro notável texto de Mário Crespo:

Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. [sublinhado meu]

Para bom entendedor, quanto ao assunto (“Processos de Sócrates”), fico-me, por agora, por aqui.

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4 respostas a Então, escribas orgásticos com os “processos de Sócrates”, afinal, o que é que está em causa? (parte II)

  1. rosarinho diz:

    Grande Mário Crespo, NÃO SE VERGA, NÃO SE VERGA… doa lá o que doer… Há muitas coincidências por esclarecer, diga lá o que disser o poder… Admiro-lhe a FIBRA é Vertical não permite que façam batota, à frente dos seus olhos… Agradeço-lhe cada entrevista , cada crónica…

    Este Carlos vê-se logo que é artista,
    Os seus posts até arregalam a vista,
    O sentido de humor é refinado,
    Tem o olhar treinado, apurado.

    (Que hei-de eu fazer (?) volta e meia dá-me para isto – escrever poesia a metro, sempre sai mais em conta… Riso-arinhos, Riso-arinhos…).

  2. Jeronimo diz:

    crespologia é uma ciência originária dos primeiros meses de 2009, resultando da urgência epistemológica em estudar o jornalista Mário Crespo. As questões fundamentais desta área de conhecimento, que já nasceu velha, são duas:

    1) Crespo é tão imbecil como aparenta?

    2) E aquilo de que padece será peçonha que se pega pela televisão?

    Analisemos o seu último espasmo escrito, Os bons e os maus. Abre com uma tripla comparação — caso Freeport com acidente de Entre-os-Rios; jornalistas com supostos responsáveis pela tragédia; processos com acusações. E conclui o parágrafo atribuindo ao Governo a responsabilidade pelas equivalências dementes que nasceram entre as suas orelhas. Quer isto dizer que, para além de ofender todas as vítimas da queda da ponte ao utilizar a sua memória numa comparação lunática, se assume como um inimputável que não terá respeito por nada nem por ninguém na sua sanha persecutória e odienta.

    Segue-se a patranha que todos os pulhas andam a repetir sem um pingo de vergonha:

    Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal.

    Os pulhas repetem à boca cheia que Sócrates processa jornalistas porque não concorda com notícias e comentários. E que Sócrates é o anti-25 de Abril, um tirano, o Demo que veio para devorar a democracia. Ora, a impunidade com que esta súcia bolsa mentiras tem algo castiço, pois eles anulam a acusação no acto de a proferir, mas tem igualmente um lado sórdido, aquele que se consubstancia na perversão da opinião pública por figuras que têm tempo de antena diário sob a capa de exercerem jornalismo. A imbecilidade de se dizer que alguém processa um jornalista sem qualquer fundamento legal — posto que não concordar é figura que nenhum código penal no Mundo consagra — e que com esse processo destinado à inconsequência ou humilhação está a limitar a liberdade de expressão, é uma infâmia lesa credibilidade e deontologia que não se deve mais esquecer.

    Crespo não separa as águas, e quando escolhe notícias, decide tratamentos e destaques, quando entrevista aqueles que escolhe para entrevistar, está constantemente a transmitir a sua opinião. Uma opinião que atingiu um clímax de sacanice, canalhice e filha-da-putice ao afirmar que Fernanda Câncio saiu do A Torto e a Direito em resultado das tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública do Primeiro-Ministro, assim se tendo apregoado a sua intolerância ao contraditório. Mas que filha-da-puta.

    A crespologia não está ainda com a maturidade suficiente para conseguir discorrer sobre esta inacreditável ignomínia sem o recurso a munições de manguitos que durassem para quatro séculos. Pelo que nos vamos contentar com outra passagem:

    painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro

    Tem toda a razão. Os brilhantes Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho, sob a magistral batuta de Constança Cunha e Sá, não têm feito outra coisa senão discutir o caso Freeport na sua minúcia e complexidade; já o tendo praticamente resolvido, mais fax menos email. Também estão a planear discutir com saudável desassombro os casos BPN, BPP, BCP, Moderna, Casino de Lisboa, casas camarárias, Portucale, Paulo Portas, Dias Loureiro, João Jardim, Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Mas, primeiro, terão de reunir com Pacheco Pereira, Eduardo Cintra Torres, José António Saraiva e José Eduardo Moniz para obter autorização. É que isto do desassombro tem consequências que podem afectar a saúde de muito passarão, há que ter cuidadinho.

    A crespologia revela-nos, por proximidade conceptual, um vasto território de investigação, pardieiro onde se ajunta a fina-flor da ralé nacional. São estranhos bicharocos, só sobrevivem dentro dos televisores.

  3. rosarinho diz:

    Caro senhor Jerónimo,
    Não se esqueça que há gente com sentido crítico, há gente que não vê o mundo pelos seus olhos, nem pelas versões oficiam que nos tentam dar às doses.

    Aos nossos políticos, na generalidade, falta-lhes isto:
    “Gente igual por dentro
    Gente igual por fora
    […]
    “Homem que olhas nos olhos
    que não negas
    o sorriso, a palavra forte e justa
    Homem para quem
    o nada disto custa” (José Afonso)

    A meu ver, o senhor primeiro ministro quer “matar os mensageiros”, que formulam opiniões com base em tantas coincidências factuais, que optou por não esclarecer.
    Relativamente à conversa que o tio garantiu ter tido, comunicando-lhe uma tremenda fraude, o chefe do governo disse ao país, que talvez fosse possível o tio lha ter comunicado, mas (espante-se!) não registara na memória… Em minha opinião, o que o tio disse foi algo de muito grave… (aliás o próprio tio deveria ter ido – direitinho – apresentar queixa no ministério público… Entretanto, o filho do tio foi de férias, nunca mais ninguém o viu…) Não será melhor deixar ir para o lugar quem não deixe passar em branco tais situações? Quem REGISTE e COMBATA tentativas de corrupção?
    Ouvi o senhor ministro da presidência, senhor doutor Pedro da Silva Pereira, dizer que lhe parecia que o sr. PM “interveio muito mais no sentido de prevenir corrupção do que o seu contrário…” (Ora, se me é permitido formular opinião própria, não fiquei nada com boa impressão… e então num lugar daqueles não se manda investigar?). Não me interessam as “batotas”, tento sempre ver o que está por detrás…
    Quando o chefe do governo diz que : “Era o que faltava” colaborar para esclarecer este caso, se recusa terminantemente a pôr as contas à disposição da justiça, não entendo como persegue os outros por formularem opiniões ao observarem-lhe esta mesma postura… Um chefe de governo deve dar um exemplo de transparência, não acha?
    Senhor comentador, nós do lado de cá também temos olhos. Eu tenho REGISTADO na memória, “pequeninos detalhes” que fazem toda a diferença… Eu presto muita atenção a “pequeninos detalhes”, que me levam a interrogar muita coisa… e há muita coisa que não bate certo nesta história…

    Ao ler o seu comentário, fiquei com a certeza que as suas palavras reflectem muito mais o seu mundo (sem querer ser ofensiva), do que a postura de Mário Crespo.

  4. Nuno diz:

    E é isto
    ver a opinião de “jerónimo” tal como ela está escrita, quanto mais não fosse pela linguagem empregue, chegar-me-ia para distinguir de que lado da barricada me colocar.

    o resto são cabalas…

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