As coisas que Cavaco não disse

O Rui Castro apanhou-a bem. Fernanda Câncio, embalada pelo seu entusiasmo na defesa da nova lei do divórcio, ataca Cavaco Silva, atribuindo-lhe vários disparates: «um mês após a entrada em vigor de uma lei que vetou, a do divórcio, foi a Fátima fazer um discurso em que atribuía ao efeito da lei um aumento dos casos de pobreza. “Dizem-me que”, disse o presidente no meio de uma assembleia de prelados, sem cuidar de dizer quem lho tinha dito e muito menos como seria possível, num mês, medir tais consequências de uma lei.»
Pois. Só que acontece que a tal lei já estava em vigor havia dois meses, não um. E, de qualquer forma, nunca Cavaco se lembrou de fazer tal afirmação. Ele então falou, de acordo com o Público, numa «nova camada de população exposta à pobreza. O chefe de Estado disse ter recolhido informações de que a maioria desses casos “está associada a situações de divórcio” e que essas situações “tenderão a aumentar com a nova lei”.»
Atribuir algo ao efeito da lei é bem diferente de aludir a «previsíveis consequências sociais». Mas quem está tão apressada em topar nos outros a tal «relação difícil com a verdade» não tem tempo para se deter em minudências como a realidade dos factos e das palavras ditas.

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9 respostas a As coisas que Cavaco não disse

  1. Se dúvidas houvesse em relação aos problemas institucionais de Sócrates com Cavaco, Câncio já as tinha esclarecido. Leiam isto, também
    http://aoutravarinhamagica.blogspot.com/2009/04/ecografia-de-fernanda-cancio.html

  2. António Trigueiro diz:

    O NRA advogado de defesa do Cavaco ?

    Só me faltava esta….

    Espera, ainda não vi o porco a andar de bicicleta!

  3. Paulo Jorge Vieira diz:

    caro António Trigueiro
    so para referir que o texto é do Luis Rainha!

  4. PJMODM diz:

    A «jornalista vestida de comentadora» Câncio (não digo travestida porque não sou homofóbico) não acrescenta muito sobre a opinião que já se sabia que tinha sobre Cavaco. Apresenta também apenas mais um exemplo da «relação» que tem com a verdade (aliás a maior ralação dela parece ser que não se note nas suas relações).
    Importante é o que também revela publicamente sobre o «quase-engenheiro», em especial no seguinte trecho em que avalia: «os termos do seu [de Cavaco] último discurso, repetindo quase palavra por palavra a doutrina da líder do PSD e estrategicamente pronunciado quando já não pode dissolver o Parlamento».
    Atendendo à entrevista desta semana do «quase-engenheiro» que fez uma interpretação oposta do dito discurso de Cavaco (evidente para Câncio «palavra por palavra»), uma de duas, na versão da «jornalista vestida de comentadora»:
    1- O «quase-engenheiro» é um idiota que apesar de Cavaco repetir palavra por palavra Ferreira Leite não percebe a relação entre os discursos, nem sequer se apercebe das críticas, aliás injustas e falsas, que o visavam (a ele «quase-engenheiro»).
    2- O «quase-engenheiro» não é idiota a esse ponto, mas disse o que disse na conversa em família da sua RTP porque é um mentiroso.
    Dê por onde der parece que nem uma nem outra hipótese devem incomodar a cancionista. A ver pelas missas cantadas que a «jornalista vestida de prelada» ministra aos seus apaniguados ela convive bem com a idiotia. Por outro lado, fazendo questão de apanhar as incoerências, contradições de tantos e tantos, decerto que já captou algumas incompatibilidades entre o que diz o «quase-engenheiro» e a realidade. Aliás ela não afiança que ele é verdadeiro, apenas rejeita que ele tenha uma «relação difícil com a verdade». E aí, uma vez mais, a «jornalista vestida de psicanalista» acerta, os mentirosos profissionais, em regra, não têm relações difíceis com a verdade.
    Daqui não resulta que eu pense que o «quase-engenheiro» seja mentiroso, nem ignorante, há uns anos até partilhou que era um animal feroz que lia Popper e há uns dias falou com particular à vontade de uns livros «que toda a gente conhece» escritos na América latina… que nem eu, nem amigos meus que até são universitários de países dessa zona geográfica conhecemos. O problema com que fica alguém que se preocupa, como o sr. «quase-engenheiro», com a «lógica do conhecimento» «a la Popper», é que se ele não for nem idiota, nem mentiroso, o que será a «jornalista vestida de qualquer coisa»?

  5. António Trigueiro diz:

    Ops! Enganei-me quanto ao autor do post!

    Não sei porquê, mas iria jurar que tinha visto o nome do NRA.

    Sendo assim, retiro tudo o que escrevi, até porque sendo a escrita do LR,a minha admiração se desvaneceu completamente…

  6. Luis Rainha diz:

    Defender Cavaco? Iria jurar que a isto se chama repor a verdade dos factos, mas enfim.

  7. rosarinho diz:

    Como disse, há mais ou menos 2 semanas, Teresa, no blog “A Outra Varinha Mágica”, desconstruindo muito bem este tipo de escrita: Argumentação “fraquinha” que peca por uma visão simplista e dual da realidade. […]Por que motivo esgrime esta senhora cronista tais argumentos? Como retórica carece certamente de eficácia, não contribuindo certamente para uma mudança da opinião pública.
    Quanto à opção por se colocar na “posição da vítima” (onde é que já assistimos a isto nos últimos tempos?) tentando um cliché que consiste no recurso à expressão associação de malfeitores” (her words not mine) a cronista vitimiza-se,integrando a hoste dos “malfeitores” (sic). Será ainda irrisória esta gradação do sofrimento da vítima reforçada pela injustiça do dedo acusatório que lhe é apontado: defende os “malfeitores” e é acusada de medo, interesse e sabe-se lá mais o quê por parte do cidadão ingrato e desconfiado… para concluir, só a sensatez de Júpiter na epopeia de Camões: «Não ouças mais, pois és juiz direito,/Razões de quem parece que é suspeito.”»

    Subscrevo o comentário da Teresa e só remato este pequeno escrito com um pequeno desabafo: Esta senhora “cancia-me”, enfastia-me muito, por isso evito lê-la.

  8. Sérgio diz:

    Se forem ao outro blog, ver o post que este aqui refere, poderão ver algo de raro. Muito raro.

  9. Enojado diz:

    Um nojo, essa gaja.

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