momentos felizes

cas

Há momentos em que um texto, uma frase, uma palavra nos atingem ‘fundo’. Há momentos em que as palavras dos outros nos fazem sentir feliz. Este texto do Pedro Múrias – publicado hoje no Público – é um desses momentos. Não resisto a citar:

Daí ser um desconchavo agressivo e malévolo propor um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dificilmente um professor de Direito Constitucional arranjaria melhor exemplo de uma questão que não devemos referendar. Não cabe discutir em referendo se a Constituição concede ou não o direito de casar. Não cabe sujeitar a um referendo os direitos de uma minoria de cinco por cento da população, vítima histórica e actual de crimes de ódio e insultos generalizados, de tal modo que quase não há um homossexual da televisão portuguesa, dos grandes escritórios de advogados, da direcção dos maiores partidos ou das maiores empresas que tenha a coragem de sair do armário. Não cabe sujeitar o símbolo com que cada um queira sentir-se privilegiado na sua vida ao confronto com o símbolo de exclusão de alguns e de privilégio de classe que outros talvez queiram manter. A democracia não é isso.

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