Descomprimamos dos “processos” (embora mantendo e ampliando a tensão com a “Sagração” de Pina Bausch)

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3 respostas a Descomprimamos dos “processos” (embora mantendo e ampliando a tensão com a “Sagração” de Pina Bausch)

  1. O ano passado vi aqui no S.Luís um vídeo dum espectáculo, deve ser deste. Fiquei impressionada. Não estou, a nenhum título, dentro do ramo, nem sei o que queres dizer exactamente com tão extenso título (do post). Quero, apesar disso, aproveitar para testemunhar – porque me foi dado ver trabalhar durante semanas, em Lisboa e em Wuppertal, Pina Bausch – que é qualquer coisa de extraordinário e (talvez falsamente ) duma simplicidade (quase) obscena ‘o método’ (‘os processos’?) desta mulher.

  2. Carlos Vidal diz:

    Viva Fátima, folgo muito ver-te por este post sem pretensão. A ideia era apenas assinalar uma mudança de assunto, depois de dois textos sobre os “processos” de Sócrates a jornalistas, ou depois de vários sobre esse tema em todo o blogue.

    Tratava-se de falar em tipos de tensão, dizendo eu ironicamente que a queria “alta” também (da política para a arte), e nada melhor do que recorrer a uma das únicas obras de Pina Buasch onde ela coreografa algo que pertence ao reportório tradicional moderno: a Sagração de Stravinsky, coreaografia dos anos 70, período que é talvez na autora o meu preferido (com “Barba Azul” e Cafe Muller, por exemplo).
    De resto, tens razão, o método de trabalho da autora é simples e complexo, pois dele resulta muito material obrigatoriamente imprevisível. Como tu observaste e eu não, podes confirmar: acho que tudo passa por diálogos com os performers, jogos de perguntas e respostas de forma a que a obra “nasça de dentro para fora” (como ela diz), depois é importante a repetição e a fragmentação, pois todas as obras são constituídas por pequenas unidades de significação e acção, sempre inacabadas e cortadas por uma espécie de automatismo ou intuicionismo que vem do princípio do século (do surrealismo, por exemplo).
    Esta “Sagração da Primavera” é diferente da fragmentação actual, que também me interessa, mas prefiro estas obras dos anos 70, que ela repõe muitas vezes.
    Um abraço.

  3. Olá Carlos, só depois – quando dei uma voltinha por aqui- é que percebi aquilo dos ‘processos’, etc e tal, e já vi que andas empenhadíssimo na discussão política. Acho que fazes bem. É preciso, pelo menos, falar e em política falar é fazer. Quanto à Pina Bausch, como te disse não sou conhecedora da coisa, vi 3 ou 4 espectáculos e tive o privilégio de a ver trabalhar. O que mais me impressionou foi o risco do processo, a entrega que exige, quer duma parte, quer doutra. Não sei se está em uso ou em desuso aquela metáfora hegeliana do senhor e do escravo (receio que esteja bastante fora…) mas, seja como for, ocorre-me, agora que penso no grau de contribuição que têm os bailarinos nos espectáculos, sem que estes deixem de ser por um momento espectáculos von PB. Fiquei deveras surpreendida com a Sagração. A crer no video que vi o ano passado, se há coisas a que gostaria de ter assistido era justamente a esse espectáculo. Bom, Carlos, agora que já me meti – cautelosamente – contigo, à bientôt.

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