a (pós)memória da guerra

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Estamos a menos de uma semana das comemorações de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974. Sabemos que há uma ligação directa entre esta data e o fim da Guerra Colonial. Para mim elas sao um sinónimo intímo e sentimental muito presente.
Não tendo vivido efectivamente este conflito que marcou tanto a sociedade portuguesa, vivi com essa guerra sempre muito próxima de mim. A guerra estava dentro de casa: nas fotografias daquele album gigantesco do meu pai – jovem e sem o bigode que lhe (re)conhecia na minha infância -; nas frases e expressões estranhas – hoje sei que são palavras retiradas das ruas de Bissau – usadas pelo meu pai quando nos dava ralhetes; nas opiniões cínicas e críticas da “nossa” (des)colonização.
Tal como eu – nascido em 1973 – há uma geração larguíssima que viveu, e vive ainda hoje, essa (pós)memória da Guerra Colonial. Há alguns anos nas aulas do mestrado que frequentei (que nao terminei por falta de dinheiro) discutimos esse tema. O grupo de alunos tinha pessoas da Guiné, Cabo Verde, Brasil e Portugal. Destes a maioria era filha de ‘militares portugueses’ que participaram na Guerra Colonial. A partilha das nossas histórias naquele momento acabou por dar azo ao surgimento de um projecto de investigação que “aprofunda algumas linhas críticas sobre a Guerra Colonial a partir de testemunhos de filhos de ex-combatentes, ou seja, a partir da pós-memória da Guerra, a memória daqueles que não a experienciaram, mas cresceram mergulhados em narrativas da guerra vivida pela geração dos seus pais”. Intitulado “Os Filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações” este projecto irá trazer um novo olhar sobre esse momento único, – nas diferentes facetas da violência imposta a todos os que nela participaram – da nossa história recente.
Obrigado Margarida Calafate Ribeiro por dedicar mais uma vez o seu brilhante labor científico a (re)descobrir mais esta faceta da Guerra Colonial.

Adenda: a foto é do Hospital Militar de Bissau onde o meu pai esteve internado entre a vida e a morte.

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15 respostas a a (pós)memória da guerra

  1. Algarviu diz:

    Pois é. Os primeiros seis meses na Guiné foram aí passados. Não por razões de saúde mas a fazer uma inspecção administrativa. Assisti a cenas que por serem num hospital e num enquadramento de guerra não se me varrem da memória com facilidade.

    As gerações que se seguiram nem de perto nem de longe imaginam o que era viver com o espectro da guerra a pairar sobre quem se aproximava dos vinte anos. E depois fazê-la ou desertar. E depois viver com essas experiências.
    Ainda bem que esse flagelo desapareceu da nossa vivência.

    25 de Abril sempre!

  2. Paulo Jorge Vieira diz:

    caro algarviu
    o que me parece é que permanece, de outro modo é certo, esse ‘flagelo’ na nossa memória. essa guerra marcou a geração do meu pai, mas terá com certeza marcado o modo como a minha geração pensa sobre a guerra e aqueles territórios.

  3. septuagenário diz:

    não deixem de acompanhar de perto um blog da guiné :Luis graça&camaradasda guine.

    E, agora que é dificil compreender África, ao acompanhar a nossa guerra, não deixei de comparar com a guerra de todos os colonizados.

  4. Ricardo Marques da Silva diz:

    Parece-me bastante interessante este projecto (ainda vou ver se dá para participar no estudo). Embora tenha nascido apenas em 1978, o meu pai combateu em Angola de 69 a 71. Em minha casa, e talvez por terem passado 8 anos entre o regresso do meu pai e o meu nascimento, este assunto nunca foi tabu, fazendo com que eu tivesse sempre uma grande curiosidade neste periodo da nossa história.
    E concordo em com o Paulo Vieira. Não sei se foi uma geração inteira de filhos que ficou “marcada”, mas pelo menos muitos de nós, e embora nao tenham felizmente passado pelo mesmo, têm a perfeita consciencia dos problemas, dos horrores, dos dilemas e de algumas coisas boas (porque também as há), que os nossos pais viveram.

  5. Rui Barandas diz:

    Verifica-se duas versões no que se refere á guerra colonial:

    1-A versão das gentes das esquerdas que fazem da mesma um drama terrível, uma verdadeira tempestade num cópo de água,tipo tentarem justificar a terível desconolização que empurrou para a desgraça centenas de milhares de famílias de portugueses, que sem culpa tiveram que abandonar tudo. Esses mesma das esquerdas nunca mencionam que a guerra era apenas nas fronteiras e não morreram assim tantas pessoas como dizem……………….(morrem mais jovens nas Estradas Porguguesas em acidentes por ano do que na guerra toda)

    2-Depois vem a versão dos que na sua portugalidade, brancos e negros, defenderam nessa mesma guerra, valores e vivências que eram muito próprias dos que viviam nos territórios afectados.

    A maioria dos que pertenciam ao exécito portugues quer na Guiné Bissau, quer em Angola e Moçambique, eram negros,

    e esta heim?

    Já cansa ouvir falar nos coitadinhos que por lá sofreram, mas sofreram o quê? Não será que estão hoje muitos portugueses a sofrer muito mais?

    é pá já chega de tanto chorar, por algo que aconteceu ha d´´ecadas vamos antes chorar por aqueles que :
    1-querem comer e não têm como
    2-precisam de uma operação urgente, e morrem sem a ter
    3-perderam os seus empregos
    4-andam desorientados sem saber o que fazer
    5-os políticos e os que podem, roubam por tudo quanto é sítio.
    6-os das esquerdas apregoam democracia mas quando governam implantam verdadeira ditaduras, onde os seus líderes são senhores e reis………..

  6. Rui Barandas diz:

    Já agora como ainda não percebi bem de que cor política são agradecia que meinformassem devidamente, pode ser?

    Estou aqui perante comunistas, estemistas da direita? o quê?

    obrigado e parabens pelo blog pois está muito bem apresentado.

    Rui Barandas

  7. Paulo Jorge Vieira diz:

    caro Ricardo
    este projecto é bastante interessante e o caracter transdisciplinar da equipa bem como a excelência do trabalho dos investigadores nesta área são um ponto a favor.
    contacte a equipa para saber se ainda pode participar

  8. Paulo Jorge Vieira diz:

    Caro Rui
    As versões sobre a Guerra Colonial são imensas! Mas no entanto preocupa-me que ache que a guerra não foi mais do que “uma tempestade num copo de água”. Acho mesmo que a sua opinião é prova de um profundo desconhecimento sobre a Guerra Colonial. Ha bons programas de TV (Joaquim Furtado) e muito boa literatura (ensaistica e narrativa) sobre a Guerra. Leia um pouco!

  9. Rui Barandas diz:

    Caro Paulo Jorge,

    Estive lá, nasci lá, vivi lá, conheci tudo. Eu não vou pelo que Joaquim Furtado diga ou não,ou outros, eu apenas acredito naquilo que vejo.

    Já cheguei a esse ponto, e o que posso dizer é que tudo quanto dizem, é simplesmente toda uma história distorcida do que por lá se passou. (Com meias verdades, que são mais perigosas do que as mentiras totais)

    Meu querido amigo, faça como eu, não acredite em nada sem primeiro ver.

    Sabe, antes eu não podia com Israel, até vistar aquele País, e fui lá como que empurrado, e ao cabo de dez dias fiquei deslumbrado.

    No entanto o que se diz na Comunicação Social em Portugal, não é nada do que na realidade se passa por lá.

    Sabe, antes havia a maldita censura, mas hoje há as filtragens dos diferentes directores da redações dos Jornais que publicam e fazem os comentários á maneira deles.

    Está errado..

    Um abraço.

  10. Rui Barandas diz:

    Já agora ainda vou um pouco mais longe……………..

    Sabe que há dias foi comemorado o massacre de Arrifana em que as tropas de Napoleao massacraram 71 civis, quando das Invasões francesas……………………………….e eu pensei, e então e os milhares e milhares de portugueses que foram massacrados no dia 7 de Setembro de 1974, em Moçambique, na maior das selvajarias, pois foram esquartejados, queimados vivos dentro dos seus carros quando tentavam fugir para a África do Sul, enfim o maior genocídio de Portugueses da História contemporânea, senão mesmo da História de Portugal da qual ninguém quer falar, e foi totalmente e completamente abafada, logo o medo de se falar na descolonização, e nas guerras de África, tal como elas foram. Já viu o que seria se o povo portugues soubesse da verdade?

    O mesmo se passa com a Casa Pia. Catalina Pestana disse que se soubesse de toda a verdade eram uma verdadeira bomba atómica………

    Elas são tantas que Portugal não aguentaria…….

    Pois é meu querido amigo, não concordo com as guerras e a descolonização devia ser feita, mas bem feita, mas não foi, e agora há um medo terrível por parte de quem a fez, de que a verdade venha ao de cimo, logo a propaganda constante sobre a guerra de África para poder justificar a descolonoização (bem ou mal feita)

    Um abraço

    Rui Barandas

  11. Luis Rainha diz:

    Rui,

    O 7/9/74, assim descrito, parece que não foi o dia do golpe falhado dos “Dragões da Morte”, quando grupos armados também desataram a alvejar negros nas ruas. Não percebo como atribui esses acontecimentos à descolonização, assim sem mais nem menos. Essa versão “à la Fórum Nacional” não é condizente com os relatos que já saíram em livro sobre tal dia. E o número de mortos (milhares e milhares) é exagerado; mas certo é que as vítimas não foram apenas portuguesas.

    E essa da “tempestade num cópo de água” causa asco. Para começar, não morrem mais jovens em acidentes rodoviários num ano do que morreram na guerra. Isso é mentira. E os feridos? O meu pai ficou ferido para a vida, e não estava nem perto da fronteira quando foi alvejado.

  12. Luis Rainha diz:

    Só a guerra da Guiné causou mais de 2.100 mortos portugueses.

  13. Rui Barandas diz:

    Caro amigo Luis Rainha, lamento muito sobre o que aconteceu ao seu pai, ainda para mais, ele, que segundo me parece, nem era de lá assim compreendo, ou seja foi defender uma terra inóspita (conheço bem a Guiné Bissau), que não conhecia e era um inferno, e devia ter sido logo entregue aos NACIONALISTAS. (naquela tempo eram conhecidos de TERRORISTAS)

    Foi pena não ter sido destacado para Angola ou Moçambique, pois ele, tal como tantos que depois por lá ficaram , ia mesmo adorar.

    Eu falo muito particularmente em Moçambique, onde nasci, cresci, e vivi até ir estudar para a África do sul, quando depois se deu o 25 de Abril e toda a derrocada que todos conhecem.

    Mas note, conheço muitos aqui em Portugal que sem terem saído do País estão igualmente aleijados, ou por causa de acidentes, ou de quedas, enfim, é a vida.
    Quanto aos mutilados de acidentes, com motas, com altas velocidades, são contabilizados aos milhares, para já não se falar nos que sem terem nada que fazer recorrem ás drogas, ao crime e a outros desvios sociais…………………..o meu pai dizia que “quem náo trabalha, dá trabalho”

    Mas voltando á guerra, sim morreram muitos, duvido que tenham sido 2100, mas mesmo que fossem, olhe que não foram todos alvejados tal como o seu pai, não, era por acidentes, devido as altas velocidades, por nadarem em rios infestados de crocodilos, apesar de serem avisados, e por aí fora, agora veja em 14 anos de guerra, (2100 , o que dividido por 14 anos de guerra dá 150 por ano, o que dividido por 360 dias dá 0.4 de mortos, ora chama a isto uma guerra?
    A guerra em Moçabique estava ganha, e as populações adoravam os portugueses e era para eles que elas corriam quande se encontravam em perigo. Eu próprio cresci na zona da Beira, para onde fui em 1950 com apenas três anos, e corria aqueles “tandos” por todo o lado sempre acompanhado de amigos negros que me ensinavam a caçar e a fazer ratoeiras………………e nunca mas nunca vi um acto de agressividade ou outro mau gesto, pelo contrário, defendiam-me com “unhas e dentes”..

    Não, não vá “na cantiga” do que contam por aí………….

    Olhe há tres anos voltei á Beira.
    Foi tão chocante e fiquei tão sensibilizado, que nunca mais lá volto. Os locais ,que me reconheceram agarraram-se a mim a soluçar, e a dizer ………..a mãe abandonou-nos e eu sem perceber mutoi bem no meio de toda aquela comoção, só depois compreendi, que eles se referiam á MÂE PÁTRIA, e depois constatei que muitos ainda tinham a bandeira de Portugal nas suas salas de visita…………

    Foi muita pena a desconolização que se fez, e agora tal como disse acima, há toda uma procupação para se justificar a mesma, contando sobre as horriveis guerras coloniais……………….

    Quanto á descrição que faz sobre o Forum Nacional, diga-me, o que é que eles, ou seja os skin heads e os nazis, Nacionais Socilistas (querem implantar uma Répulbica Hitleriana em Portugal) sabem do que se passou?
    São outros que tais, enfim uns numa extrema direita e outros na esquerda…….só transmitem, o que não é a verdade e o engano é algo terrível.

    Um grande abraço

    Rui Barandas

    .

  14. Rui Barandas diz:

    Gosto imenso deste blogue, posso me registar no mesmo?

  15. A guerra colonial por muito que haja quem queira branquiar nao da para esquecer quem ainda hoje vive com as suas consequencias dentro da propria casa que e o que se passa comigo levaram-me um marido com saude devolveran.me um morto vivoque só ainda não acabou com a vida porque sempre tem tido todo o apoio que tem sido necessariotanto da minha parte como dos filhos para o conseguir tratar por vezes cheguei a trabalhar trinta eseis horas seguidas quem acha que e treta eu posso provar com docomentos

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