ele é tão lindo

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Parece que a canonização de Nun’ Alvares tem feito correr alguma tinta. Têm sido muitos comentários, posts e textos de opinião sobre o tema a problematizar de diferentes perspectivas a canonização deste português onde um outro “tuga”, de nome Saraiva Martins parece ter tido um papel importante.
Hoje li já o texto que a Fernanda Câncio escreveu no DN e o post do Miguel Vale de Almeida no seu blog.
Neste debate estou mais com a Fernanda, também gosto do “desenho mais garboso de um homem de armadura e espada erguida num cavalo à desfilada” que nao encontrei. O Miguel parece não gostar muito da figura: “ele tinha aquela coisa, aquela aura, aquele olhar, não sei, de alucinado religioso (de beato, pois), a roçar aqueles personagens medievais russos bem detestáveis”.
Eu gosto. Encontrei este óleo de Carlos Alberto Santos e dei comigo a pensar que o agora santo, é muita vezes representado como um homem lindo! Mais com aquele traje está bem sexy! Pois, sempre gostei muito de fardas! Gostos…
Entretanto no meio da escrita deste post, decobri que o Bispo Auxiliar de Lisboa desanca nas críticas que os aos ateus têm feito a esta canonização salientando que “a canonização de uma figura – como é o caso de Nun’ Alvares – tem como razão primeira as virtudes fora do comum, vividas em grau heróico, que aqui são absolutamente claras: entrega total ao serviço da pátria, confiança absoluta em Deus, perdão, partilha, serviço aos pobres”.. Espera aí, ele está a ser canonizado pela entrega total ao serviço da pátria?

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30 Responses to ele é tão lindo

  1. manuela diz:

    Não, está a ser canonizado pelo empenho santo em conseguir do rei mais e mais terras e poderes, pelos sagrados conflitos sobre jurisdições e domínios, pela penitência de ter sido o maior terra-tenente do seu tempo, pela humildade de ter colocado a família ‘nos cumes mais elevados da escala social’. E por mais coisas.

    Mas está bem, foi um guerreiro indispensável, agora santo?

  2. Bem, na verdade, o que FODE muita gente, consiste no facto da vitória por ele obtida sobre certa gente que ainda tem veleidades em “tomar conta” disto. É claro que alguns lucrariam com a coisa, até porque existe sempre uma promessa de “oro y regalos”. Vejam o Saramago, que esperto foi: das “massas” do Kremlin, para as “tapas” canarinhas…

    O verdadeiro milagre foi Aljubarrota.

  3. Paulo Jorge Vieira diz:

    não sei se um batalha poderá ser um milagre! mas seja…

  4. Para o Paulo Jorge Vieira

    Neste caso, FOI mesmo um “milagre”. Tão poucos deram uma valente chibatada a tantos. E ainda cá estamos, eternos sobreviventes. Até quando?

  5. Paulo Jorge Vieira diz:

    Caro Nuno

    Não sei se este momento em particular da história de Portugal é assim um tão grande momento de orgulho. Pelo menos para mim não é!

  6. Caro Paulo

    Que nos sirva de inspiração, não para guerras mas para fazermos algo por nós próprios. Todos juntos, como se tivéssemos saído de uma grande guerra, derrotados.Tal como os alemães fizeram no pós-1945. Há que ter ânimo e vergonha “disto”.

  7. Ricardo Santos Pinto diz:

    «Pois, sempre gostei muito de fardas!»

    Há cada tarado.
    Estás a falar de um santo, olhó respeito!

  8. jacuzzi diz:

    oh, castel-branco, volta la para o buraco de onde saiste e depois fecha a porta que cheira a mofo.

    ‘todos juntos’, ‘os eternos sobreviventes’, ‘o milagre’… imagino que para ti tenha sido uma decisao dificil escolher entre o Salazar e o Afonso Henriques para o ‘Maior Portugues de Sempre’.

  9. Enojado diz:

    Mas que disparate de post!
    Então essa coisa de santos não é lá com os católicos?
    Digo eu.

  10. maria monteiro diz:

    O verdadeiro milagre é … em tempos de crise haver quem organize peregrinações pela canonização do Beato Nuno. A isto chamo reinventar a solidariedade.

  11. Grunho diz:

    Porque é que o Rato Zinger não se entretem com os seus Escrivás e Torquemadas e não larga a braguilha ao Nuno Alvares Pereira?

  12. Oh Jacuzzi, vai-te esfregando na tua burguesa água quentinha e não chateies o pagode. E já agora, não é Castel, falta o O.

    * De um buraco do gulag saíste tu, pá…
    Quanto ao maior português de sempre, foi difícil, a escolha era muita:
    Afonso Henriques, Dinis I, João I, Nuno Álvares, João II, Gama, Cabral, João de Castro, Albuquerque, Damião de Góis, Pedro Nunes, Camões, António Vieira, João IV, Marquês das Minas, Pedro IV, Fontes, Camilo, Eça, Mouzinho, Carlos I… e podia continuar. É que a História não se limita a barreirinhas e safardanas traidores e bafientos que tais, pá…

    Já estou a ver a tua lista de eleitos:
    O Andeiro, Miguel de Vasconcelos, duque de Alba, Francisco de Melo, os três Filipes, Olivares, Junot, Soult, Massena, Afonso Costa, o Dente de Ouro, Cunhal, Costa Gomes, Otelo, etc. Tudo gente “simpática e patriótica”, como se sabe.
    Fica bem e continua a gozar a borbulhante água.

  13. Para o Grunho:

    Porque os portugueses andam atrás dos papas a chateá-los com este assunto há mais de 300 anos, pá… Os nossos vizinhos é que têm torpedeado a coisa por razões mais que óbvias. E ironias das ironias, o João Carlos e a Sofia são descendentes do Nuno Álvares. Até seria de bom tom aparecerem na cerimónia, mas duvido muito, pois há coisas que não mudam. Monomanias…

  14. Pedro diz:

    Ò Castelo Branco, você fica castiço com esses arroubos patrióticos, mas olhe que se Aljubarrota tivesse sido perdida, você chamar-se-ia Castillo Blanco com muito orgulho e daria graças a dios por ese barbaro condestable ter levado em la piña y por vivir numa nacion tan guapa e valerosa. Exactamente da mesma forma que os portugueses agora celebram o facto de os mouros de Lisboa e Santarém terem sido derrotados pelos mercenários do Afonso Henriques. Dão-me sinceramente vontade e rir essas raivinhas patrioticas contra o conde andeiro e o miguel de vasconcelos. Cada um tratou dos seus interesses e das suas lealdades particulares, como era uso na época. O resto é mitologia histórica. Beatifiquem lá o homem, que é bom para o turismo.

  15. Se Aljubarrota tivesse sido perdido, logo aconteceria um outro 1640 mais cedo. Não percebe que a esmagadora maioria da nossa gente não quer nada com eles? Quanto ao … cada um tratou dos seus interesses… estou de acordo e por isso mesmo levam o ferrete já caído em desuso mas ainda presente no dicionário: traidor.

    Claro que tenho arroubos patrióticos. Em África era assim que nos criavam, o que quer que faça? Não tenho a mania de que sou “francês” como por aí se vê. Isso é que dá vontade de rir e na verdade é de um saloio casticismo, esse fazer de conta para agradar ao estrangeiro. Não estou para isso.

  16. Paulo Jorge Vieira diz:

    este debate é sobre nacionalismo é giro! divertido até!
    mas Nuno Castelo Branco deve um senhor ser canonizado “pela entrega total ao serviço da pátria”? não lhe parece contraditório com o que é o espírito universalista da Igreja Católica?

  17. Bah, estou-me nas tintas para o nacionalismo – isso é outra coisa – e para assuntos de igreja. O que me interessa é o que o Condestável significa. Digo, significou, porque hoje em dia, a gente é bem diferente e tão distante dos nossos antepassados, como os egípcios de hoje o são relativamente aos da época de Ramsés II. Para não dizer pior.

  18. Pedro diz:

    Nuno, não me percebeu, ou fingiu que não me percebeu. Vou explicar melhor. A formação de estados independentes, no periodo em que viveu o santinho e até muito depois, foi fruto de contingências muito variadas, desde batalhas perdidas e ganhas, alianças, interesses territoriais, económicos, etc. Partiu-se e repartiu-se. Deu este formato que está agora, como podia ter dado de outra maneira. A maioria da “nossa gente”, como diz, se fosse agora espanhola, estaria bem assim, incluindo você, e à esmagadora maioria nem passaria pela cabeça que podia ter sido um dia portuguesa, ou que poderia ter havido um pais chamado portugal, se certas batalhas remotas tivesem tido outro resultado. Se o condestável estivesse com gripe naquele dia, você nem saberia agora que o tipo tinha existido.
    Eu não tenho orgulho de ser português, nem deixo de ter, da mesma forma que não tenho razões para ter orgulho por ter nascido. Isso, simplesmente, não faz sentido. Não escolhi, ninguém me perguntou se o queria ser. Orgulho tem-se das opções e actos que se praticam por livre arbitrio, quando saem certos.
    É claro que já que cá estou, já que sou português, torço pela selecção e digo que o queijo da serra e melhor que o gruyére. Não por orgulho de ser português, mas por espírito de comunidade. Tivesse a história sido diferente e estaria agora a torcer pela selecção espanhola ou pela selecção de um pais chamado óaiólinda, ou coisa assim.

  19. Pedro, claro que entendi e subscrevo na íntegra o que escreveu. Apenas me irrita um certo masoquismo de “coitadinhos de nós” que anda por todo o lado. Humilhação é isso mesmo, a pena que temos de nós próprios. Como dizia, não alinho nessa.

  20. Pedro diz:

    Está a ver o que digo? Você vê os espanhóis a dizerem “coitadinhos de nós”? raio do santo, que só nos atrapalhou!

  21. Carlos Fernandes diz:

    Ò Pedro (metendo uma colherada na conversa com o Castelo- Branco) mas “coitadinhos” e “atrapalhou” como, se foi o Condestável que permitiu e patrocinou a expansão marítima e a construção de um grande Império, da parte de um pequeno país?
    Isso podia-se, talvez, aplicar a A. Quibir… No entanto sabe-se hoje que os mouros ganharam aí ( leia-se o livro-relatório “Minuto Vitorioso” de José de Esaguy) por mero acaso e por um grande golpe de sorte…

    Olhe, eu também não escolhi o país e a família em que nasci, e também não vou escolher os filhos que porventura terei, mas terei de gostar deles, como é natural e normal…

  22. Algarviu diz:

    Venho tarde ao debate sobre o santinho mas há quem considere o senhor como um cobarde que no calor da luta fugiu. Regressou quando a batalha estava ganha e desculpou-se dizendo que tinha ido rezar.

    Se o asunto não ficar por aqui voltarei para sustentar com mais rigor historiográfico o que afirmo. (fernão lopes e outros).

  23. Passando pelo clássico pessimismo – e que nem sequer corresponde à verdade histórica – do Algarviu, se existe esse sentimento dos “coitadinhos”, tal se deve em grande parte, à frustração da “inteligentsia” nacional, muito preocupada com delírios de grandeza pessoal e que se imagina sempre em palcos mais vastos, geralmente situados à beira do Sena. Esta é uma discussão que pode durar meses, porque o que na verdade importa é a marca indelével que os ditos “coitadinhos” deixaram na história. O Carlos Fernandes bem refere o período da expansão que não foi fruto do acaso, mas sim da porfia, estudo científico e superior direcção do Estado. Neste âmbito, o Condestável é um símbolo ou um marco, se preferirem. Como é óbvio, neste período de submissões voluntárias – el oro puede mas – tornou-se numa figura histórica bastante incómoda, até porque os nossos actuais dirigentes não podem ser comparados com vantagem, a quaisquer outros do passado longínquo. Repito, nem de longe!
    Como o Carlos diz, não escolhi o país onde nasci e que por sinal, nem é este, mas um outro bem longe que também era território português. Já não é e aceito o facto com toda a naturalidade. No entanto, esse rebaixamento moral que nos é imposto pelos ditos “bem pensantes” é absolutamente ridículo. O que ganhamos com isso?

  24. maria monteiro diz:

    … afinal o Vaticano convida à canonização de Nuno de Santa Maria Alvarez Pereira.

  25. Pedro diz:

    Ó malta, vamos lá a saber uma coisa. Esse tal Nuno Alvares, esse gigante da Pátria, com quem ninguém agora se pode comparar, esse paladino que afinal parece que patrocinou a construção do império e tudo, ena pai, o que sabem vocês dele, afinal? Vamos lá, discussão, fontes históricas, bulha, que isto não é para meninos (e não estou a falar das hagiografias oficiais dos livros da primária do estado novo, esses conjuntos de pagelas de santinhos).
    Carlos Fernandes, só uma nota sem importancia sobre essa do “terei de gostar” dos filhos que tiver: Gostar não é uma obrigação. Cuidar, sim. E amor filial não tem nada a ver, nada, com amor à pátria, assim como cantar canções de ninar, nada tem a ver com cantar o hino. A seu tempo, você aprenderá..

  26. A discussão se é justo, se não é, se o santo fica bonito de bibe, se o presidente obedece a ateus ou ao papa, et c., é-me perfeitamente indiferente.

    Sou fã do Nuno por ter inspirado tanta gente no baptismo da prole e assino por baixo a canonização se o beato fizer o milagre de haver um Luc Besson ou Peter Jackson que agarre numa superprodução de Aljubarrota. Para assistir com cacahuetes num multiplex qualquer de Canto Blanco.
    Isso é que era, pá.

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