Nem carne nem peixe


Bela surpresa, esta letra dos Xutos, aqui afixada pelo Paulo Jorge. Palavras fortes e directas, incluindo o sempre bem-vindo “foder”. Há muito que pouco ligo a esta banda, para mim decaída em mera armadilha de marketing: poses e adereços de rock n’roll a embrulhar cançõezinhas de música ligeira, à mistura com imitações dos Scorpions e coisas piores. Solos pirosos, saxofones fatelas e temas tão trauteáveis quanto esquecíveis.
Agora, parecem dar sinais de querer voltar a dias mais autênticos, embora a inspiração musical continue fraquita. Tristes são aquelas declarações em que admitem que o “engenheiro” da canção é o PM do nosso descontentamento mas ressalvando que «nunca quisemos fazer um ataque político directo.» Quer dizer: é mesmo de Sócrates que falam, mas não é para levar a mal, nem a sério. Uma no cravo, outra na ferradura.

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3 respostas a Nem carne nem peixe

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Estava para postar sobre isto, mas depois li essas declarações e perdi vontade. Fico na dúvida se será marketing ou intervenção política.
    Espero a clarificação.

  2. Sempre achei os GNR muito superiores aos Xutos e sempre achei que o Reininho mete o Tim num bolso. Dos Xutos, guardo a primeira fase. Fiquei surpreendido com este «Sem eira nem beira», dedicado ao senhor engenheiro. Mas logo veio a água na fervura. Bem me parecia que era fruta a mais. Afinal, o Zé Pedro agora é um menino bem comportado e até é comendador ou lá o que é.

  3. MedOkss diz:

    Pois é, pois é.
    É porque fica bem, fica bem ser do contra.
    É… mais rock.
    Os Xutos, tal como eu os vejo, são o tal produto de marketing de que fala e também mais “transmissão directa” sobre a sociedade portuguesa.
    É complicado permanecer fiel a ideais, até a simples ideias, nos dias que correm, acho eu.
    Essas declarações dos Xutos reflectem a idade que vão tendo, a posição social que têm, do tipo, cantamos que isto está uma merda mas… respeitinho, porque tudo isto é relativo. Ele até pode ser um gajo sério e ganhar as eleições, e depois como ficamos? Então e os nosso interesses?
    A idade não perdoa…

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