Aplauso duplo para Mário Nogueira

Leio no “Público” online:

No dia em que o Ministério da Educação se volta a reunir com os sindicatos de professores, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira, voltou a criticar fortemente as políticas educativas seguidas pela tutela, confirmou que a Fenprof irá avançar para uma nova manifestação no dia 16 de Maio e disse que irá apresentar publicamente o Livro Negro das Políticas Educativas do actual Governo.

Aplauso, portanto, para a convocatória do próximo dia 16 de Maio. E, mais ainda, para o anunciado “Livro Negro” para que fique registado definitivamente o horror (eu gostaria de dizer “cancro”, mas não sei se dá azo a processo) da política do Ministério da Educação.

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13 respostas a Aplauso duplo para Mário Nogueira

  1. jcd diz:

    Estive a ouvir as exigências de Mário Nogueira, na TSF. Metade delas não têm ponta por onde se pegue. Por exemplo, todos os professores devem poder atingir o nível máximo, sem limitações de vagas? Fantástico. É como se nas empresas todos tivessem o direito de ser administradores ao mesmo tempo.

  2. Luis Rainha diz:

    Não me parece que o “nível máximo” dos professores tenha algo a ver com as funções de administrador de empresa. E “poder” não equivale a “conseguir”.

  3. Carlos Vidal diz:

    O comentário de jcd não tem ponta por onde se lhe pegue, ganharia um prémio do absurdo do absurdo.
    Com o Luís, aqui, concordo.
    Além do mais, além de tudo isso, eu queria chamar a atenção para o “Livro Negro” a sair brevemente. Notável ideia (natural, no fundo). Gravar a “negro” para nada ficar esquecido. Aplauso meu, obviamente. Aplauso forte.

  4. João Pestana diz:

    Todos sabemos que muito poucos seres humanos vão viver até aos 100 anos mas do ponto de vista de jcd não vale a pena medicar a todos por igual porque só muito poucos vão atingir esse patamar. Porventura não dirá nada a este senhor o princípio: “Todos os homens (e mulheres) nascem iguais”?

  5. Chico da Tasca diz:

    O comissário politico do PCP junto dos professores (ou será o ministro da educação sombra ?) pode publicar os livros que quiser, nas cores que muito bem entender, e pode juntar os carneiros que quiser para os pôr a pastar na Av. da Liberdade, as vezes que pretender, mas uma coisa é certa : quem define politicas é quem tem legitimidade democrática para isso, ou seja, a Ministra da Educação.

    Esse senhor que mais não é que um terrorista a mando dos comunas, convenceu-se de que não é assim, que é ele que define o que há-de ser feito ou não em termos de Educação, que o verdaeiro minstério da educação é a Fenprof, e que as decisões são tomadas na sombra na Soeiro Pererira Gomes !

    Louvo aqui a Ministra da Educação por fazer frente a esse irritante sujeito.

    Quanto à Manif, eu que até sou de Lisboa, não me importo absolutamente nada de ver carneirada (muito bem paga !) a desfilar pela Av. da Liberdade, e a insultarem a Ministra.

    Será uma oportunidade para os Lisboetas verem bem o tipo de gentalha (cheios de privilégios) que está a educar os nossos filhos.

  6. Carlos Vidal diz:

    Ó Chico da Tasca, são os parasitas mais bem pagos do país, são ou não são?

  7. manuela diz:

    Pois, não tem ponta por onde se lhe pegue, estou a ver… O que não tem ponta por onde se lhe pegue é amartelar uma carreira horizontal numa outra vertical onde não encaixa. O que faz um professor no 1º dia da sua carreira é praticamente o que faz no último, tirando uns pormenores de permeio, e os ‘administradores’ já têm um estatuto docente e remuneratório à parte. Se se juntar a isso um modelo de avaliação baseado na gestão da carreira e não na docência, temos o retrato pedagógico da troika da 5 de Outubro.

    É cancro, sim, as escolas despedaçaram-se por dentro, mas isso até a troika reconheceu e a D. Lurdes já fez o mea culpa em pleno parlamento. Agora limita-se, passinho a passinho para a opinião pública mais esbaforida não se aperceber, a recuar paulatinamente muito para trás da avaliação que antes considerava inaceitável.

    O ensino já nem instrução é, limita-se a ir fornecendo diplomas aos que se matricularem.

  8. carlos graça diz:

    faço “minhas” as palavras do Medina Carreira: “A Educação é uma lástima…”

  9. MS diz:

    Faço minhas algumas das palavras do Chico da Tasca. Acrescento-lhe um pouco mais de paciência e algum humor, não sem recordar uma entrevista do Sr MN, na qual ele dizia ter pena denão poder escolher o ministro. A acontecer tal, teriamos ministro para, pelo menos, 30 anos.
    É este o mundo dos MNs deste país. Tudo muda, só eles continuam até à velhice.

  10. Rui Costa diz:

    Não querendo tomar partido (porque penso que não se deveria tratar de uma guerra, mas sim de uma conjugação de esforços para melhorar o ensino em Portugal), tenho de confessar que cada vez mais sinto que o Mário Nogueira não é, nem de perto nem de longe, um bom representante para os professores. De facto, penso que este senhor tem vindo a desgastar a imagem desta classe profissional junto da opinião pública, ao transformar tudo isto numa guerrinha que, em certos pontos, toca o amuo. E sem a opinião pública do seu lado, será muito difícil atingirem os seus objectivos (em particular, no caso do Mário Nogueira, retirar a Maria de Lurdes Rodrigues de cena).

    Tomemos as recentes declarações do Mário Nogueira (aqui):

    “Quando esta revisão pretendia acabar com a divisão da carreira docente em categorias hierarquizadas, o ministério vem reforçar a existência dessas categorias.”

    Todos os professores têm a mesma qualidade e competência? Não me parece. Daí que me parece mais do que natural hierarquizar a classe, de forma a premiar qualidade e empenho, o que não acontecia até agora. Sou da opinião que é exactamente a não existência desta hierarquização competitiva da classe que fomenta a acomodação aos privilégios e consequente diminuição de qualidade. É preciso premiar (e de forma inequívoca) os professores que dignificam a classe e penalizar aqueles que são a razão de tantos portugueses verem a profissão de professor como um “tacho”.

    Mais em http://costarochosa.blogspot.com/2009/04/luta-continua-cada-vez-mais-desgastada.html

  11. manuela diz:

    É preciso premiar (e de forma inequívoca) os professores que dignificam a classe e penalizar aqueles que são a razão de tantos portugueses verem a profissão de professor como um “tacho”.</i

    E como se dignifica? A gerir a carreira de modo a captar as boas graças com acções e festas para e escola e para a comunidade? Apresentando no final do ano taxas de insucesso reduzidas? E quem controla esse sucesso? Quando se chega ao primeiro confronto com a avaliação externa, os exames do 9ºano (e só Português e Matemática), já todos os outros anos escolares e disciplinas passaram alegremente a malha e vá-se lá saber quais foram os professores que não ‘dignificaram’ a classe. Provavelmente serão os que, para não verem as suas legítimas expectativas defraudadas, mostrarem mais tempo disponível para preencher milhares de páginas desnecessárias, fazer bonitinhos sem qualquer incidência nas aprendizagens, enredar-se nas inutilidades que a troika inventou. O dom da ubiquidade, creio que por enquanto apenas os deuses o têm.

    Até a D. Lurdes o entende assim, retirou do simplex avaliativo qualquer resquício didáctico-pedagógico e reduziu-o à verdadeira dimensão: burocracia. Ela não pretende avaliar qualidade, apenas hierarquizar, e para isso qualquer método serve, até a cor dos olhos.
    E eu concordo, claro, é assim mesmo! Os professores não precisam de ensinar, para quê?, apenas facultar diplomas de passagem. Não é para aí que são empurrados?

  12. José Seabra diz:

    Porque será que os defensores desta politica de (des)educação desta Srª M(S)inistra, só sabem ofender e caluniar cobardemente escondidos atrás de pseudónimos?
    Como Pai e Encarregado de Educação, o meu aplauso e solidariedade para todos os professores em em particular para as suas organizações representativas.

  13. Rui Costa diz:

    Cara Manuela, compreendo perfeitamente o seu ponto de vista, concordo inclusive com quase tudo o que diz, mas…

    “E como se dignifica? A gerir a carreira de modo a captar as boas graças com acções e festas para e escola e para a comunidade? Apresentando no final do ano taxas de insucesso reduzidas? E quem controla esse sucesso?”

    Repare que este tipo de argumentos só vem ajudar a alimentar a ideia de que a classe em causa não encara a profissão de uma forma séria, ou sobretudo profissional. Daí que me pareça que qualquer argumentação contra a politica educativa não pode partir daí, pois torna-se uma argumentação muito frágil…

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